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segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Palavra de Cristo

"Habite ricamente em vós a palavra de Cristo", exortou Paulo aos colossenses (Colossenses 3.16). A expressão "palavra de Cristo" pode significar a palavra falada por Cristo, mas comunicada por algum membro da Igreja que tinha mais conhecimento sobre aquilo que Jesus ensinou durante sua jornada na terra.


Cristo tinha comissionado seus discípulos a ensinar e guardar tudo aquilo que Ele mesmo lhes havia ensinado durante os anos em que conviveram. Os ensinamentos de Cristo provavelmente eram ouvidos com muito interesse, não sendo possível dizer quando os discípulos parafrasearam esse acervo de conhecimento. Tampouco podemos opinar se os seguidores tomaram notas em pedaços de papiro ou pergaminho, pois não há evidências. Mas o que podemos deduzir é que o interesse na "palavra de Cristo" era grande.


Paulo era capaz de deixar clara a distinção entre o que Jesus havia dito e o que ele mesmo acrescentava, como fez quando abordou a questão do divórcio e da separação entre o marido e a mulher (1 Coríntios 7.10,12). Não custa lembrar que nessa altura não existia nenhum dos evangelhos, mas ainda sim Paulo conhecia detalhes daquilo que o Mestre havia passado para os apóstolos.

Paulo, é bom lembrar, nunca visitou Colossos (Colossenses 1.4). Portanto, pode nos surprender que exista nesta carta uma admoestação para uma igreja na pequena cidade de Colossos, no interior da Ásia, para que a palavra de Cristo habitasse ricamente nos corações de seus membros. Colossenses 3.16 revela os elementos do culto: palavra, ensino, exortação e cântico. A parte central do culto era comunicar os ensinamentos de Jesus e aplicá-lo às vidas dos cristãos novos. A riqueza do habitar dessa palavra nos corações se refere, certamente, à seriedade com que os irmãos deveriam receber a mensagem e se comprometer em guardá-la.


Hoje não é diferente. Temos os quatro evangelhos repletos do ensino do Senhor Jesus Cristo, porém, isto não quer dizer que temos atitudes mais comprometidas com a obediência às ordens de Jesus. A seguinte admoestação deveria ser subjacente em todo culto e na própria leitura da Bíblia: "Habite em vós a palavra de Cristo." Um compromisso com o ensinamento de Cristo não pode faltar no culto e na vida.

Autor: Russel Shedd
Fonte: Site Vida Nova

artigo Teologia e vida

A teologia trata do conhecimento de Deus, e a única fonte fidedigna da teologia verdadeira é a revelação que Deus tem dado de si mesmo.
A Criação já traz em si mesma uma revelação geral de Deus. Romanos 1.20 declara que são indesculpáveis os homens que não vêem os atributos invisíveis de Deus, Seu eterno poder e Sua natureza divina. Sabemos que tudo que existe no Universo, o sol, a lua, as estrelas, a Terra, as plantas e animais, assim como as pessoas, são evidência do poder e inteligência de Deus. A teoria da evolução, além de não ser capaz de explicar a origem de nada, tem grandes dificuldades em mostrar como um micróbio pode desenvolver complexidade e crescer para se tornar um peixe ou um mamífero. Entre os incontáveis fósseis já encontrados, ainda não foram encontrados os "elos perdidos". O fato é que nos mais avançados laboratórios do mundo nunca foi possível criar uma célula viva sem a utilização de outra célula viva.

Uma vez que abandonamos a explicação evolucionista – que não reponde às perguntas mais difíceis – a única opção que nos resta é a conclusão teológica. Se optarmos pela explicação da teologia natural – isto é, que Deus é o criador pessoal, inteligente e todo-poderoso –, estamos no caminho certo. Ele é a fonte da lei gravada nos corações de todos na qual se baseiam os conceitos de justiça e moralidade. Sem a revelação natural, patente na Criação, os homens não teriam culpabilidade. A sua ignorância seria desculpável. Paulo declara, porém, que não glorificar o Criador nem lhe render graças são crimes contra Deus, passíveis de condenação. Os homens que não agradecem a Deus pela vida e por tudo aquilo que os beneficia passarão pelo justo juízo de Deus.

Reconhecemos, no entanto, que a revelação pela natureza não é clara ou completa o suficiente para salvar aqueles que nunca tiveram acesso à revelação especial de Deus. A Bíblia inspirada por Deus é essa revelação especial capaz de apresentar tudo o que é necessário para ser salvo. Prova disso são as palavras de Jesus: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas que testificam de mim" (João 5.39).

Com a inspiração do Espírito Santo, profetas e apóstolos escreveram justamente o que Deus queria comunicar (2 Pedro 1.21). Paulo ainda ensina que "toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça" (2 Timóteo 3.16). A palavra "inspirada" quer dizer "comunicada por Deus". Sabemos que a Bíblia não foi ditada, pois seus autores utilizaram estilos próprios de escrita. O conteúdo, no entanto, veio de Deus e foi controlado por Ele para evitar qualquer contaminação de erro nos escritos originais. Jesus disse que "a Escritura não pode falhar" (João 10.35), indicando que não admitia nenhum erro no texto sagrado.

No entanto, saber o que a Bíblia ensina sobre Deus não é a mesma coisa que conhecê-lo. Ainda que o conhecimento de Deus se baseie nas verdades reveladas nas Escrituras, o encontro que produz a vida eterna depende de um contato pessoal com o Criador. Pela fé, crendo naquilo que a Bíblia afirma sobre sua pessoa e no que Jesus Cristo, Seu Filho, fez por nós na cruz e na ressurreição, é possível ter contato vital e pessoal com Deus. Por meio da oração de fé e de um coração ouvinte, essa comunhão inicialmente tênue e precária torna-se forte e constante na busca contínua de Sua presença. A comunhão com outros cristãos, por outro lado, é muito importante para gozar esta vida espiritual. Amizade e lealdade surgem na comunhão entre as pessoas – o mesmo ocorre na comunhão entre Deus e Seus filhos.

Quem se aprofunda no estudo da teologia deve ter uma compreensão mais acurada deste relacionamento que Jesus chamou de "vida abundante". Esta é a vida que vale a pena ser vivida na Terra e no além.

  • AUTOR
Russell Shedd

Russell Shedd

É PhD em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo (Escócia). Fundou a Edições Vida Nova há mais de 40 anos e atualmente é consultor da Shedd Publicações. É missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil e trabalha em terras brasileiras há vários décadas. Lecionou na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e viaja pelo Brasil e exterior participando de conferências em congressos, igrejas, seminários e faculdades de Teologia. É autor de vários livros, entre os quais estão A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia , Disciplina na Igreja , A Escatologia do Novo Testamento , A Solidariedade da Raça , Justificação , A Oração e o Preparo de líderes cristãos , Fundamentos Bíblicos da Evangelização , Teologia do Desperdício , Criação e Graça: reflexão sobre as revelações de Deus , todos publicados pelas Edições Vida Nova ou pela Shedd Publicações. Além disso, é autor dos comentários da Bíblia Shedd (Vida Nova).

Fonte: Site VIDA NOVA

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A bênção do morrer

''Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as práticas do corpo, vivereis'' (Rm 8.13)

O verdadeiro discípulo do Senhor Jesus sabe que ao tomar a decisão de seguir a Cristo ele terá um custo a pagar. O custo é elevadíssimo. Ele precisará morrer. Morrer para o mundo, para os seus interesses pessoais, para a vaidade, para o orgulho, para a indiferença, para o desejo de satisfazer as vontades da carne, enfim, deverá morrer para tudo aquilo que não está de acordo com os mandamentos da Palavra de Deus. Mas, esse cristão deve saber também que essa é uma morte que conduz à vida, à alegria, à eternidade.

Quem segue a Jesus sabe que tem que pagar um preço. Jesus mesmo estabeleceu esse preço ao afirmar: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz e siga-me (Lc 9.23). O preço que cada um de nós deve pagar é levar a nossa cruz. O caminho a trilhar para seguir a Jesus é o caminho da cruz.

Estamos dispostos a abandonar os prazeres ilusórios oferecidos em toda parte? Nessa época em que as pessoas não tem a motivação de agradar a Deus, mas tem a motivação de agradar-se a si mesmo, estamos preparados para morrer e, como consequência, viver abundantemente?

Jesus Cristo nos deu o exemplo. Sem merecer, por amor, ele pagou o alto preço. Ele entregou sua vida na cruz, não porque fosse culpado, ou tentava ser perdoado. Não! O preço que ele pagou foi porque ele nos ama. O seu sacrifício nos trouxe a paz, a liberdade, o acesso à presença de Deus, a felicidade que não existe em nenhum outro lugar. Hoje, todos nós que cremos, podemos desfrutar a verdadeira alegria, a verdadeira satisfação, hoje podemos viver prazerosamente, porque Jesus pagou o preço.

Mas, esse preço tem que ser pago individualmente. Cada um de nós deve pagar o preço da cruz. Não mais para sermos salvos, mas, para vivermos em santidade, para vivermos a vida eterna.

Aqueles que atendem aos sentimentos e às paixões carnais têm como consequência a morte. Porém, aqueles que se voltam para Deus por meio de Cristo, certamente viverão. Alguns morrem eternamente por causa do pecado, porque o salário do pecado é a morte. Porém, muitos vivem eternamente, porque creem em Cristo e trilham o caminho da cruz. Por sua morte Jesus veio trazer vida. Por nossa morte podemos experimentar a verdadeira vida.

Quando morremos para o mundo, verdadeiramente vivemos para Deus. Vivemos para amar, para perdoar, para estender a mão, para emprestar o ombro, para compartilhar os nossos recursos financeiros, para erguer do chão aquele que cai e não encontra forças para se levantar.

Que diferença entre o cristianismo e o mundanismo. O mundo está dizendo: divirta-se, satisfaça os seus desejos, não se reprima e viva!

O cristianismo está anunciando: morra, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e viva!

Qual é a sua escolha?
Deus nos abençoe.

  • AUTOR
Itamir Neves

Itamir Neves

Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, possui graduacão em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, Cursou grego na USP, é pastor, conferencista e professor nas áreas de Teologia da Vida Cristã, Novo Testamento, Teologia Bíblica, Homilética e Pregação Expositiva. É casado com Beti e tem três filhos: Anna, Itamir e Ana.

Fonte: Site Vida Nova