segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A mística trinitária moltmanniana como o ponto de partida de sua reflexão acerca do Deus-Trindade

A teologia cristã hodierna necessita enxergar que é central para a vivência madura da fé, bem como para o labor teológico, levar a sério a realidade da dimensão mística inerente à vida. Isso se deseja  sobreviver como parte vital de um cristianismo imerso num mundo dito pós-cristão. Numa época que experimenta o chamado "reencantamento do mundo". Como nunca, se fala hoje de espiritualidade nos mais diversos lugares. Essa dimensão de mistério (e a mística como referida diretamente a esse Mistério), deve dar à existência humana pós-moderna parte de sua sustentação. Mas igualmente dar à teologia sua possibilidade de continuar a existir, sempre em conformidade com a Revelação que Deus faz de si mesmo em Jesus Cristo.
É sabido que todo discurso acerca deste mistério revelado (teologia), tem um lado objetivo e outro subjetivo. Do ponto de vista objetivo, Deus é mistério revelado, que por mais inesgotável que seja (impossibilidade do conhecimento exaustivo), dá-se a conhecer ao ser humano mediante Jesus Cristo. Isto significa dizer que a auto-comunicação de Deus comunica. Todavia, não comunica conteúdos doutrinários acerca de Deus, mas Deus mesmo: o Deus que dá-se a conhecer em amor. Portanto, podemos dizer que toda teologia é teologia do mistério revelado mediante o Filho.[1]
Na verdade, podemos descrever a experiência cristã desse Deus revelado (mística cristã), portanto,  como sendo uma forma de “conhecimento experiencial, vivido, adquirido por contato direto com a realidade a que se refere”.[2] No caso da experiência mística de Deus, esta é transcendente. No cristianismo essa mística tem endereço certo, o único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Pois para a fé cristã toda experiência de Deus é uma experiência trinitária. E essa abordagem apreendemos como central no pensamento trinitário do teólogo reformado alemão Jürgen Moltmann.
Jürgen Moltmann nasce numa família de professores, na cidade de Hamburgo, na Alemanha. Sua família não tinha contato com a Igreja, portanto, o jovem Moltmann não tivera uma educação cristã. Seu contato com a fé se deu no famoso acampamento de Norton Camp (Inglaterra), como prisioneiro de guerra.
Na última semana de julho de 1943, Hamburgo foi totalmente destruída pelos aliados (Força Aérea Britânica), numa tempestade de fogo como resultado da Operação Gomorra. Nessa ocasião, 40 mil pessoas morreram e o jovem Moltmann tinha cerca de 17 anos. E ele nos conta como durante a guerra vira morrer ao seu lado muitos colegas de infância.[3] Acerca desses acontecimentos ele nos conta:

Em julho de 1943 fui ajudante da Força Aérea numa bateria aérea no centro de Hamburgo, e por pouco sobrevivi ao ataque desfechado pela “Operação Gomorra” da Royal Air Force no leste daquela cidade. O amigo que estava a meu lado no equipamento de comando foi estraçalhado pela bomba que me poupou. Aquela noite clamei pela primeira vez por Deus: Meu Deus, onde estás? Desde então fui perseguido pela pergunta: porque não estou morto também? Para que vivo? O que dá sentido a minha vida. (...) É provável que a minha teologia tenha surgido naquela noite. Pois sou de uma família secularizada e não conhecia a fé.[4]

Como prisioneiro de guerra Moltmann passa por experiências profundas de contato com a fé cristã. Essa “experiência de perdição” fruto dos horrores da guerra antecede e prepara o terreno para sua “experiência de conversão”. Moltmann compara essa experiência com a história narrada no livro de Gênesis sobre a luta de Jacó com o Anjo do Senhor no vau de Iaboq.[5] E ele diz: “Saímos daqueles anos, ‘mancando de uma coxa’, porém abençoados. Nossas almas estavam profundamente feridas quando finalmente a guerra acabou, e depois de anos em Norton Camp muitos de nós disseram: Minha alma sarou, pois vi a Deus”.
A passagem desse estado de perdição para outro de salvação se dá com o contato direto com um exemplar da Escritura que ele ganhara de um capelão militar. O contato devocional constante com a Palavra de Deus o conduz primeiro aos Salmos de lamentação e depois à história do Gólgota. Ele diz:

Cheguei à história da Paixão. Quando o li o grito de Jesus ao morrer “Meu Deus, por que me desamparaste?”, soube com certeza: está ali o único que me compreende. Comecei a compreender o Cristo atribulado, porque sentia que era compreendido por ele: o irmão divino na aflição, que leva consigo os cativos em seu caminho para a ressurreição. Recobrei o ânimo de viver. Fui tomado de uma grande esperança. (...) Desde então nunca mais se apartou de mim essa antiga comunhão com Jesus, o irmão no sofrimento e o redentor da culpa. Nunca tomei uma “decisão” por Cristo, como as vezes se exigia. Contudo, tenho certeza de que, naquele tempo e naquele lugar, ele me encontrou no buraco negro de minha alma. O abandono de Cristo por Deus me mostrou onde Deus está, onde ele estava e onde ele estará comigo em minha vida.[6]

No acampamento de Norton Camp, o jovem Jürgen Moltmann ainda prisioneiro de guerra tem seus primeiros contatos com a teologia. A Associação Cristã de Moços da Inglaterra montou uma rica biblioteca para que os prisioneiros pudessem ler. Uma capela fora construída para os mesmos e pastores conhecidos lhes vinham pregar o Evangelho e lhes ministrar a Comunhão. Depois, os interessados passaram a ter aulas de disciplinas teológicas: teologia sistemática, Novo Testamento, Ética e História da Igreja, eram algumas das disciplinas oferecidas semestralmente aos prisioneiros de guerra. Moltmann confessa que de onde eles só poderiam esperar ódio e rancor por tudo que os Nazistas representavam, eles receberam perdão e amor. E isso os deixara envergonhados num primeiro momento mas depois produziu uma profunda libertação na vida daqueles que lá permaneceram.[7]
Moltmann nos conta ter vivido sua “noite escura” ao se deparar com fotos estendidas no primeiro acampamento em que ele e seus colegas ficaram na Escócia antes de chegarem a Norton Camp. Eles se sentiam culpados por terem colaborado com tamanho horror. Moltmann conta que à noite, sempre tinha pesadelos com as cenas de horror que testemunhara e que somente depois de 5 anos essas memórias castigadoras foram sumindo, sumindo, até o deixarem em paz. Mas depois disso eles poderiam testemunhar da benção que significou Norton Camp. Ele diz: “Naquelas noites estávamos sozinhos como Jacó, e lutávamos contra poderes e potestades que nos pareciam sombrias e perigosas. Somente mais tarde, depois que aquilo passou podemos compreender que lutava conosco.”[8]
O que aparentemente seria um destino cruel como prisioneiros, revelou-se uma grande benção de riqueza imerecida. Tudo começou na noite da guerra e terminara quando ele, Moltmann, chegara a Norton Camp. Na verdade, em Norton Camp “o sol raiou para nós. Chegamos com as almas feridas em quando saímos, minha vida foi salva.”[9] Ele continua:

Sem dúvida, não vimos, como Jacó naquele lugar no Iaboq, “Deus face a face”. De acordo com a tradição bíblica, isso está reservado apenas a poucos “amigos de Deus”. A todos os demais, porém, isso foi prometido somente para o grande dia da ressurreição, quando veremos face a face. (...) Ocorreu o inverso: foi Deus quem olhou para nós com os “olhos radiantes” de sua alegria eterna. A benção e o Espírito da vida tem sua origem no olhar resplandecente de Deus (Sl 51, 13; 139,7; Nm 6, 24-26)., assim como o Juízo de Deus está fundado na “face oculta de Deus” (hester panim) e a rejeição no “olhar desviado de Deus”. Aquilo que vivenciamos foi para nós a mudança do “rosto oculto” para a “face resplandecente de Deus”. (...) Ele olhou para nós com “olhar resplandecente”, e sentimos o calor do seu amor.[10]

As experiências místicas (vividas em Norton Camp), a partir da história de Jesus Cristo como testemunhada nos Evangelhos, deixará uma marca indelével em toda construção da teologia trinitária moltmanniana. Ele diz:

No testemunho neotestamentário Jesus se apresenta como “o Filho”. Sua história se constitui de uma ação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito. É a história das relações recíprocas, intercambiantes, e por isso vivas, entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A história, na qual Jesus aparece com o “o Filho”, não é cumprida apenas por um sujeito. A história de Cristo, já a partir do Novo Testamento, é narrada trinitariamente. Por este motivo, nós partimos do seguinte pressuposto: O Novo Testamento fala de Deus, na medida em que narra e anuncia, as relações comunitárias, extensivas ao mundo, entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.[11]

Ou como diz Ruiz de Copegui: “É no seguimento de Jesus Cristo, na contemplação de suas palavras, das suas ações, das suas atitudes que o cristão realiza de maneira concreta a experiência do Deus uno e trino. Em Jesus Cristo se manifesta todo o mistério de Deus”.[12] E é exatamente dessa maneira que acontece com o teólogo de Hamburgo. A intensidade com que Moltmann desenvolve a história do Filho como eixo hermenêutico para se trabalhar a revelação do Deus-Trindade, é de suma importância e (como dissemos acima), está diretamente relacionada às suas experiências místicas (na fé) que ele desenvolvera a partir de Norton Camp e que o acompanha até os dias de hoje. Não há mudança substancial em sua metodologia, mas sim, um grande aprofundamento de perspectiva. Em uma boa parte de sua obra O Espírito da Vida, Moltmann relaciona mística, por exemplo, com a meditatio e a contemplatio. Ele assevera:

Existem muitas definições e distinções referentes a meditação e contemplação. Para uso próprio, entendo meditação como conhecimento, envolvido de amor, sofrimento e participação, de um objeto, e como contemplação o reflexivo tornar-se consciente do próprio eu nesta meditação. Os que meditam mergulham em seu objeto. Eles se absorvem inteiramente no objeto e “se esquecem de si mesmos”. O objeto fica mergulhado neles. Na contemplação eles despertam novamente para a lembrança. Percebem as mudanças que se operaram neles próprios. Retomam a si mesmos novamente, depois de haverem saído de si. Na meditação percebemos o objeto. Na contemplação associada à meditação percebemos nossa percepção. É verdade que não existe meditação sem contemplação nem contemplação sem meditação, mas fazer esta distinção ajuda-nos a compreender.[13]

Contudo, essa meditação-contemplação cristã tem como central a revelação que Deus faz de si mesmo mediante Jesus Cristo. Moltmann relata o impacto em sua experiência de fé do seu contato com alguns textos da Escritura como é o caso da narrativa do batismo de Jesus de Nazaré e como esse texto testemunha a presença ativa das Três Divinas Pessoas na vida do Messias, Filho de Deus. Pois nesse texto aparece a figura do Pai dando testemunho como sendo Ele (Jesus) seu mui amado Filho e confirmando a vocação de servidor do Filho, através da presença e unção do Espírito Santo descendo sobre o messias servidor em forma de pomba.[14]
Na verdade, no evento do batismo e vocação de Jesus narrado nos sinóticos, temos a revelação do Pai e através de Jesus nos deparamos com uma configuração ímpar da Trindade claramente reconhecível. Jesus revela-se como o Filho amado do Pai e revela a Deus como sendo o seu Pai amoroso. Pai amoroso do Filho: vide sua relação de amor e confiança com o Deus a quem Jesus de Nazaré chamava de Abbá. Diz Moltmann:

Na história desse relacionamento entre esse Pai e esse Filho, ele envolve os homens, os aflitos e os sobrecarregados. Essa é a história por ele revelada. Na sua comunidade com o Pai reside o mistério do Reino que ele anuncia aos pobres. Mas o batismo, a vocação, o anúncio e as obras de Jesus acontecem pelo Espírito. Isso transparece no batismo e no episódio da sua primeira manifestação pública em Nazaré (Lc 4, 18s). O Espírito faz com que o Filho diga “Abba, Pai amado”. Esse Espírito é que conduz Jesus á tentação no deserto, ao sofrimento e á morte em Jerusalém. E ele acompanha a sua pregação com sinais. É o Espírito que procede do Pai e se derrama sobre o Filho. Ele é o Espírito do tempo messiânico, que deverá vir sobre toda a carne. A história de Jesus é incompreensível sem a atuação do Espírito, como também seria incompreensível sem Deus, que ele chamava “meu Pai” e sem a sua atuação a partir da existência do Filho.[15] 

E ele conclui:

A Trindade, reconhecível nas fórmulas do enviado, possui uma configuração analógica. O Pai envia o seu Filho. O Filho é enviado por seu Pai. Atreves do envio, a comunhão do Pai e do Filho se torna tão ampla, a ponto de estender-se aos homens, para que estes participem da filiação de Jesus e, no Espírito, invoquem o Pai. No chamado de Jesus não se revela apenas o envio de um profeta ou de um Messias, mas precisamente o envio do Filho. No envio do Filho, Deus diferencia-se de si mesmo e se entrega. O envio do Filho, portanto, funda-se em um movimento que se opera na própria vida divina, não apenas para fora. Ele procede da diferenciação trinitária da unidade divina. Não há como entender de outra forma o envio do Filho pelo Pai. Portanto: O Pai envia o Filho, através do Espírito; O Filho é enviado do Pai, na força do Espírito; e o Espírito conduz os homens ao seio da comunidade do Filho com o Pai.[16]

Na verdade, o foco em Moltmann não está na encarnação, mas na cruz de Jesus Cristo. A cruz entendida e pensada trinitariamente e assim compreender o dogma trinitário através da teologia da cruz.[17] O que leva o nosso teólogo de Hamburgo a perguntar: o que significou para Deus a cruz. Não o resultado da cruz para, mas as repercussões da cruz em Deus mesmo. O que pede para que o conceito antigo de matriz grega, da impassibilidade de Deus, tivesse que ser revisto. E mais. Segundo Moltmann revela: “Por esse motivo obriguei-me a abandonar a distinção tradicional entre a Trindade econômica e Trindade imanente. Por esse motivo é que, concordando perfeitamente, acolhi a tese de Karl Rahner: a Trindade econômica é a Trindade imanente e vice-versa.”[18] Ele assevera a esse respeito:

A tese da identidade fundamental da Trindade imanente econômica permanece ambígua quando se insiste em manter a distinção, pois nesse caso a tendência é a redução de uma a outra. O que propriamente deve ser expresso por aquela identidade é a ação recíproca entre o ser e a revelação, entre o interior e o exterior do Deus uno e trino. A trindade econômica não apenas revela a Trindade imanente, mas retroage sobre ela. A distinção agostiniana entre as operas trinitatis ad extra, que são indivisíveis (indivisa), e as opera trinitatis ad intra, que são divisíveis (divisa), é insuficiente. Ela atribui a Deus unidade para fora e a trindade para dentro. Todavia, o evento da cruz (exterior) só pode ser entendido trinitariamente, i.e, divisível (divisa) e diferenciado. Por outro lado, a entrega do Filho por nós na cruz repercute no Pai, ocasionando um sofrimento infinito. Na cruz, Deus produz a salvação, no exterior, para toda a sua criação, e ao mesmo tempo sofre a desgraça de todo o mundo, no interior, em si mesmo. Às operas trinitatis ad extra, correspondem, a partir da criação do mundo, passiones trinitatis ad intra. De outra forma não seria possível entender Deus como amor.[19]

Conclusão

A atual dinâmica da teologia permanece teimosa do paradigma racionalista cartesiano, tornando-se um impeditivo para que aquilo que chamamos de “inculturação da teologia”, aconteça satisfatoriamente. Por isso, pudemos perceber que, ou superamos esse paradigma reducionista cartesiano na dinâmica da teologia, ou a mesma permanecerá irrelevante diante do desafio da cultura ocidental hodierna.
Essa mentalidade chamada por muitos de “pós-moderna” reclama um alargamento das “fronteiras epistemológicas” da modernidade e seus conceitos tradicionais sobre os quais a teologia foi erigida nestes últimos três séculos. Blaise Pascal tinha razão: o coração verdadeiramente tem razões que a Razão desconhece.
Precisamos de uma espiritualidade mais teológica e de uma teologia mais espiritual, sem relação de precedência. Uma espiritualidade com base e sustentação na Revelação e uma teologia mais viva, rica da presença do Espírito que sopra sobre os teólogos-pastores de sua Igreja para que os mesmos tenham discernimento e façam da teologia uma cativante e rica “inteligência da fé”.
Aqui nos parece que a mística trinitária moltmanniana tem muito a contribuir para o amadurecimento da relação entre teologia e espiritualidade, como teologia que nasce da meditação-contemplação do drama da cruz em Deus Pai, Filho e Espírito Santo.


Bibliografia

MOLTMANN, J. A fonte da vida: o Espírito Santo e a teologia da vida. São Paulo: Loyola, 2002.

____. El Dios crucificado: la cruz de Cristo como base y critica de toda teologia Cristiana. Salamanca: Sígueme, 1975.

____. O Espírito da vida: uma pneumatologia integral. Petrópolis: Vozes, 1999.

____. Trindade e Reino de Deus: uma contribuição para a teologia. Petrópolis: Vozes, 2000.

PÁDUA, L. P. Mística, Mística cristã e Experiência de Deus. In: Atualidade Teológica. Rio de Janeiro: PUC-Rio. Ano VII n.º 15, setembro/dezembro de 2003.

RUIZ DE COPEGUI, J. A. Experiência de Deus e catequese narrativa. São Paulo: Loyola, 2010


[1] Essa é a maneira como Moltmann irá construir sua teologia trinitária tendo na história do Filho o seu eixo hermenêutico.
[2] DE PÁDUA, Lúcia Pedrosa. Mística, mística cristã e experiência de Deus. Atualidade Teológica. Rio de Janeiro: PUC-Rio. Ano VII nº 15, setembro/dezembro, 2003, p. 358.
[3] Cf. MOLTMANN, Jürgen. A fonte da vida: o Espírito Santo e a teologia da vida. São Paulo: Loyola, 2002, p. 10.
[4] Ibid., Idem., p. 10.
[5] Gn 32, 25-32.
[6] MOLTMANN. A fonte da vida. pp. 12-13.
[7] Cf. Ibid., pp. 15-16
[8] Idem., p. 11.
[9] Idem., p. 16.
[10] MOLTMANN, Jürgen. A fonte da vida. Op., cito., p. 16.
[11] MOLTMANN, Jürgen. Trindade e Reino de Deus: uma contribuição para a teologia. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 78.
[12] RUIZ DE COPEGUI, J. A. Experiência de Deus e catequese narrativa. São Paulo: Loyola, 2010, p. 188.
[13] MOLTMANN, Jürgen. O Espírito da vida. Op., cit., p. 193.
[14] Cf. MOLTMANN, Jürgen. Trindade e Reino de Deus. Op., cit., p. 80.
[15] Ibid., PP. 87-88.
[16] Ibid., p. 88.
[17] Cf. MOLTMANN, Jürgen. El Dois crucificado: La cruz de Cristo como base y critica de toda teologia Cristiana. Salamanca: Sígueme, 1975.
[18] MOLTMANN, Jürgen. Trindade e Reino de Deus. Op., cit., p. 169.

[19] Idem., p. 169.

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Autor: Rodrigo Condeixa 

FONTE: Blog do Pr. Rodrigo Condeixa

A Autoridade da Escritura

A Autoridade da Escritura

Rev. Ronald Hanko

Porque a Escritura é a Palavra de Deus inspirada e infalível, ela tem suprema autoridade. Não existe nenhuma autoridade humana que seja maior, nem regra de homens capaz de suplantar seus preceitos, e nenhum ensino que possa contradizer algo que ela ensine.

Ela tem autoridade em todas as questões de doutrina. Isso está implícito em 1 Timóteo 3:16, onde a doutrina é mencionada em primeiro lugar. Nessa passagem a autoridade da Escritura não é o que está sendo enfatizado, mas sim os seus benefícios. Devemos entender, contudo, que a Escritura é de proveito porque tem autoridade: seu ensino é sempre a "última palavra" em qualquer assunto, especialmente nas questões de doutrina.

Ela tem a mesma autoridade em todas as questões de prática e vida cristã. O fato de ela ter sido escrita há milhares de anos, em diferentes culturas e povos, não faz diferença alguma. Porque ela é a Palavra do próprio Deus, que sabe o fim desde o princípio e que não muda, as circunstâncias mutáveis da vida neste mundo não destroem a autoridade de nada do que a Escritura diz.

Porque Paulo escreveu sobre o lugar da mulher no lar e na igreja numa cultura diferente da nossa, não torna o que ele disse inválido. Não é Paulo quem diz isso, mas Deus mesmo.

De fato, essa é uma razão de espanto para aqueles que crêem na inspiração da Escritura; vemos quão freqüentemente a Escritura, como a Palavra do Deus eterno, antecipa os falsos ensinos e práticas dos nossos dias. Um bom exemplo disso é encontrado em 2 Pedro 3:1-7, onde a teoria da evolução é questionada e destruída pelo repúdio que a Escritura faz do uniformitarianismo, a suposição que todas as coisas continuam a mesma desde o princípio do tempo.

A autoridade da Escritura é suprema mesmo em questões de história, geografia, ciência ou qualquer outra disciplina acadêmica, sempre quando ela tem algo a dizer sobre essas questões. Ela não tem autoridade somente sobre a área da teologia e vida cristã. Tão grande é a sua autoridade que o crente deve aceitar o que ela diz, mesmo em face de oposição por parte da ciência.

Devemos entender que a autoridade da Escritura é a autoridade de Deus mesmo. Dizer que a Escritura é a Palavra de Deus é dizer que ela tem toda autoridade. Negar isso é negar a Deus; contradizer isso é contradizer o próprio Deus.

Ninguém pode dizer que ele aceita a autoridade da Escritura num ponto e rejeita-a noutro. Ele não pode dizer que aceita o que ela diz sobre Jesus, mas não o que diz sobre a criação. Toda ela é a Palavra de Deus, e toda ela está revestida da autoridade de Deus. Deus e a palavra de Deus não podem ser aceitos ou rejeitados à vontade. Sua Palavra não pode ser anulada (João 10:35).

Uma coisa é confessar a autoridade da Escritura; contudo, é totalmente outra reverenciá-la. Em cada ponto em nossa vida cristã, nossa submissão à Escritura é testada. Nem é fácil submeter-se aos mandamentos da Escritura quando estes contradizem nossa vontade, ou quando o ensino da Escritura toma o caminho oposto de toda inclinação terrena, como geralmente acontece.

Somente pela graça obedecemos. Deus, que deu a Escritura, também nos dá a graça necessária. Dizemos com Agostinho: "Concede-me o que me ordenas, e ordenas o que quiseres."2

Fonte (original): Doctrine According to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, pp. 20-21.

1E-mail para contato: felipe@monergismo.com. Traduzido em abril/2008.
2Confissões, X Livro (São Paulo: Editora Paulus), p. 122.

Quando e como o Senhor quer

Estudos sobre os efeitos da intercessão mostram que a ação divina não tem compromisso com a lógica das metodologias.

Por Gregory Fung e Christopher Fun

Ao longo dos tempos, medicina e fé nunca se deram lá muito bem. Se, de um lado, os profissionais de saúde costumam atribuir a possibilidade de cura aos corretos tratamentos, por outro, muitos religiosos tendem a maximizar a importância da intervenção divina em detrimento da eficiência médica. De uns tempos para cá, contudo, tem havido uma frutífera aproximação entre os dois segmentos. Tanto, que um estudo recentemente realizado pelo Departamento de Pesquisa de Saúde dos Estados Unidos concluiu que a maioria – 70% – dos médicos pesquisados acreditam que milagres acontecem ainda hoje. Ainda assim, menos de 29% acreditam que os resultados dos tratamentos têm relação com “forças sobrenaturais” ou “ação de Deus”. Mais de 1,1 mil profissionais de saúde participaram da pesquisa.

Há, nos estudos sobre oração na medicina, uma linha que demarca a batalha entre santos e céticos: os cristãos procuram a prova científica da eficácia da oração. Já os críticos buscam o contrário – minar a fé religiosa. Seja bom ou não, muitas tentativas têm sido levadas a cabo no sentido de avaliar o papel exercido pela intercessão na cura. O primeiro estudo conhecido foi publicado em 1872, pelo inglês Francis Galton, autoridade em várias ciências, que não encontrou qualquer evidência estatística de que a oração prolonga a vida de pessoas enfermas. Ressalte-se, que à sua época, levantamentos do gênero careciam de rigor científico.

Mais recentemente, vários experimentos com oração chamaram a atenção de evangélicos ansiosos para encontrar ligação entre fé e ciência. Um estudo de 1983, de Randolph Byrd, elevou os ânimos de forma especial. Ele observou 393 pacientes da cardiologia do Hospital Geral de São Francisco. Cerca de metade recebeu oração de pessoas consideradas cristãos consagrados, que oravam diariamente e eram ativos em suas comunidades religiosas. A outra metade, que serviu como grupo de controle, não foi alvo de nenhuma ministração de natureza espiritual. Nesse estudo, a melhora dos que receberam orações superou de forma significativa a observada entre os integrantes do grupo de controle. Mesmo assim, não se pode dizer que o trabalho de Byrd tenha sido capaz de servir de evidência da atuação direta de Deus na cura, já que foi criticado depois de sua publicação por ter apresentado medidas de resultados inválidas, métodos estatísticos inapropriados e suspeita de erros.

Há três anos, contudo, vieram a público resultados de um estudo notável, programado cuidadosamente para acabar com o debate. Na época da publicação, recebeu certa atenção, mas passou despercebido para muita gente devido às conclusões surpreendentes – e perturbadoras – até para os crentes. O Estudo sobre os efeitos terapêuticos da oração de intercessão (STEP – sigla em inglês), realizado com o patrocínio do Departamento de Medicina da Universidade de Harvard, foi, de longe, o mais abrangente feito até hoje. Levou 10 anos para ser concluído, custou 2,4 milhões de dólares e foi, em sua maior parte, sustentado pela Fundação John Templeton, que apoia estudos sobre a relação entre religião e ciência.

 O STEP foi simples e elegante, segundo todos os padrões, normas e protocolos de pesquisa: 1.800 pacientes submetidos à implantação de marcapassos cardíacos foram divididos, aleatoriamente, em três grupos. Dois deles receberam oração de cristãos comprometidos, com prática de orar por enfermos, sendo que só em um dos grupos os membros sabiam que havia alguém orando por eles. O resultado: o grupo em que os pacientes sabiam das orações apresentou mais complicações e recuperação mais difícil do que os que não sabiam se havia, ou não, alguém orando por eles. Curiosamente, o fato de alguém saber que havia um grupo de intercessores orando em seu favor teve um impacto negativo sobre sua saúde.

Houve comparação, também, entre os dois grupos que não sabiam se estavam sendo alvo de preces. Nesse caso, o grupo que recebeu oração apresentou mais complicações graves do que o pessoal que ficou sem oração. Em outras palavras, o estudo parece mostrar que a oração – pelo menos a feita por estranhos – pode ser prejudicial à saúde. O resultado da pesquisa pode ter decepcionado quem esperava ver efeitos positivos da intercessão, mas também surpreendeu os céticos, que não houvesse qualquer efeito.

Praticidade X mover de Deus –As respostas dos evangélicos incluíram a observação de que muitos pacientes oravam por si mesmos e tinham parentes também orando por eles (96% relataram exatamente isso). Essa realidade pode acabar com qualquer efeito das orações da pesquisa. Outros cristãos alegam que a investigação da oração de intercessão é problemática, já que os exemplos de cura física através de oração direta relatados no Novo Testamento sempre aconteceram como resultado da oração presencial – cenário impossível de se testar sem que os participantes saibam o que ocorre. Uma terceira resposta, como disse um conhecido capelão hospitalar, foi simplesmente a de que Deus não está sujeito a pesquisas científicas.

O escritor cristão C.S.Lewis pensou em um estudo sobre oração bem estruturado, mas não esperava resultados positivos e mensuráveis. “O problema é que não vejo como a verdadeira oração possa acontecer sob tais condições,” disse ele. “Mera repetição de orações não é orar. Se fosse, bastaria treinar bem um grupo de papagaios e eles seriam tão úteis quanto os homens na experiência”. Ele defendia que tal abordagem da oração a reduzia a um tipo de mágica – “Alguma coisa que funciona automaticamente”, explicou. Sendo assim, qualquer estudo como o STEP estaria fadado ao fracasso, já que tais esforços sempre acabam tentando medir resultados práticos, e não o verdadeiro mover de Deus.

Ironicamente, o STEP acaba confirmando a visão cristã do mundo. Afinal, orações não têm – ou não deveriam ter, pelo padrão bíblico – nada a ver com encantamentos. O verdadeiro nó górdio do estudo não é que o grupo que recebeu oração se saiu pior, mas sim, que as pessoas que não foram alvo de súplicas acabaram recebendo tantas, se não mais, bênçãos de Deus quanto as outras. Em outras palavras, o Senhor, aparentemente, distribuiu seu favor a despeito da quantidade e até da qualidade das orações. Coerente a seu caráter, ele parece inclinado a curar e abençoar o maior número de pessoas possível. É como se o Senhor mal conseguisse se controlar (embora o faça muitas vezes) e deixar de intervir e romper a natureza do universo para cuidar de quem ele ama – ainda que quem seja alvo dessa graça reconheça o fato ou não. Deus respondeu as orações dos grupos do estudo, mas, acima disso, respondeu as dos pacientes, dos amigos e parentes deles, e talvez até dos que nem sabiam que havia alguém orando.

 Amor de Deus – Se isso for verdade, então surge uma questão incômoda: “Se Deus já é tão generoso, por que tanto empenho na oração?” Essa é outra maneira de expressar a verdadeira pergunta – “Qual é o mínimo que se exige de mim para que minhas orações sejam respondidas?” Tais indagações expõem a fraqueza do desejo modernista de saber se a oração “funciona”. Ao descobrir que Deus responde constantemente as orações, deparamo-nos com a realidade mais profunda e perturbadora de que, com freqüência, ele não nos dá o onde, quando e como que desejávamos.

A Bíblia confirma essa realidade. Deus, por exemplo, respondeu as orações e libertou o povo da opressão de Faraó, mas a resposta – que demorou, mas chegou – foi inesperada, imprevisível e nem um pouco tranquila, pois demandou uma longa peregrinação pelo deserto, o perigo de atravessar o mar e as agruras da caminhada por décadas a fio. Da mesma forma, a resposta divina ao clamor pela libertação do jugo romano foi ainda mais inesperada e, para muitos, simplesmente inaceitável. Diante disso, não surpreende que Jesus tenha ensinado seus seguidores a orar ao Pai usando os seguintes termos: “Seja feita a tua vontade”, como ele mesmo suplicou todo o tempo que passou no Getsêmani. Diante de tudo isso, a obsessão em descobrir se a oração funciona é a questão errada. Sabe-se que ela funciona – a verdadeira questão é se estamos prontos ou não para a resposta de Deus.

Não é surpresa que os preparados para a resposta divina ao clamor de Israel por um Messias foram os que oravam. Ana, a profetisa que passou a maior parte da vida em adoração no Templo, foi uma das primeiras a reconhecê-lo. Lídia, que entendeu a verdade do Evangelho e abriu a porta para Filipe, estava no lugar certo e na hora certa porque estava orando. Então, o motivo de orarmos não é apenas receber respostas de Deus. Oramos também para sermos capazes de reconhecer e receber a resposta do Senhor, saber como responder e, talvez, ver o próprio Deus.

A maioria dos médicos acredita em milagres e na realidade de causa e efeito no exercício de sua profissão. E as intervenções divinas acontecem para todos porque somos amados por Deus, quer estejamos em rebeldia contra ele ou não. Resta aos médicos, e a nós, decidir como vamos reagir. Deveríamos ser sábios e evitar aplicações mágicas ou mecânicas do Evangelho, que definitivamente não pode ser entendido e vivido dessa maneira. O STEP nos incentiva a acreditar que Deus está ansioso para responder nossas súplicas, aparentemente sem dar muita atenção à nossa competência para orar ou, em certas ocasiões, inclusive à nossa ortodoxia. Isso deveria nos dar confiança para agir, acreditar e trabalhar ao lado de um Senhor bom e generoso, que nos convoca para trabalharmos em seu Reino levando cura e oração ou mundo.

Gregory Fung é bioquímicoem Harvard e Diretor Regional da InterVarsity Christian Fellowship, em Boston (EUA); Christopher Fung, seu filho, é patologista e membro da Igreja da Rua LaSalle, em Chicago, também nos EUA

Entre a sinagoga e o areópago

Hoje, muitas igrejas observam formatos litúrgicos que foram desenvolvidos ao longo dos anos para agradar seus membros, mas se esquecem dos sem Cristo.

Há algumas semanas, uma revista de grande circulação no país publicou reportagem de capa intitulada A nova reforma protestante. Entre várias opiniões, citações e ideias de diversas pessoas expressas no texto, foi mencionado algo que acontece na igreja que pastoreio: “Os sermões são chamados, apropriadamente, de palestras e são ministrados com recursos multimídia por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Veríssimo ou uma música de Chico Buarque de Holanda”. Não é preciso dizer que alguns manifestaram indignação com o que foi dito na matéria. Já imaginou, disseram, um pregador sentado em banquinho? E como pode alguém fazer uso de idéias “pagãs” para elucidar um conceito sagrado? Que irreverência!

O que algumas pessoas que pensam assim não percebem é que há tanto tempo se encontram enclausuradas num modelo cultural de ser igreja que não conseguem mais distinguir entre o que é princípio bíblico e o que é modelo cultural construído ao longo dos anos. Por exemplo, pregar a Palavra de Deus com fidelidade é um princípio bíblico. Mas pregá-la de terno e gravata, atrás de um enorme e elevado púlpito de madeira, é um modelo cultural. Quem pensa assim passou a entender que a missão da Igreja é a manutenção das formas religiosas – sejam elas provenientes da cultura europeia do século 16 ou do caldo pop evangélico desenvolvido nas últimas décadas. E assim, a missão de comunicar o Evangelho àqueles que se encontram inseridos no mundo real tornou-se secundária ou esquecida.

Segundo Atos 2, Pedro, diante de uma multidão de judeus, pregou o Evangelho fazendo uso da cultura desenvolvida nas sinagogas judaicas. Desde o início de sua mensagem, o apóstolo afirma que iria “esclarecer” algumas coisas. Ou seja, ele não se propõe a apresentar algo novo, mas lançar novas luzes sobre tudo o que já conheciam. Citou profetas do Antigo Testamento, sem qualquer preocupação em explicar que foram aqueles homens do passado – afinal, seus ouvintes os conheciam e respeitavam. Além disso, termina usando um conceito judeu, ao apresentar Jesus como “o Cristo”. E, assim, presenciou três mil conversões.

Alguns capítulos adiante, lemos que Paulo, em Atenas, pregou para uma plateia formada pela elite pensante da época. Falou do mesmo Evangelho, mas em um formato bem diferente. Diante do areópago grego, começou perguntando o que se encontra na mente e no coração das pessoas. Em seguida, fez uso de conceitos que pertenciam à história e à cultura helênica, para só então apresentar o “Deus desconhecido”. O impacto da palavra de Paulo é impressionante! Alguns resistem fortemente, mas outros se rendem ao Evangelho.
O que aconteceria se Pedro fizesse sua famosa pregação do dia de Pentecostes no areópago de Atenas? Provavelmente, os atenienses o desprezariam, pois não entenderiam o discurso. Não faria qualquer sentido para eles citações do profeta Joel ou do rei Davi, pois tais personagens lhes eram absoltamente desconhecidos. E falar em um Cristo, figura que não pertencia à tradição ateniense, teria como resultado incompreensão ou indiferença. Por outro lado, um Paulo falando em “Deus desconhecido” diante de judeus na festa de Pentecostes provavelmente seria apedrejado. Os ouvintes ficariam indignados por ver conceitos pagãos sendo empregados em referência aos ensinos dos personagens do passado hebreu registrados nas Escrituras do Antigo Testamento.

Hoje, muitos cristãos e igrejas vivem inseridos na cultura da sinagoga. Observam formatos litúrgicos que foram desenvolvidos ao longo dos anos a fim de que todos os iniciados na fé sintam-se confortáveis. Na verdade, são conceitos e palavras perfeitamente compreensíveis àqueles que já participam do ambiente há muitos anos; tudo é feito tendo em vista este público interno, os iniciados que conhecem os símbolos suficientemente.

O grande problema é que vivemos no areópago. Assim, a Igreja que entende que a essência de sua missão é a comunicação do Evangelho aos que a cercam precisará aceitar o desafio de pregar perante o areópago. Isso, certamente, gerará certo desconforto aos iniciados, pois demandará mudanças, maior conhecimento e sensibilidade para com a cultura daqueles que queremos alcançar – e poderá, até mesmo, levar alguns pregadores a trocar os púlpitos por banquinhos, usar um MacBook ao lado da Bíblia e citar Luis Fernando Veríssimo e Chico Buarque de Holanda a fim de ajudar seus ouvintes a entender mais facilmente a mensagem da salvação.  

Autor: Ricardo Agreste
Fonte: Cristianismo Hoje

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Charles Spurgeon e os prantos por Jesus

Muitas pessoas reagem ao filme A paixão de Cristo com choro e prantos, diante do sofrimento de Jesus. Billy Graham chorou, o papa chorou; bem, quase todo mundo chorou em face do sofrimento de Jesus.
Isso não é algo novo. Quando Jesus encaminhava-se para a cruz, "seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e lamentavam" (Lc. 23:27). Como Cristo reagiu a isso? Será que ele encorajou esse ato como sendo demonstração de genuína piedade? "Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!"


Spurgeon falou sobre os prantos por Jesus, ao pregar sobre Lucas 23.27-31:

Você não deve chorar tanto porque Jesus morreu, mas porque seus pecados fizeram com que fosse necessário que ele morresse. Você não precisa prantear pela crucificação, mas porque as suas transgressões e seus pecados prenderam o Redentor no maldito madeiro. Chorar pela morte do Salvador é lamentar a redenção; seria mais sábio lamentar por uma doença. Chorar pela morte do Salvador é molhar a faca de um cirurgião com lágrimas; seria melhor lamentar pela disseminação dos pólipos que aquela faca poderia cortar. Chorar pela morte de Jesus enquanto ele vai para a cruz é lamentar por aquilo que deveria ser o maior motivo de alegria que os céus e a terra já conheceram; suas lágrimas não são tão necessárias ali; elas não são naturais. Um pouco de sabedoria te fará trocar esse choro por brados de alegria por sua vitória sobre a morte. Se nós devemos continuar com nossas tristes emoções, devemos, então, lamentar por termos quebrado a lei que Ele valorosamente validou; lamentemo-nos porque deveríamos ter suportado a pena que Ele, por nós, teve de suportar ... Oh, irmãos e irmãs, esta é a razão pela qual nossas almas devem lamentar: porque quebramos a lei divina de tal forma que se tornou impossível a nossa salvação, exceto pelo sofrimento e pela morte de Cristo Jesus.

Fonte: http://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_weepingforJesus.htm

Odiado sem Causa

Por Herman Hoeksema

"Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa." João 15:25.


Que há uma boa dose de ódio no mundo é inegável.


Indivíduos, grupos sociais e nações expressam abertamente e manifestam o seu ódio de uns pelos outros. Os homens odeiam um ao outro pelo amor ao dinheiro, ganância e cobiça, ambição pessoal e desejo de poder, inveja e vingança. E a Escritura nos ensina que a raiz mais profunda de todo o ódio entre os homens é inimizade contra Deus.


Assim como o amor de um pelo outro é principalmente amor a Deus, o ódio dos homens de uns pelos outros não é senão a expressão de seu ódio a Deus. No entanto, o pecador é relutante em admitir isso. Ele entende que admitir que o seu ódio ao próximo é, principalmente, o ódio a Deus, é a sua condenação. Assim, ele tenta justificar-se. Ele encontra um motivo de seu ódio, e a causa é sempre o próximo que ele odeia.

Seu vizinho é mau, tem-no prejudicado, é um opressor dos pobres, é ávido de ganho e ambicioso de poder, um tirano cruel e assassino, alguém que não deverá ter lugar numa sociedade decente, e que deveria, portanto, ser destruído. E assim ele tenta encontrar uma justa causa do seu ódio, e apresentá-lo à luz da justa indignação.

Também não é muito difícil para o homem se enganar a si mesmo, e descobrir uma causa que justifique no seu próximo para o seu ódio contra ele, num mundo de homens que as Sagradas Escrituras expressam na sentença:

"que todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um justo, nem sequer um; Não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis, não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto, com as suas línguas tratam enganosamente; veneno de víboras está nos seus lábios, cuja boca é cheia de maldição e amargura. Os seus pés são velozes para derramar sangue, destruição e miséria estão em seus caminhos; E o caminho da paz não conheceram; Não há temor de Deus diante de seus olhos." Rom. 3:9-18.

Em tal mundo, não deveria ser difícil encontrar a causa do ódio de alguém ao seu próximo no seu próprio próximo, e assim, justificar-se a si mesmo perante o tribunal do Homem e do Deus do homem! No entanto, este estado de coisas pode não prevalecer. Não pode ser definitivo e final. Deus deve estar justificado quando Ele julga, e todos os homens devem ser achados mentirosos. Todas as desculpas possíveis devem ser tiradas deles. Eles devem ser deixados sem nenhuma desculpa. Toda a aparente bondade e justiça e até mesmo piedade e religiosidade deve ser exposto como fundamentalmente maldade e inimizade contra Deus. As brancas sepulturas devem ser abertas, e os fedorentos e podres ossos de homens mortos devem ser revelados. Deve ser providenciada uma situação em que o pecador deve confessar que ele odeia sem uma causa, isto é, que o seu ódio não tem outra causa que não seja a sua própria inimizade contra Deus, e que, portanto, ele está irremediável e absolutamente condenado perante o tribunal de Deus.


E esta situação é criada quando o próprio Filho de Deus torna-se semelhante aos homens, e habita entre nós, na semelhança da carne pecaminosa. O Filho de Deus torna-se o Filho do homem! Deus torna-se o próximo do homem! Ele vive com eles, Ele caminha entre eles e lhes fala na sua própria língua, ele entra em suas casas e anda em suas ruas, ele come e bebe com eles, e senta-se em suas festas, Ele atende seus casamentos e seus funerais, Ele entra nos seus aposentos de convalescença e está em seus leitos de morte, ele canta e chora com eles: Ele é o Filho do homem, o próximo de todos!


Aqui, então, os homens têm a oportunidade de provar que não odeiam a menos que o seu ódio do próximo tenha uma causa, é justificado. Porque Cristo, o Filho de Deus, na semelhança da carne do pecado, o Filho do homem, é o próximo perfeito. Ele não é de modo algum abrangido pela condenação da passagem do terceiro capítulo de Romanos que acabamos de citar. Ele veio a nós de fora, mesmo sendo Ele carne da nossa carne e sangue do nosso sangue. Pois, embora Ele é nascido de uma mulher, Ele foi concebido do Espírito Santo, sem a vontade do homem. A Pessoa do Filho de Deus em carne humana é sem pecado, separado dos pecadores, apesar dEle se ter tornado seu próximo, santo e imaculado. Ele é o próximo perfeito!


Certamente, nEle os homens olham em vão pela causa de seu ódio. Nenhum pecado foi encontrado nEle, não há dolo encontrado em sua boca. Certamente que, se o ódio do homem ao próximo é sempre, ou normalmente, provocado por uma causa justificadora no próximo, eles não vão, eles não podem odiar este Filho do Homem. Se O odeiam, eles se expõem como mentirosos, e como inimigos de Deus. No entanto, assim foi. Pois este próprio Filho do homem se queixa, alegando a sua causa perante a face de Deus: "Eles odiaram-me sem causa".


Foi na noite em que o nosso Salvador foi traído, na própria véspera da hora quando a fúria infernal deste ódio sem causa que iria condená-Lo à morte, e pregá-Lo na árvore maldita. Ou Ele ainda estava no Cenáculo em Jerusalém, onde Ele tinha comido a última Páscoa com seus discípulos, ou eles já estavam a caminho do Getsêmani. E estes últimos momentos da sua permanência na Terra, ele presta valioso conforto instruindo os seus discípulos e orando por eles. Ele avisa que o mundo irá odiá-los, e persegui-los, explicando ao mesmo tempo que este ódio contra eles será realmente dirigido contra Ele.


Pois, assim, Ele se dirige a eles: "Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. Se eu não viera e não lhes falara, não teriam pecado; agora, porém, não têm desculpa do seu pecado. Aquele que me odeia a mim, odeia também a meu Pai. Se eu entre eles não tivesse feito tais obras, quais nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora, não somente viram, mas também odiaram tanto a mim como a meu Pai. Mas isto é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa." João 15:21-25.


Não podemos ignorar o facto de que o Salvador está aqui a citar o Velho Testamento, que ele designa pela expressão "sua lei". As palavras ocorrem literalmente nos Salmos. No Salmo 35:19 lemos: "Não se alegrem sobre mim os que são meus inimigos sem razão, nem pisquem os olhos aqueles que me odeiam sem causa." Mas a referência é, talvez, especialmente para aquele especificamente messiânico Salmo 69, no quarto verso em que lemos: "Aqueles que me odeiam sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça;"


Se o eunuco etíope tivesse lido estas palavras, ele, sem dúvida, teria feito a mesma pergunta que surgiu na sua mente quando ele ponderava as palavras de Isaías 53: "De quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro homem?" Pois é evidente que o salmista também, e mesmo em primeiro lugar, fala de si mesmo. Ele fala na primeira pessoa. Ele se queixa perante a face de Deus de seu próprio sofrimento. Ele é aquele cujos inimigos são mais do que os cabelos da sua cabeça, odeiam-no sem causa, e buscam a sua destruição. Mais ainda, sabemos que o Espírito Santo inspirou o salmista a compor esta canção, não apenas para si, mas para a Igreja do Velho Testamento, a fim de que eles também pudessem tomá-la em seus lábios, torná-la sua própria, e queixarem-se do seu próprio sofrimento, e de seus inimigos que os odiavam sem causa. Tudo isto foi séculos antes da vinda de Cristo. No entanto, centenas de anos mais tarde, o Salvador declara que estas palavras fazem referência a Ele, e que têm o seu cumprimento nEle.


O que significa? E como isto é possível? Existe apenas uma resposta a esta questão: é o próprio Cristo que é o tema central também no trigésimo quinto e no sexagésimo nono Salmos, e em toda a Lei e os Profetas da antiga dispensação. Era Ele que estava em todos os santos da antiga dispensação, e que se tornou manifesto neles, em suas palavras e andar no meio do mundo. Ele estava nos profetas, sacerdotes e reis de Israel, e em todos os santos, toda a Igreja, representada por eles, e em todo o povo de Deus da velha dispensação, até mesmo desde o começo do mundo. E como Ele se manifestava neles, Ele sempre foi odiado sem causa. O cordeiro é morto desde a fundação do mundo. E somente na medida em que Cristo estava neles, e era revelado em suas palavras e conversas, em toda a sua vida e modo de andar no meio de um mundo impiedoso, poderiam eles se queixar com o salmista do Salmo 69: "Os que me odeiam sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça."

Eles eram odiados assim, mas apenas como representantes de Cristo. Eles sofreram e foram perseguidos, mas apenas porque Cristo estava neles. Eles eram constantemente fustigados por inimigos que visavam a sua destruição, mas só porque eles foram feitos para representar a causa do Filho de Deus no meio do mundo. Em Seu povo, Cristo foi odiado desde o começo do mundo, e ao longo dos séculos da antiga dispensação, até que este ódio sem causa foi finalmente cumprido completamente na plenitude dos tempos, quando o Filho de Deus caminhou entre nós em semelhança da carne pecaminosa.

Deste sofrimento de Cristo em seus santos, deste ódio sem causa, atesta o sangue de todos os justos. É deste ódio que Abel, depois de morto, ainda fala, porque ele ofereceu um sacrifício melhor do que Caim, assim testemunhando de Cristo, e ele foi morto porque ele era justo e o seu irmão perverso.


Deste ódio sabia Henoch, que testemunhou contra o mundo ímpio dos seus dias, e teve o testemunho de que agradara a Deus, a quem procuravam para matar, mas não conseguiram encontrá-lo, porque Deus o tinha transladado. E toda a Igreja pré-diluviana estava familiarizada com a fúria deste ódio, e que, humanamente falando, teria sido destruída, não os tivesse Deus salvo pelas águas do dilúvio.


Esse ódio sem causa foi dirigido contra o povo de Israel na casa do cativeiro no Egipto, quando Moisés escolheu sofrer aflição com o povo de Deus em vez de ser chamado filho da filha de Faraó, e desfrutar dos prazeres do pecado por um tempo, tendo o vitupério de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egipto.


E através de toda a sua história, o povo de Israel, no deserto, na sua própria terra de Canaã, na Babilónia, e após o seu regresso, eram objecto deste ódio furioso e sem sentido. Ainda mais. Mesmo dentro da nação de Israel este ódio foi revelado, e se expressou mais furioso e maldoso do que em qualquer outro lugar. Porque sempre a semente carnal odeia e persegue a semente espiritual. Eles mataram os profetas, e apedrejaram os que foram enviados a eles por Deus. E assim, alguns "experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões. Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra." Hb 11:36-38.


Não admira que eles pudessem cantar com o salmista: "Salva-me, ó Deus, pois as águas entraram até a minha alma! Atolei-me em profundo lamaçal, onde não há pé; entrei em águas profundas, onde a corrente me leva. Estou cansado do meu choro; minha garganta está seca: os meus olhos desfalecem, esperando por meu Deus. Aqueles que me odeiam sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça; aqueles que procuram destruir-me, sendo injustamente meus inimigos, são poderosos (v.1-4) ... Porque por amor de ti tenho suportado afrontas (v.7); a confusão cobriu o rosto."


"Por amor de ti!" Na verdade, esse ódio sem causa era dirigido contra o Cristo neles, e manifesto através deles!


E, no entanto, esta palavra não foi cumprida neles. Pois, em primeiro lugar, no caso deles, os inimigos ainda podiam encontrar uma desculpa, uma causa que parecesse justificar o seu ódio cruel. Mesmo eles lutando pela causa de Cristo, e sofrendo por Sua causa, eles não eram perfeitos. O inimigo podia facilmente encontrar e apontar para a iniquidade neles, e afirmar que eles eram dignos de destruição. Como seria fácil para o inimigo de Cristo descobrir um pretexto para o ódio contra um homem como David, o cantor de Israel, o próprio que se queixa de seu ser odiado sem causa no Salmo 69! Não era ele um adúltero e assassino, e não pôs ele toda a nação sofrer por causa de seu orgulho? Não, não poderia tornar-se manifesto plenamente neles, que eles eram odiados sem causa. E, além disso, o seu sofrimento não preencheu a medida. Nem sempre eles sofriam. Ocasionalmente, eles até chegaram a ocupar posições de poder e honra. Eles não foram uniformemente odiados. A palavra, portanto, que foi escrita na sua lei aguardava o seu cumprimento.


E cumprido foi em Cristo! Totalmente sem causa foi Ele odiado. Nunca poderia o inimigo encontrar uma causa para o ódio nEle, uma causa que justificasse, ou sequer parecesse justificar seu ódio perante o tribunal de Deus. Ele era o Filho de Deus em carne humana. Ele era a perfeita revelação do Pai. Ele sempre representou a causa de Deus. Ele testemunhou sempre Dele. Nunca foi encontrado pecado em Sua pessoa. Ele podia ficar no meio de seus inimigos, e desafiá-los: "Qual de vós pode acusar-me de pecado?" Tão sem pecado, tão imaculado, tão perfeito era Ele, que, embora fossem sempre procurando ocasiões para matá-lo, nunca conseguiam encontrar uma razão. Tão imaculadamente puro era Ele, que mesmo quando O fizeram prisioneiro, e julgaram-nO nos seus tribunais, todas as suas tentativas de encontrar testemunho contra ele fracassaram totalmente, e o governador romano foi repetidamente forçado a admitir que não encontrava nenhuma causa de morte nEle de modo nenhum. Sempre Ele fez bem. Nem nunca Ele ocupou ou pretendeu ocupar uma posição de poder e glória no mundo, que pudesse oferecer uma ocasião de malícia e inveja aos adversários. Ele era o mais humilde entre os humildes. Ele não tinha lugar onde reclinar a cabeça!


No entanto, como eles O odiavam! Ninguém jamais foi odiado como Ele!


Seus inimigos eram, de fato, mais do que os cabelos da cabeça. Constantemente procuravam destruí-Lo. E quando finalmente parecia terem sucedido em seus planos malignos, a sua fúria não conheceu limites. Era como se o seu ódio não pudesse ser saciado. Eles zombavam dEle, maltrataram-nO de todas as maneiras possíveis, exigiram a morte mais vergonhosa e cruel que pudessem pensar para Ele, e mesmo quando eles O pregaram à árvore maldita, continuaram a enchê-Lo com reprovação!


Sem uma causa? Não existe então uma resposta para a pergunta: Porque O odiaram com tanta fúria? Oh, sim! Ouça, Ele mesmo dá a resposta: "Aquele que me odeia a mim, odeia também a meu Pai". E ainda: " mas agora, não somente viram, mas também odiaram tanto a mim como a meu Pai." João 15:23, 24. Que todo o nosso ódio é revelado como o ódio a Deus – isso é o significado da cruz.

Mas quem são esses inimigos que tão cruelmente e perversamente O odeiam? O texto diz simplesmente: "Eles". Mas isto não é muito indefinido? Alguém que faz uma acusação tão grave, e que, também, perante a face de Deus, não menciona os seus inimigos pelo nome? Neste caso, isso é supérfluo. "Eles" é bastante suficiente. Significa homens, apenas homens, homens de todas as classes e posições, todos os homens, sem excepção. Essa cruz significa que você e eu O odiámos sem causa, e que somos inimigos de Deus, que destruiríamos o próprio Deus, se pudéssemos!


E então? Devemos abordar essa cruz para ter pena do Crucificado, e para lançar uma piedosa lágrima de auto-justiça? Não permita Deus! Mas a única maneira boa, a única coisa possível de fazer é prostrar-nos a nós próprios diante da cruz, sob a poderosa mão do juízo de Deus, e confessar incondicionalmente e sem reservas, que odiávamos a ambos, Ele e seu Pai!

Mas não estamos absolutamente perdidos, e não assinamos a nossa própria condenação, se fizermos isso? Deve esta, então, ser a nossa última palavra? Graças sejam dadas a Deus, porque não! Pois, ouça! Se pela graça de Deus, você assim assinar a sua própria condenação, Deus certamente irá justificar a você! Porque o Filho do homem, a quem vós crucificastes, fez dessa cruz o altar de Deus e no amor insondável, Ele suportou a culpa do seu ódio, e tirou-a para sempre! E, portanto, naquela cruz você também pode clamar: "Ó Deus, sê propício a mim, um pecador!" e regressar a sua casa, limpo de pecado, e justificado para sempre!

Fonte (original): When I Survey, Book 3, Chapter 2, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, pp. 211-218.

Fonte secundária: http://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_hatedwithoutcause.htm

A maldição da culpa

"Satanás usa a culpa decorrente desses pecados para extirpar todo sonho radical que a pessoa teve ou poderia vir a ter."


Por John Piper

Em 26 anos de pastorado, o mais perto que eu havia chegado de ser demitido da Igreja Batista Bethlehem foi em meados da década de 1980, depois de escrever um artigo intitulado Missões e masturbação para nosso boletim. Eu o escrevi ao voltar de uma conferência sobre missões presidida por George Verwer, presidente da Operação Mobilização. No evento ele disse como seu coração pesava pelo imenso número de jovens que sonhavam em obedecer completamente a Jesus, mas que acabavam se perdendo na inutilidade da prosperidade americana. A sensação constante de culpa e indignidade por causa de erros sexuais dava lugar, pouco a pouco, à falta de poder espiritual e ao beco sem saída da segurança e conforto da classe média.




Em outras palavras, o que George Verwer considerava trágico – e eu também considero – é que tantos jovens abandonem a causa da missão de Cristo porque ninguém lhes ensinou como lidar com a culpa que se segue ao pecado sexual. O problema vai além de não cair; a questão é como lidar com a queda para que ela não leve toda uma vida para o desperdício da mediocridade. A grande tragédia não são práticas como a masturbação ou a fornicação, e nem a pornografia. A tragédia é que Satanás usa a culpa decorrente desses pecados para extirpar todo sonho radical que a pessoa teve ou poderia vir a ter. Em vez disso, o diabo oferece uma vida feliz, certa e segura, com prazeres superficiais, até que a pessoa morra em sua cadeira de balanço, em um chalé à beira de um lago.



Hoje de manhã mesmo, Satanás pegou seu encontro das duas da manhã – seja na televisão ou na cama – e lhe disse: “Viu? Você é um derrotado. O melhor é nem adorar a Deus. Você jamais conseguirá fazer um compromisso sério para entregar sua vida a Jesus Cristo! É melhor arrumar um bom emprego, comprar uma televisão de tela plana bem grande e assistir o máximo de filmes pornográficos que agüentar”. Portanto, é preciso tirar essa arma da mão dele. Sim, claro que quero que você tenha a coragem maravilhosa de parar de percorrer os canais de televisão. Porém, mais cedo ou mais tarde, seja nesse pecado ou em outro, você vai cair. Quero ajudá-lo a lidar com a culpa e o fracasso, para que Satanás não os use para produzir mais uma vida desperdiçada.


Cristo realizou uma obra na história, antes de existirmos, que conquistou e garantiu nosso resgate e a transformação de todos que confiarem nele. A característica distintiva e crucial da salvação cristã é que seu autor, Jesus, a realizou por completo fora de nós, sem nossa ajuda. Quando colocamos nele a fé, nada acrescentamos à suficiência do que fez ao cobrir nossos pecados e alcançar a justiça que é considerada nossa. Os versículos bíblicos que apontam isso com mais clareza estão na epístola de Paulo aos Colossenses 2.13-14: “Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões e cancelou o escrito de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz”.



É preciso pensar bem nisso para entender plenamente a mais gloriosa de todas as verdades: Deus pegou o registro de todos os seus pecados – todos os erros de natureza sexual – que deixavam você exposto à ira. Em vez de esfregar o registro em seu rosto e usá-lo como prova para mandar você para o inferno, Deus o colocou na mão de Seu filho e pregou na Cruz. E quem são aqueles cujos pecados foram punidos na cruz? Todos que desistem de tentar salvar a si mesmos e confiam apenas em Cristo. E quem assumiu essa punição? Jesus. Essa substituição foi a chave para a nossa salvação.



Alguma vez você já parou para pensar no que significa Colossenses 2.15? Logo depois de afirmar que Deus pregou na cruz o registro de nossa dívida, Paulo escreve que o Senhor, “tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz”. Ele se refere ao diabo e seus exércitos de demônios. Mas como são desarmados? Como são derrotados? Eles possuem muitas armas, mas perdem a única que pode nos condenar – a arma do pecado não perdoado. Deus pregou nossas culpas na cruz. Logo, houve punição por elas – então, seus efeitos acabaram! O problema é que muitos percebem tão pouco da beleza de Cristo na salvação que o Evangelho lhes parece apenas uma licença para pecar. Se tudo que você enxerga na cruz de Jesus é um salvo-conduto para continuar pecando, então você não possui a fé que salva. Precisa se prostrar e implorar a Deus para abrir seus olhos para ver a atraente glória de Jesus Cristo.

Culpa corajosa – A fé que salva recebe Jesus como Salvador e Senhor e faz dele o maior tesouro da vida. Essa fé lutará contra qualquer coisa que se coloque entre o indivíduo salvo e Cristo. Sua marca característica não é a perfeição, nem a ausência de pecados. Quem enxerga na cruz uma licença para continuar pecando não possui a fé que salva. A marca da fé é a luta contra o pecado. A justificação se relaciona estreitamente com a obra de Deus pregando nossos pecados na cruz. Justificação é o ato pelo qual o Senhor nos declara não apenas perdoados por causa da obra de Cristo, mas também justos mediante ela. Cristo levou nosso castigo e realiza nossa retidão. Quando o recebemos como Salvador e Senhor, todo o castigo que ele sofreu, e toda sua retidão, são computados como nossos. E essa justificação vence o pecado.



Possuímos uma arma poderosa para combater o diabo quando sabemos que o castigo por nossas transgressões foi integralmente cumprido em Cristo. Devemos nos apegar com força a essa verdade, usando-a quando o inimigo nos acusar pelas nossas faltas. O texto de Miquéias 7.8-9 apresenta o que devemos lhe dizer quando ele zombar de nossa aparente derrota: “Não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei (...) Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa e execute o meu direito”. É uma espécie de “culpa corajosa” – o crente admite que errou e que Deus está tratando seriamente com ele. Mas, mesmo em disciplina, não se afasta da bendita verdade de que tem o Senhor ao seu lado!


Há vitória na manhã seguinte ao fracasso! Precisamos aprender a responder ao diabo ou a qualquer um que nos diga que o Senhor não poderá nos usar porque pecamos. “Ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei”, frisou o profeta. “Embora eu esteja morando nas trevas, o Senhor será a minha luz.” Sim, podemos estar nas trevas da iniqüidade; podemos sentir culpa, porque somos, realmente, culpados pelo nosso pecado. Mas isso não é toda a verdade sobre o nosso Deus. O mesmo Deus que faz nossa escuridão é a luz que nos apóia em meio às trevas. O Senhor não nos abandonará; antes, defenderá a nossa causa.



Quando aprendermos a lidar com a culpa oriunda de nossos erros com esse tipo de ousadia em quebrantamento, fundamentados na justificação pela fé e na expiação substitutiva que Cristo promoveu por nós, seremos não apenas mais resistentes ao diabo como cometeremos menos falhas contra o Senhor. E, acima de tudo, Satanás não será capaz de destruir nosso sonho de viver uma vida em obediência radical a Jesus e de serviço à sua obra.



John Piper é escritor e pastor da Bethlehem

Baptist Church, em Minneapolis (EUA)

O Evangelho segundo o SexxxChurch

Crentes montam ministério virtual para combater a pornografia sem recorrer ao moralismo.

Por Marcelo Brasileiro

“Eu levo uma vida dupla. Sou pastor em período integral, mas na maior parte do tempo fico sozinho no escritório da igreja, baixando vídeos pornô na internet. Sinto-me simplesmente incapaz de conter isso”. A confissão, contundente em sua sinceridade, está na página virtual do ministério SexxxChurch (www.sexxxcurch.com), uma iniciativa que mistura muita originalidade, uma boa dose de ousadia e alguma polêmica. O site se propõe a socorrer almas perdidas no universo da pornografia, uma cadeia que a cada dia prende mais pessoas, inclusive crentes. Pelo menos um em cada dez evangélicos tem coragem de assumir problemas nesta área. Contudo, a quantidade deve ser bem maior, já que o receio dos efeitos de uma confissão perante a família e a igreja faz com que muitos prefiram ocultar o desvio de comportamento.

 

Mantido por uma equipe ligada à Igreja Projeto 242, uma comunidade evangélica que fica no centro da cidade de São Paulo, o SexxxChurch não foi feito para crentes, já que tinha uma proposta evangelística. Mas em pouco tempo percebeu-se que a demanda principal estava situada do lado oposto da trincheira. “A maioria dos e-mails que recebíamos eram de pessoas que se identificavam como cristãos, membros de igrejas ou líderes, e que tinham enormes problemas com o vício da pornografia”, relata João Mossadihj, 25 anos, conhecido como Jota, um dos idealizadores da página deste ministério evangélico nada ortodoxo.


Em pouco tempo, a idéia transcendeu o ambiente virtual. Praticamente todo fim de semana, o grupo da 242 visita alguma igreja com o projeto Pornix, voltado a palestras sobre sexualidade e pornografia. A procura pelo serviço é grande, o que demonstra a extensão do problema nos arraiais evangélicos. Mas o ministério também costuma evangelizar em regiões como a da Rua Augusta, no centro da capital paulista, conhecido reduto de prostíbulos. SexxxChurch também marca presença na Parada Gay, ostentando camisetas com dizeres como “Jesus ama os atores pornôs”. Numa demonstração prática do conselho de Paulo, que recomendou que os cristãos fizessem de tudo para, de alguma forma, ganhar alguns, a equipe já faz planos para alugar um estande na Erótika Fair, feira especializada do mercado erótico que acontece em outubro em São Paulo. O evento é uma prova do gigantismo de um setor que movimenta cerca de 500 milhões de reais ao ano apenas no Brasil – no mundo, são 60 bilhões de dólares anuais. “Vamos distribuir bíblias estilizadas durante a feira”, planeja Jota.


Mas é mesmo no mundo virtual que o SexxxChurch alcança números estratosféricos. Segundo Jota, são 600 mil acessos mensais e duzentos e-mails por dia. As mensagens são enviadas por gente nas mais diversas situações – algumas fazem confissões das mais indecorosas possíveis. No entanto, apenas 10% das mensagens são respondidas, contabiliza a psicóloga Sâmara Gabriela Baggio, 28, que acompanha boa parte desses casos. “Nós ouvimos e estabelecemos metas para a recuperação. Mas, para isso, é preciso que o viciado esteja realmente arrependido”, destaca a terapeuta. Para ela, não há limite seguro para o consumo de pornografia. “A partir do momento que uma pessoa entra em contato com isso, as imagens recebidas ou geradas na mente alimentam fantasias. Não demorará muito para que se tente colocar em prática tudo o que foi visto e fantasiado”, opina.


Dízimo e revistas pornô – O ministério direcionado a quem se sente escravo da pornografia foi inspirado no trabalho do pastor norte-americano Craig Gross, de 32 anos. Sua trajetória é semelhante à de boa parte das pessoas que ele decidiu ajudar. Craig era um jovem cristão que dividia seu dinheiro entre os dízimos e ofertas na igreja e as revistas pornográficas nas bancas. Ordenado pela igreja East Side Christian, em Fullerton, na Califórnia, ele criou a XXXChurch em 2002. A diferença entre ele e muitos outros pastores que sacodem suas bíblias no ar, esbravejando contra toda forma de imoralidade, está justamente no seu modus operandi. Craig, que se autodenomina “pornopastor”, abomina as abordagens moralistas, que já prenunciaram a queda de populares televangelistas de seu país. É amigo do americano Ron Jeremy Hyatt, que vem a ser o principal ator e diretor de filmes pornô do mundo, com quem divide as bancadas de auditórios e igrejas para debates muitas vezes acalorados.


Alheio às críticas que costuma receber de muitos setores da Igreja Evangélica, sobretudo por conta de alguns conteúdos mais apimentados veiculados no site, Craig caminha com desenvoltura pelo submundo da pornografia. Dirige uma van estilizada com adesivos e adereços que lembram uma propaganda de site pornográfico. O “Porn Mobile”, como é chamado o veículo, já gerou até tumulto ao ser estacionado em frente a uma igreja evangélica. “A pornografia está conduzindo muita gente a um beco sem saída”, costuma dizer em suas pregações.


“Desde que conheci o trabalho de Craig Gross, fiquei empolgado e tentei contagiar o pessoal da igreja”, relata o pastor Sandro Ricardo Baggio, 40. Ministro ordenado pela Igreja do Evangelho Quadrangular, ele coordena o Projeto 242. Baggio animou-se com a possibilidade de falar sobre sexualidade na igreja, onde o tema normalmente é deixado de lado. “Já fazíamos isso em nossa comunidade local, mas não via ninguém falando sobre temas assim nas igrejas”, conta.


Dos planos à ação foi um pulo. No ambiente alternativo do Projeto 242 – uma congregação que reúne músicos, grafiteiros, designers e gente que faz da criatividade um veículo para a disseminação do Evangelho –, a idéia germinou depressa. “A curiosidade existe e faz parte do ser humano. Em algum momento da vida, toda pessoa se torna curiosa em relação ao sexo”, comenta Baggio. “Quando essa demanda não é atendida na família e na igreja, a informação acaba vindo de outros lugares. É aí que se abrem as portas à pornografia.” Ele conta que já aconselhou muitos casais crentes com problemas conjugais devido ao vício de um dos cônjuges, ou de ambos, em material pornográfico. “Alguns até se separaram”, lamenta.


Big Brother do bem – Um dos serviços disponibilizados aos usuários é um programa de computador chamado X3Watch, disponível para downloadgratuito. “É um software que possibilita a qualquer um – o cônjuge, o amigo ou até o pastor – fazer o cadastro de uma pessoa próxima, passando a receber um e-mail com um relatório mensal sobre os sites que foram acessados por ela”, explica o pastor. A idéia, que poderia até chocar muita gente, é uma espécie de Big Brother do bem, possibilitando um acompanhamento do viciado, ajudando-o a superar a dependência da pornografia. “Isso ajuda no processo de fuga dessa compulsão Um dos passos fundamentais do processo é justamente admitir a fraqueza”, comenta Baggio.


Reconhecer o gosto pela pornografia é justamente o maior drama para quem freqüenta uma igreja evangélica. “Por não se falar sobre sexualidade, a igreja torna-se num lugar de intolerância. As pessoas preferem esconder suas dificuldades ao invés de procurar ajuda”, analisa o pastor. De acordo com Sâmara, o perfil dos internautas que enviam perguntas e pedem ajuda é de jovens evangélicos, com idade de 15 a 30 anos. “São pessoas que alimentaram, desde muito tempo, o vício da masturbação e do envolvimento com material pornográfico como filmes, contos eróticos, revistas e sites pornôs”, explica.


Quando a situação está fora de controle, é comum que a conversa saia do computador e vá para o divã. “A maioria dos casos atendidos gira em torno de lutas na esfera homossexual e da conduta cristã”, conta a psicóloga. Ela diz ainda que muitas pessoas justificam suas ações e inclinações pela pornografia devido a problemas no passado – principalmente, episódios de abuso sexual infantil. “Mas é preciso deixar as justificativas de lado e caminhar na direção da libertação.” Para ela, os efeitos da pornografia são devastadores, com reflexos no ambiente de trabalho, na vida social e nos relacionamentos pessoais. “Nos casos mais graves, pode-se chegar a extremos, como a prática de crimes sexuais como a pedofilia”, alerta.


Drama brasileiro


Uma pesquisa realizada pela empresa de tecnologia Symantec, no inicio deste ano, investigou os hábitos de sete mil internautas em países como Alemanha, Austrália, China, Estados Unidos e Japão, além do Brasil. E os resultados foram preocupantes, sobretudo por aqui – é no Brasil que mais se acessa sites com conteúdo pornográfico. De acordo com o levantamento, 55% dos internautas brasileiros visitam regularmente ou pelo menos já acessaram páginas do gênero. Além disso, o país está em terceiro no ranking de usuários que visitam sites de pornografia infantil e na vice-liderança quando o assunto é a produção de filmes da produção de filmes pornô.

Espécie de irmã gêmea da pornografia, a pedofilia é um drama da sociedade brasileira. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, presidida pelo senador Magno Malta, que é evangélico, tem ajudado a desbaratar quadrilhas que fazem exploração sexual de crianças. Em conjunto com a Operação Carrossel, da Polícia Federal, já foram identificados 200 suspeitos de pedofilia. Nas páginas do Orkut, comunidade de relacionamento da internet, mais de três mil cadastros foram quebrados sob suspeita de abrigarem pedófilos.


Abalos no púlpito


Nos anos 1980, ele era considerado um paladino da moral e dos bons costumes. O pastor Jimmy Swaggart, um dos mais importantes televangelistas americanos, fazia de seus programas, transmitidos para mais de 40 países – inclusive o Brasil –, uma verdadeira trincheira na luta contra a carnalidade. Pregador eloqüente e carismático, Swaggart reunia famílias inteiras diante da TV e era crítico contundente da pornografia. Ironicamente, caiu justamente por causa dela, num episódio rumoroso envolvendo prostitutas e uma disputa pessoal com o também pregador televisivo Jimmy Baker. Proprietário do canal de televisão PTL (Pray the Lord), com 12 milhões de telespectadores apenas nos Estados Unidos, Baker acabou se tornando um rival de Swaggart. Tudo ruiu quando fotos suas, acompanhado de garotas de programa, chegaram à imprensa. Na época, atribui-se o vazamento das imagens a Swaggart.

O troco não demorou. Um detetive particular contratado por Bakker não teve muito trabalho para fotografar Swaggart diante de um motel, com o carro cheio de prostitutas. Sem saída, ele confessou que pagava para que elas fizessem strip-tease para ele. Perdoado pela mulher, Francis, ele foi à tevê, chorou e confessou-se arrependido pelo ato. Contudo, sua reputação e ministério foram irremediavelmente abalados.

No fim de 2006, outro escândalo sexual abalou a Igreja Evangélica dos Estados Unidos. Eleito pela revista Time como um dos 25 principais líderes cristãos do país, Ted Haggard admitiu consumir material pornográfico e o envolvimento sexual com um garoto de programa, que o denunciara publicamente. O caso provocou maior espanto porque Haggard era uma das principais vozes contra o homossexualismo.


Quem recentemente também admitiu problemas com o chamado mercado de “conteúdo adulto” foi o pastor australiano Mike Guglielmucci, do ministério Hillsong. Ele confessou, após dois anos declarando-se vítima de um câncer terminal – chegou até mesmo cantar com o auxilio de um tubo de oxigênio –, que sua única doença era o vício em pornografia. A farsa gerou um tremendo mal-estar no badalado grupo de louvor australiano. “Eu sou assim, viciado nesta coisa. Ela consome minha mente”, disse, em entrevista a um canal de tevê.



Números da pornografia na internet· 68 milhões de pessoas acessam sites pornográficos no mundo, todos os dias


· 42% dos internautas freqüentam sites pornográficos e conteúdos relacionados
· 500 milhõesde reais são faturados por ano, no Brasil, com pornografia
· 2,5 bilhões é a quantidade de e-mails com conteúdo pornográfico enviados por dia
· 60 bilhões de dólares anuais é o que rende o mercado pornô em todo o mundo

FONTE: Cristianismo Hoje