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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Entre a sinagoga e o areópago

Hoje, muitas igrejas observam formatos litúrgicos que foram desenvolvidos ao longo dos anos para agradar seus membros, mas se esquecem dos sem Cristo.

Há algumas semanas, uma revista de grande circulação no país publicou reportagem de capa intitulada A nova reforma protestante. Entre várias opiniões, citações e ideias de diversas pessoas expressas no texto, foi mencionado algo que acontece na igreja que pastoreio: “Os sermões são chamados, apropriadamente, de palestras e são ministrados com recursos multimídia por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Veríssimo ou uma música de Chico Buarque de Holanda”. Não é preciso dizer que alguns manifestaram indignação com o que foi dito na matéria. Já imaginou, disseram, um pregador sentado em banquinho? E como pode alguém fazer uso de idéias “pagãs” para elucidar um conceito sagrado? Que irreverência!

O que algumas pessoas que pensam assim não percebem é que há tanto tempo se encontram enclausuradas num modelo cultural de ser igreja que não conseguem mais distinguir entre o que é princípio bíblico e o que é modelo cultural construído ao longo dos anos. Por exemplo, pregar a Palavra de Deus com fidelidade é um princípio bíblico. Mas pregá-la de terno e gravata, atrás de um enorme e elevado púlpito de madeira, é um modelo cultural. Quem pensa assim passou a entender que a missão da Igreja é a manutenção das formas religiosas – sejam elas provenientes da cultura europeia do século 16 ou do caldo pop evangélico desenvolvido nas últimas décadas. E assim, a missão de comunicar o Evangelho àqueles que se encontram inseridos no mundo real tornou-se secundária ou esquecida.

Segundo Atos 2, Pedro, diante de uma multidão de judeus, pregou o Evangelho fazendo uso da cultura desenvolvida nas sinagogas judaicas. Desde o início de sua mensagem, o apóstolo afirma que iria “esclarecer” algumas coisas. Ou seja, ele não se propõe a apresentar algo novo, mas lançar novas luzes sobre tudo o que já conheciam. Citou profetas do Antigo Testamento, sem qualquer preocupação em explicar que foram aqueles homens do passado – afinal, seus ouvintes os conheciam e respeitavam. Além disso, termina usando um conceito judeu, ao apresentar Jesus como “o Cristo”. E, assim, presenciou três mil conversões.

Alguns capítulos adiante, lemos que Paulo, em Atenas, pregou para uma plateia formada pela elite pensante da época. Falou do mesmo Evangelho, mas em um formato bem diferente. Diante do areópago grego, começou perguntando o que se encontra na mente e no coração das pessoas. Em seguida, fez uso de conceitos que pertenciam à história e à cultura helênica, para só então apresentar o “Deus desconhecido”. O impacto da palavra de Paulo é impressionante! Alguns resistem fortemente, mas outros se rendem ao Evangelho.
O que aconteceria se Pedro fizesse sua famosa pregação do dia de Pentecostes no areópago de Atenas? Provavelmente, os atenienses o desprezariam, pois não entenderiam o discurso. Não faria qualquer sentido para eles citações do profeta Joel ou do rei Davi, pois tais personagens lhes eram absoltamente desconhecidos. E falar em um Cristo, figura que não pertencia à tradição ateniense, teria como resultado incompreensão ou indiferença. Por outro lado, um Paulo falando em “Deus desconhecido” diante de judeus na festa de Pentecostes provavelmente seria apedrejado. Os ouvintes ficariam indignados por ver conceitos pagãos sendo empregados em referência aos ensinos dos personagens do passado hebreu registrados nas Escrituras do Antigo Testamento.

Hoje, muitos cristãos e igrejas vivem inseridos na cultura da sinagoga. Observam formatos litúrgicos que foram desenvolvidos ao longo dos anos a fim de que todos os iniciados na fé sintam-se confortáveis. Na verdade, são conceitos e palavras perfeitamente compreensíveis àqueles que já participam do ambiente há muitos anos; tudo é feito tendo em vista este público interno, os iniciados que conhecem os símbolos suficientemente.

O grande problema é que vivemos no areópago. Assim, a Igreja que entende que a essência de sua missão é a comunicação do Evangelho aos que a cercam precisará aceitar o desafio de pregar perante o areópago. Isso, certamente, gerará certo desconforto aos iniciados, pois demandará mudanças, maior conhecimento e sensibilidade para com a cultura daqueles que queremos alcançar – e poderá, até mesmo, levar alguns pregadores a trocar os púlpitos por banquinhos, usar um MacBook ao lado da Bíblia e citar Luis Fernando Veríssimo e Chico Buarque de Holanda a fim de ajudar seus ouvintes a entender mais facilmente a mensagem da salvação.  

Autor: Ricardo Agreste
Fonte: Cristianismo Hoje

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Evangelho segundo o SexxxChurch

Crentes montam ministério virtual para combater a pornografia sem recorrer ao moralismo.

Por Marcelo Brasileiro

“Eu levo uma vida dupla. Sou pastor em período integral, mas na maior parte do tempo fico sozinho no escritório da igreja, baixando vídeos pornô na internet. Sinto-me simplesmente incapaz de conter isso”. A confissão, contundente em sua sinceridade, está na página virtual do ministério SexxxChurch (www.sexxxcurch.com), uma iniciativa que mistura muita originalidade, uma boa dose de ousadia e alguma polêmica. O site se propõe a socorrer almas perdidas no universo da pornografia, uma cadeia que a cada dia prende mais pessoas, inclusive crentes. Pelo menos um em cada dez evangélicos tem coragem de assumir problemas nesta área. Contudo, a quantidade deve ser bem maior, já que o receio dos efeitos de uma confissão perante a família e a igreja faz com que muitos prefiram ocultar o desvio de comportamento.

 

Mantido por uma equipe ligada à Igreja Projeto 242, uma comunidade evangélica que fica no centro da cidade de São Paulo, o SexxxChurch não foi feito para crentes, já que tinha uma proposta evangelística. Mas em pouco tempo percebeu-se que a demanda principal estava situada do lado oposto da trincheira. “A maioria dos e-mails que recebíamos eram de pessoas que se identificavam como cristãos, membros de igrejas ou líderes, e que tinham enormes problemas com o vício da pornografia”, relata João Mossadihj, 25 anos, conhecido como Jota, um dos idealizadores da página deste ministério evangélico nada ortodoxo.


Em pouco tempo, a idéia transcendeu o ambiente virtual. Praticamente todo fim de semana, o grupo da 242 visita alguma igreja com o projeto Pornix, voltado a palestras sobre sexualidade e pornografia. A procura pelo serviço é grande, o que demonstra a extensão do problema nos arraiais evangélicos. Mas o ministério também costuma evangelizar em regiões como a da Rua Augusta, no centro da capital paulista, conhecido reduto de prostíbulos. SexxxChurch também marca presença na Parada Gay, ostentando camisetas com dizeres como “Jesus ama os atores pornôs”. Numa demonstração prática do conselho de Paulo, que recomendou que os cristãos fizessem de tudo para, de alguma forma, ganhar alguns, a equipe já faz planos para alugar um estande na Erótika Fair, feira especializada do mercado erótico que acontece em outubro em São Paulo. O evento é uma prova do gigantismo de um setor que movimenta cerca de 500 milhões de reais ao ano apenas no Brasil – no mundo, são 60 bilhões de dólares anuais. “Vamos distribuir bíblias estilizadas durante a feira”, planeja Jota.


Mas é mesmo no mundo virtual que o SexxxChurch alcança números estratosféricos. Segundo Jota, são 600 mil acessos mensais e duzentos e-mails por dia. As mensagens são enviadas por gente nas mais diversas situações – algumas fazem confissões das mais indecorosas possíveis. No entanto, apenas 10% das mensagens são respondidas, contabiliza a psicóloga Sâmara Gabriela Baggio, 28, que acompanha boa parte desses casos. “Nós ouvimos e estabelecemos metas para a recuperação. Mas, para isso, é preciso que o viciado esteja realmente arrependido”, destaca a terapeuta. Para ela, não há limite seguro para o consumo de pornografia. “A partir do momento que uma pessoa entra em contato com isso, as imagens recebidas ou geradas na mente alimentam fantasias. Não demorará muito para que se tente colocar em prática tudo o que foi visto e fantasiado”, opina.


Dízimo e revistas pornô – O ministério direcionado a quem se sente escravo da pornografia foi inspirado no trabalho do pastor norte-americano Craig Gross, de 32 anos. Sua trajetória é semelhante à de boa parte das pessoas que ele decidiu ajudar. Craig era um jovem cristão que dividia seu dinheiro entre os dízimos e ofertas na igreja e as revistas pornográficas nas bancas. Ordenado pela igreja East Side Christian, em Fullerton, na Califórnia, ele criou a XXXChurch em 2002. A diferença entre ele e muitos outros pastores que sacodem suas bíblias no ar, esbravejando contra toda forma de imoralidade, está justamente no seu modus operandi. Craig, que se autodenomina “pornopastor”, abomina as abordagens moralistas, que já prenunciaram a queda de populares televangelistas de seu país. É amigo do americano Ron Jeremy Hyatt, que vem a ser o principal ator e diretor de filmes pornô do mundo, com quem divide as bancadas de auditórios e igrejas para debates muitas vezes acalorados.


Alheio às críticas que costuma receber de muitos setores da Igreja Evangélica, sobretudo por conta de alguns conteúdos mais apimentados veiculados no site, Craig caminha com desenvoltura pelo submundo da pornografia. Dirige uma van estilizada com adesivos e adereços que lembram uma propaganda de site pornográfico. O “Porn Mobile”, como é chamado o veículo, já gerou até tumulto ao ser estacionado em frente a uma igreja evangélica. “A pornografia está conduzindo muita gente a um beco sem saída”, costuma dizer em suas pregações.


“Desde que conheci o trabalho de Craig Gross, fiquei empolgado e tentei contagiar o pessoal da igreja”, relata o pastor Sandro Ricardo Baggio, 40. Ministro ordenado pela Igreja do Evangelho Quadrangular, ele coordena o Projeto 242. Baggio animou-se com a possibilidade de falar sobre sexualidade na igreja, onde o tema normalmente é deixado de lado. “Já fazíamos isso em nossa comunidade local, mas não via ninguém falando sobre temas assim nas igrejas”, conta.


Dos planos à ação foi um pulo. No ambiente alternativo do Projeto 242 – uma congregação que reúne músicos, grafiteiros, designers e gente que faz da criatividade um veículo para a disseminação do Evangelho –, a idéia germinou depressa. “A curiosidade existe e faz parte do ser humano. Em algum momento da vida, toda pessoa se torna curiosa em relação ao sexo”, comenta Baggio. “Quando essa demanda não é atendida na família e na igreja, a informação acaba vindo de outros lugares. É aí que se abrem as portas à pornografia.” Ele conta que já aconselhou muitos casais crentes com problemas conjugais devido ao vício de um dos cônjuges, ou de ambos, em material pornográfico. “Alguns até se separaram”, lamenta.


Big Brother do bem – Um dos serviços disponibilizados aos usuários é um programa de computador chamado X3Watch, disponível para downloadgratuito. “É um software que possibilita a qualquer um – o cônjuge, o amigo ou até o pastor – fazer o cadastro de uma pessoa próxima, passando a receber um e-mail com um relatório mensal sobre os sites que foram acessados por ela”, explica o pastor. A idéia, que poderia até chocar muita gente, é uma espécie de Big Brother do bem, possibilitando um acompanhamento do viciado, ajudando-o a superar a dependência da pornografia. “Isso ajuda no processo de fuga dessa compulsão Um dos passos fundamentais do processo é justamente admitir a fraqueza”, comenta Baggio.


Reconhecer o gosto pela pornografia é justamente o maior drama para quem freqüenta uma igreja evangélica. “Por não se falar sobre sexualidade, a igreja torna-se num lugar de intolerância. As pessoas preferem esconder suas dificuldades ao invés de procurar ajuda”, analisa o pastor. De acordo com Sâmara, o perfil dos internautas que enviam perguntas e pedem ajuda é de jovens evangélicos, com idade de 15 a 30 anos. “São pessoas que alimentaram, desde muito tempo, o vício da masturbação e do envolvimento com material pornográfico como filmes, contos eróticos, revistas e sites pornôs”, explica.


Quando a situação está fora de controle, é comum que a conversa saia do computador e vá para o divã. “A maioria dos casos atendidos gira em torno de lutas na esfera homossexual e da conduta cristã”, conta a psicóloga. Ela diz ainda que muitas pessoas justificam suas ações e inclinações pela pornografia devido a problemas no passado – principalmente, episódios de abuso sexual infantil. “Mas é preciso deixar as justificativas de lado e caminhar na direção da libertação.” Para ela, os efeitos da pornografia são devastadores, com reflexos no ambiente de trabalho, na vida social e nos relacionamentos pessoais. “Nos casos mais graves, pode-se chegar a extremos, como a prática de crimes sexuais como a pedofilia”, alerta.


Drama brasileiro


Uma pesquisa realizada pela empresa de tecnologia Symantec, no inicio deste ano, investigou os hábitos de sete mil internautas em países como Alemanha, Austrália, China, Estados Unidos e Japão, além do Brasil. E os resultados foram preocupantes, sobretudo por aqui – é no Brasil que mais se acessa sites com conteúdo pornográfico. De acordo com o levantamento, 55% dos internautas brasileiros visitam regularmente ou pelo menos já acessaram páginas do gênero. Além disso, o país está em terceiro no ranking de usuários que visitam sites de pornografia infantil e na vice-liderança quando o assunto é a produção de filmes da produção de filmes pornô.

Espécie de irmã gêmea da pornografia, a pedofilia é um drama da sociedade brasileira. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, presidida pelo senador Magno Malta, que é evangélico, tem ajudado a desbaratar quadrilhas que fazem exploração sexual de crianças. Em conjunto com a Operação Carrossel, da Polícia Federal, já foram identificados 200 suspeitos de pedofilia. Nas páginas do Orkut, comunidade de relacionamento da internet, mais de três mil cadastros foram quebrados sob suspeita de abrigarem pedófilos.


Abalos no púlpito


Nos anos 1980, ele era considerado um paladino da moral e dos bons costumes. O pastor Jimmy Swaggart, um dos mais importantes televangelistas americanos, fazia de seus programas, transmitidos para mais de 40 países – inclusive o Brasil –, uma verdadeira trincheira na luta contra a carnalidade. Pregador eloqüente e carismático, Swaggart reunia famílias inteiras diante da TV e era crítico contundente da pornografia. Ironicamente, caiu justamente por causa dela, num episódio rumoroso envolvendo prostitutas e uma disputa pessoal com o também pregador televisivo Jimmy Baker. Proprietário do canal de televisão PTL (Pray the Lord), com 12 milhões de telespectadores apenas nos Estados Unidos, Baker acabou se tornando um rival de Swaggart. Tudo ruiu quando fotos suas, acompanhado de garotas de programa, chegaram à imprensa. Na época, atribui-se o vazamento das imagens a Swaggart.

O troco não demorou. Um detetive particular contratado por Bakker não teve muito trabalho para fotografar Swaggart diante de um motel, com o carro cheio de prostitutas. Sem saída, ele confessou que pagava para que elas fizessem strip-tease para ele. Perdoado pela mulher, Francis, ele foi à tevê, chorou e confessou-se arrependido pelo ato. Contudo, sua reputação e ministério foram irremediavelmente abalados.

No fim de 2006, outro escândalo sexual abalou a Igreja Evangélica dos Estados Unidos. Eleito pela revista Time como um dos 25 principais líderes cristãos do país, Ted Haggard admitiu consumir material pornográfico e o envolvimento sexual com um garoto de programa, que o denunciara publicamente. O caso provocou maior espanto porque Haggard era uma das principais vozes contra o homossexualismo.


Quem recentemente também admitiu problemas com o chamado mercado de “conteúdo adulto” foi o pastor australiano Mike Guglielmucci, do ministério Hillsong. Ele confessou, após dois anos declarando-se vítima de um câncer terminal – chegou até mesmo cantar com o auxilio de um tubo de oxigênio –, que sua única doença era o vício em pornografia. A farsa gerou um tremendo mal-estar no badalado grupo de louvor australiano. “Eu sou assim, viciado nesta coisa. Ela consome minha mente”, disse, em entrevista a um canal de tevê.



Números da pornografia na internet· 68 milhões de pessoas acessam sites pornográficos no mundo, todos os dias


· 42% dos internautas freqüentam sites pornográficos e conteúdos relacionados
· 500 milhõesde reais são faturados por ano, no Brasil, com pornografia
· 2,5 bilhões é a quantidade de e-mails com conteúdo pornográfico enviados por dia
· 60 bilhões de dólares anuais é o que rende o mercado pornô em todo o mundo

FONTE: Cristianismo Hoje

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Por baixo dos panos

Quatro meses depois de firmado, tratado entre Brasil e Vaticano são agora chama a atenção da sociedade e desperta críticas

Um acordo assinado entre o governo brasileiro e o Vaticano no fim do ano passado e que agora tramita no Congresso Nacional está deixando setores da Igreja Evangélica nacional bastante preocupados. Os detalhes, que começaram a ser acertados durante a visita do papa Bento XVI ao país, em 2007, estão no documento Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé relativo ao estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, firmado no dia 13 de novembro de 2008, durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Estado do Vaticano. O instrumento leva as assinaturas dos ministros do Exterior da Santa Sé, D.Dominique Mamberto, e do Brasil, o chanceler Celso Amorim.Negociado sem um debate mais amplo e sem a divulgação adequada – apesar da comitiva de jornalistas que acompanhava o presidente, as notícias veiculadas sobre o assunto não detalharam aspectos do tratado –, o acordo, em tese, apenas regulamenta o funcionamento da Igreja Católica Apostólica Romana em território brasileiro. Mas também pode desencadear interpretações enviesadas e tendenciosas.
Submetido mês passado ao Legislativo na forma da Mensagem 134/2009, o documento deverá ser apreciado pelas Comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) e pela de Constituição e Justiça e de Cidadania – CCJC. No momento, o acordo aguarda a designação dos relatores responsáveis pelos pareceres em cada Comissão.Com 20 artigos, ele trata de diversos assuntos, incluindo amenidades como as relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Estado brasileiro e o reconhecimento mútuo de títulos e graduações acadêmicas. Mas alguns de seus trechos geram polêmica, como o que trata do ensino religiosos nas escolas e da natureza e conservação do patrimônio da Igreja e instituições católicas. Representantes de órgãos ligados à Igreja Evangélica já manifestam preocupação. “A proposta de ensino religioso, nos termos do Artigo 11 do acordo, contrapõe o princípio de laicidade do Estado”, aponta o Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (Fonaper).
Em manifesto, a entidade reclama que o conteúdo do acordo não passou por um debate público, aberto e transparente sobre as implicações poderia trazer à sociedade brasileira. “O processo democrático exige que as questões de interesse público sejam amplamente debatidas pela sociedade”, lembra o Fonaper. O fórum expressa maior preocupação em relação à parte que trata do ensino religioso. No entender do organismo, a menção específica ao ensino católico nos currículos escolares contraia a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.475), que estabelece que o ensino religioso deve ter caráter amplo, baseado nos princípios e valores comuns a toda as religiões “como forma de exercitar e promover a liberdade de concepções”. Para o Fonaper, a proposição poderia expressar uma concepção de ensino religioso a serviço das instituições religiosas – no caso, o catolicismo – e não da educação.“Poderia a Igreja Católica transformar tal espaço em aulas de religião, para catequização e doutrinação religiosa?”, indaga o manifesto.

Além disso, o status do tratado confere à Igreja Católica uma representatividade que as demais confissões jamais terão, já que é ligada a um Estado estrangeiro. O Colégio Episcopal da Igreja Metodista também veio a público manifestar sua contrariedade com a iniciativa, em nota assinada pelo seu presidente, bispo João Carlos Lopes. Lembrando que o direito à liberdade religiosa é um dos pilares das sociedades democráticas, o órgão denominacional denuncia que ele fere preceitos constitucionais relativos à separação entre a Igreja e o Estado e apela aos legisladores para que não referendem o acordo.

Patamar diferenciado – “Ratificar o acordo significará o Congresso Nacional alçar a Igreja Católica, por meio de um acordo internacional, a um patamar oficialmente diferenciado das demais religiões”, critica a professora Roseli Fischmann, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, uma vez aprovado pelo Legislativo, o texto – que chama de concordata entre um Estado laico, o Brasil, e um teocrático, o Vaticano – passa a integrar o direito brasileiro, “atropelando processos legislativos complexos como os que a ordem constitucional garante, tanto do ponto de vista processual da técnica legislativa, quanto das negociações políticas inerentes à democracia”. A estudiosa lembra que o texto assinado busca justificação baseando-se, de um lado, nos documentos do Concílio Vaticano II e no Código Canônico, o que, no seu entender, pode representar uma regulamentação da esfera civil baseada em normas religiosas. “A Igreja Católica, como religião, tem direito de escolher a norma que quiser para regulamentar a vida de seus seguidores, mas estes também precisam ver respeitados seus demais direitos como cidadãos brasileiros, sendo que poderão invocá-los quando quiserem, sem restrições ou privilégios.”
Outro item polêmico do acordo binacional é o que versa sobre isenções fiscais para rendas e patrimônios de pessoas jurídicas eclesiásticas, mencionadas no artigo 15. É que existe uma grande preocupação sobre o uso da imunidade tributária das receitas das igrejas, e não apenas a Católica. Uma das cláusulas determina que imóveis, documentos e objetos de arte sacra integram o patrimônio cultural brasileiro, e que tanto a Igreja quanto o poder público passam a ser responsáveis pela sua manutenção. Em tese, o dispositivo abre brecha para que recursos públicos sejam investidos na conservação de bens de natureza privada. “Mais que estabelecer o território dos templos católicos como se tivessem imunidade diplomática, o acordo estende seu braço normativo e restritivo de direitos estabelecidos pela Constituição Federal ao conjunto da cidadania brasileira”, insiste Roseli.
Apontada pelo Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé como instância representativa do catolicismo nacional junto ao governo brasileiro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defende que seu conteúdo não concede privilégios à Igreja Católica. Em nota divulgada logo após a assinatura do tratado, aCNBB afirma que ele “não concede privilégios à Igreja Católica nem faz nenhuma discriminação com relação às outras confissões religiosas”. A senadora Ada Mello (PTB-AL) também defende a constitucionalidade do tratado. Segundo a parlamentar, ele apenas “formaliza aspectos já vigentes no dia-a-dia do país”.
Na verdade, o documento firmado entre o Executivo brasileiro e o Estado do Vaticano não foi uma resolução nova. Há alguns anos, a Santa Sé vem trabalhando para fazer com que o maior país católico do mundo firmasse o compromisso. O assunto foi discutido muitas vezes nos últimos anos dentro de vários ministérios em Brasília, visando à formulação do texto. O caráter sigiloso da matéria é que chama a atenção. De forma semelhante, em 2004, um tratado do gênero foi assinado entre o governo de Portugal, outra nação tradicionalmente católica, e o Vaticano. Desde então, uma comissão paritária , com membros nomeados pelas duas partes, tem poder de decisão sobre assuntos nacionais, como o ensino religioso nas escolas públicas.
“Na medida em que o acordo contenha direitos e prerrogativas para a Igreja Católica, esperamos que o governo brasileiro os estenda, com naturalidade, às demais confissões, pois trata-se de preceito constitucional que não pode ser ferido”, defende o pastor Walter Altmann, presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Em uma carta pastoral, o dirigente avalia a substância do acordo quanto às suas consequências e repercussões em relação à liberdade de culto, ao ensino religioso nas escolas públicas e ao reconhecimento dos ministros religiosos. “São assuntos que dizem respeito não apenas à Igreja Católica, mas também às demais igrejas. Nesse sentido, lamentamos que o acordo tenha sido elaborado, negociado e, por fim, assinado sem que tivesse havido uma troca de idéias e um diálogo com outras confissões religiosas, bem como com a sociedade em geral”, enfatiza a carta.

Fonte: Cristianismo HOje

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Abraçando e reabraçando a santidade do corpo e da mente

A propaganda da pornografia, do amor livre, do sexo precoce, do adultério, do homossexualismo e do divórcio é tão bem feita, tão ampla, tão esmagadora e tão bem-sucedida, que as muitas vozes ainda em harmonia com a sexualidade cristã são tentadas a se calarem. No que diz respeito à homossexualidade, por exemplo, os defensores da condição oposta são quase constrangidos a pedir licença para falar sobre a homossexualidade ou a se desculpar por tocarem no assunto. Faz parte da propaganda do sexo ilícito a mensagem de que seus praticantes são a maioria e nós, a minoria. Faz parte da propaganda anticristã a mensagem de que a disciplina sexual é impossível, além de intervir na liberdade individual. Faz parte da propaganda da licenciosidade desacreditar o casamento (veja Cartunista coloca veneno na imaginação dos teenagers e se manda, Ultimato, maio/junho). Por isso, são poucos os que hoje se casam pensando numa união que deve ser preservada e mantida para sempre. Os celebrantes estão sendo pressionados a retirar os compromissos de fidelidade mútua e de durabilidade só interrompidos pela morte.

É nesse mar tempestuoso que os cristãos são chamados a navegar (sem naufrágios fatais). A palavra do bispo N. T. Wright é mais do que oportuna: “Uma coisa é ser atraído pelo pecado; outra bem diferente é inverter os conceitos de moralidade e transformar o mal em bem e o bem em mal”.

Para trazer à lembrança a sexualidade não profanada pelo pecado e para oferecer resistência à propaganda em contrário, leia os textos das páginas que se seguem e os da seção “Especial”.

A entrevista com Guilherme Nacif de Faria, doutor em direito privado e professor na Universidade Federal de Viçosa, mostra que os líderes religiosos têm plena liberdade de falar e escrever sobre suas convicções religiosas na área da sexualidade, “da mesma forma que a filosofia, a ética, a psicanálise e outras áreas do conhecimento humano podem se manifestar livremente sobre a questão”. Porém, ele alerta que essa manifestação seja argumentativa, e não discriminatória.

Todo esse esforço não se destina apenas aos “outros”, mas especialmente a nós, aos nossos filhos e às nossas igrejas. Precisamos abraçar e reabraçar a santidade do corpo e da mente e evitar mau testemunho, escândalos, incoerências, hipocrisia, frouxidão moral, comportamento de risco, separações e casamentos infelizes!
 

Heterossexualidade sem homofobia e homossexualidade sem heterofobia

Se todos somos igualmente marcados pelo pecado, tanto potencialmente como na prática, a discriminação por razões morais e religiosas contra, por exemplo, os gays, torna-se ridícula e hipócrita, além de acrescentar mais um pecado ao nosso vergonhoso currículo moral. Além do mais, a oposição que alguns fazem à homossexualidade não é educada, inteligente, coerente e caridosa. Há casos de agressão verbal e física. Em algumas vertentes muçulmanas acentuadamente fundamentalistas, os homossexuais podem ser condenados à morte. Nem todos os prisioneiros dos muitos campos de concentração eram judeus ou inimigos do regime nazista -- alguns eram apenas homossexuais.

Em contrapartida, os homossexuais não podem dar lugar à heterofobia. Eles podem sair do armário sem pretender colocar os héteros nos armários vazios. A sociedade precisa enxergar esse processo em andamento. Se os homossexuais podem defender a bandeira da homossexualidade, por que os heterossexuais não podem defender a bandeira da heterossexualidade?

Se a consciência de um homossexual não o deixar em paz, apesar do apoio ostensivo da mídia, de alguns profissionais da saúde e até de alguns líderes religiosos, por que não se pode dar a ele auxílio psicológico ou pastoral, caso a pessoa espontaneamente o deseje? Se uma igreja se recusa a celebrar um casamento gay ou ordenar um padre ou pastor homossexual, por que zombar, perseguir, multar ou prender o responsável por esse comportamento, exigido por seu credo? Os homos querem liberdade de pensamento e de ação. O mesmo acontece com os héteros.

A prática homossexual é condenada pelas três religiões monoteístas do planeta: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. No caso dos protestantes, enquanto eles se conservarem fiéis às Escrituras Sagradas, sua única regra de fé e prática, a conduta homossexual será considerada um desvio sexual. Entretanto, os cristãos horrorizados com a homossexualidade se obrigam pela mesma Bíblia a ficar horrorizados também com o adultério, com a hipocrisia, com o roubo, com o egocentrismo, com a soberba, com a incredulidade, com a inveja, com a violência, com a berrante injustiça social e daí por diante. E com a mesma intensidade!
 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Unidade da Igreja de Cristo

Helder Flávio Gomes de Morais (helerfmorais@googlemail.com)
JesusSite

Panorâmica geral

Ao longo dos tempos a Igreja de Cristo tem vindo a ser alvo preferencial dos ataques do diabo que por todos os meios a tenta destruir. O diabo vem utilizando os crentes, pastores e as próprias igrejas para se lançarem umas contra as outras criando cisões, abandonos e destruições. O ladrão não vem, senão a roubar, matar e destruir (João 10:10). Na verdade também se aplica à Igreja de Cristo. Nos primórdios da Igreja constatamos as inúmeras perseguições, atentados, prisões e mortes perpetradas pelos detractores da doutrina de Cristo. Paulo foi um dos elementos que mais perseguiu a Igreja de Cristo e é o que mais ensinamentos nos deixa. Nessa época e porque era o início, os diferentes pontos de vista não eram assim tão visíveis. No entanto, uns discípulos diziam ser de Paulo, de Apolo, de Pedro etc., o que levou Paulo a esclarecer o assunto. Durante a Idade Média ocorreu um obscurantismo espiritual que quase reduziu a zero a obra de Cristo, até surgir a Reforma e recomeçar de novo a pregação do evangelho e o ensino das doutrinas de Cristo. Muito por causa daquele obscurantismo, houve necessidade de recomeçar tudo. Com a evolução dos acontecimentos, a Bíblia foi impressa, traduzida nas mais diversas línguas e surgem também diversas correntes de opinião sobre as Escrituras. O certo é que as Igrejas Cristãs pregam o Evangelho de Jesus Cristo. Umas dão mais ênfase a determinados mandamentos ou doutrinas, outros não lhes dão tanta relevância. Daí surge uma diferença de pontos de vista e que está na base das diversas denominações. Em tese, todas as pessoas têm a sua maneira de pensar e de interpretar determinado tema.

Seguramente se eu e outro crente dissertarmos sobre determinado tema, não utilizaremos as mesmas expressões nem colocaremos o enfoque nas mesmas personagens ou pontos de doutrina. Isso não quer dizer que o assunto central não seja exactamente o mesmo e que o resultado não seja o mesmo, explicado de maneiras diferentes. É esta diferença de expressão, de opinião e de condução que muitas pessoas se baseiam para formar grupos e criar denominações. Uns dão mais ênfase à salvação, outros ao baptismo, outros à cura; outros aos dons do Espírito Santo, outros ao sábado e ainda outros à prosperidade. Todos ensinam que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador e que com o Seu sacrifício vicário tornou-se a causa da salvação dos pecadores. No fundo o que mais interessa é que os pecadores sejam salvos. Uma vez salvos crescerão espiritualmente e desempenharão os seus papéis de acordo com os dons que o Espírito Santo distribuir a cada um para o que for útil.

Pergunta-se então: Porque criticar, denegrir e maldizer os restantes membros do corpo de Cristo?
“A verdade sempre teve os seus "falsificadores". Da mesma maneira que convém a todo cidadão reconhecer o dinheiro de seu país a fim de evitar problemas, assim devemos nós ser capazes de discernir a origem das diferentes doutrinas que nos são apresentadas. Cada uma delas deve ser submetida à prova (v. 1; 1 Tessalonicenses 5:21); a Palavra de Deus dá-nos o meio seguro para reconhecer as "notas falsas". As boas levam sempre o selo: Jesus Cristo veio em carne (v. 3). Boa Semente”.

Atualmente nota-se uma crescente crítica mordaz de uns contra os outros, igrejas contra igrejas em prejuízo da obra de Deus. Através de programas de televisão, de emissões de rádio ou de jornais, na internet, revistas e mesmo em tribunais a obra de Deus vem sendo destruída pelos próprios ministros de Deus. Será isto possível? Será loucura? Infelizmente é o que está a acontecer.

Vejamos o que diz o apóstolo Paulo sobre isto em I Coríntios 1:6:9: O irmão vai a juízo com o irmão, e isto perante infiéis. Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos irmãos. Não sabeis que os injustos não hão-de herdar o reino de Deus?

Críticas, Condenações e Divisões

Desde o início da era Cristã que existem críticas, condenações e divisões entre os crentes e que, afectam a obra de Deus. Paulo testifica em I Coríntios 5:6: Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Para melhor compreendermos, jactância tem entre outros os seguintes significados: bazófia, vanglória, soberba, ufania, arrogância e amor-próprio. E é o que alguns têm sido (quando se colocam contra os irmãos e a doutrina de Cristo); mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus (I Coríntios 6:11) e é o que se espera dos servos de Deus.

Certamente que as críticas não deixarão de existir por parte de ministros intolerantes e arrogantes. O receio de que outra igreja lhes leve os crentes está na base de tão acesa polémica. Das duas uma, ou estão receosos de perder o emprego e com isso o seu bem-estar, agindo com amor-próprio ou, realmente, não se deixam guiar pelo Espírito Santo. Lembro-me quando era jovem a Igreja que a minha família frequentava, não receava convidar pastores de outras denominações para fazerem campanhas de evangelização, findas as quais havia sempre muitas conversões e as relações entre as diferentes denominações se estreitavam com amor cristão. Não me parece que este tipo de relacionamento entre as igrejas se pratique muito hoje em dia. Cada um tem receio do outro, de ser roubado, como se ouve dizer. Por isso, criticam, deploram, incendeiam ânimos e afastam os crentes e recém-convertidos. Que lamentável, que tristeza verificar que irmãos em Cristo se digladiam ao invés de darem as mãos e colaborarem para o avanço da obra de Deus.

Dissensões nas Igrejas

Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado…que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós baptizados em nome de Paulo? (I Cor 3: 1). Dentro das próprias igrejas existem sempre o que vulgarmente se chamam de “ovelhas ranhosas”. São crentes que, por tudo e por nada, causam dissensões e divisões entre os irmãos, seja por calúnia, inveja, falso testemunho ou mesmo arrogância. Este tipo de pessoas consegue perturbar de tal maneira as igrejas que se dão algumas cisões. Uns ficam na igreja, outros procuram outra igreja, ou afastam-se ou ainda seguem o desordeiro para formar outra igreja. Igreja que não esteja baseada em Jesus Cristo é de barro, depressa se desfará.

Infelizmente assisti a dois ou três casos que feriram a obra de Deus. Qual será o galardão para esses detractores da obra de Deus? Certamente que Deus os julgará. Hoje em dia assiste-se com mais frequência a esse tipo de insinuações muito pelo desplante dos pastores e da facilidade de comunicação. Uma das razões para que isso aconteça relaciona-se com a falta de chamada. A pessoa não sentiu a chamada para o Ministério. Sentiu um desejo ou uma oportunidade de se tornar pastor, faltando todo um suporte espiritual e de conhecimento da Palavra de Deus. Não frequentou o Seminário nem fez cursos bíblicos adequados. Assim como a semente lançada sobre pedregais que logo nasce e depressa morre por não ter raízes profundas, tais são aqueles que por uma emoção mais forte se querem dedicar à pregação do evangelho sem terem raízes e certezas da chamada do Mestre. São igrejas que podem transtornar os crentes ensinando doutrinas de homens.

E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? (I Cor 3). Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor. E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro (I Cor 4:5-6).

Lobos vestidos de Cordeiros

E a História repete-se. Existem e existirão sempre lobos vestidos com pele de cordeiro que transtornam casas inteiras com doutrinas de demónios. Existem e existirão falsos profetas que arrastarão muitos para a perdição. As pessoas acreditam que encontram soluções para os seus problemas e aderem a essas igrejas e acabam por se deixar iludir com falsas doutrinas. Uma vez enraizados naquela doutrina tentam arrastar mais pessoas consigo, na suposição de que estão certos e que ganharão o paraíso. O que aqui falo diz apenas respeito às igrejas e seitas que não se baseiam em Jesus Cristo, ainda que algumas delas utilizem o nome de Jesus. Mas se o Espírito Santo não os ilumina são igrejas ocas que conduzem à perdição. Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. E porque é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem (Mateus 7:12:14).

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7:15-20). E nesta loucura muitos se perdem…

Segue a advertência: Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne (Colosenses 2:18-23). "Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados." (2 Timóteo 3:13). E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Apoc. 18:4. Deixemos que seja Deus a tratar a desfazer as falsas igrejas e a depor os falsos profetas.

A unidade do corpo

Ora digam os detractores: Pé, não necessito de ti ou, olho não preciso de ti. Reparou que, ou é coxo ou é cego? Quem ousaria dizer tal absurdo contra o seu próprio corpo?

Mas é o que alguns têm sido…

Vejamos o que o apóstolo Paulo nos diz: Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfacto? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?

Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros (I Coríntios 12: 13-).

Ninguém terá dúvidas em aceitar como verdade o que Paulo ensina sobre a unidade do corpo. Todos nós devemos zelar pelo nosso corpo que é o tempo do Espírito Santo. Se cuidamos dele no dia a dia com desvelo para que seja sempre saudável, porque não o faríamos em relação ao corpo de Cristo. É dever de todo o crente zelar pelo corpo de Cristo e pela sua unidade.

Correlação entre o corpo e a Igreja de Cristo

Ora, vós sois corpo de Cristo, e seus membros em particular (1 Coríntios 12:27).

“Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Romanos 12:4-5). Outras passagens, como 1 Coríntios 12 e Efésios 4:11-16, enfatizam a mesma verdade. (Romanos 12:3-8). Não teremos de igual forma, zelo pelo corpo de Cristo? Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Por certo que alguns maltratam, hostilizam ou dividem o corpo para demonstrar determinada arrogância ou falta de auto estima. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele (I Cor 12).


Qual será então a razão pela qual os membros do corpo de Cristo se dividem, se hostilizam, se ferem e se maltratam? Não será isto obra satânica para dividir o corpo de Cristo? Deixo aos detractores o alerta para que revejam a sua conduta no seio do corpo de Cristo. Porquê? Ouçamos o conselho de Gamaliel em Actos 5: 34: Levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo…e disse-lhes: … acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens... digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.

Ainda em I Cor 3: 10:17: Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício… a obra de cada um se manifestará. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão, se a obra de alguém se queimar sofrerá detrimento. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. Portanto acautelai-vos dos falsos profetas que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7:20).

A Igreja de Jesus Cristo

Pedro ensina que “cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. (1 Pedro 4:10) Notemos a diversidade dos dons: todos temos recebido algum dom e somos convidados a utilizá-lo, conscientes da graça de Deus que nos foi dada. Mas também é fundamental que cada um “não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Romanos 12:3; 2 Coríntios 10:13). Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? São todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente ( I Cor 12: 4-31).

Que ensinamentos podemos retirar?

João disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demónios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós (Marcos 9:38:40). Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há-de vir, e eis que já está no mundo (I João 4:1-3).

Porque então existe esta guerra entre as diversas denominações das igrejas de Cristo?

A quem serve todas essas dissensões. Porque então caluniar, denegrir e julgar aqueles por quem Cristo morreu?

Irmãos não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão e julga a seu irmão, fala mal da lei e julga a lei; e se julgas a lei não és observador mas juiz. Há um só legislador e um juiz que pode salvar ou destruir.

Tu, porém, quem és que julgas a outrem? Tiago 4:11-12.

Cabe a responsabilidade a cada um de nós em obedecer à vontade de Deus.

Helder Flávio Gomes de Morais
Servo do Deus Altíssimo

Fonte: Jesus Site

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Por uma teologia de consolo em catástrofes

No livro de Lamentações de Jeremias

A ocorrência de catástrofes com grande amplidão de destruição exige a presença dos cristãos em socorro às vítimas. As vítimas ficam em choque ao perder, em questão de minutos, tudo que construíram nas suas vidas – casas, bens, às vezes alguém amado da família, e com a possibilidade de ficarem feridas ou adoecerem por condições insalubres, sem moradia, comida e nem água. O seu chão foi tirado. A terra, que deveria ser a base onde os pés se firmam, tremeu. A casa engolida por deslizamento de terra. A água limpa que traz vida e sacia a sede, trouxe a morte e destruiu os seus meios de sustento. Tudo que provê vida se torna incerto e traiçoeiro.

As pessoas ficam desesperadas e desesperançadas quanto ao futuro quando a base da sua vida foi eliminada. Perguntam-se o que foi que aconteceu. Como o Criador da natureza deixou isso acontecer? Quem é esse Deus? Muitos pensam que a mão de Deus pesa sobre eles. Em alguns casos, preferiram morrer junto com os seus amados e vendo o sonho da sua vida desaparecer diante dos seus olhos. Sentem-se culpados de não terem morrido juntos e por não conseguirem salvar os seus familiares.

Ao prestar ajuda para sobreviver física e materialmente, é necessário também ajudar a retomar a vida com esperança, sem medo do futuro, nem amarguras contra o Criador, não perdendo a fé, mas se aprofundando na dependência de Deus. Mas como os socorristas podem acalmar o medo e apresentar respostas? Eles mesmos ficam abalados diante de tão grande sofrimento. Ajudam calados e chorando juntos. Falam de coisas irrelevantes para quem está com sofrimento atroz. Acabam apresentando a Palavra de Deus que aos ouvidos das vítimas soa como incompreensão, exigência, colocando mais fardo na condição delas. Alguns se mantém alheios. Outros julgam como punição pessoal e merecida de Deus.


O contexto do sofrimento necessita de compreensão bíblica, tentando entender do ponto de vista de Deus como diretriz da ação para ministrar de forma relevante. Um modelo seria o livro de Lamentações de Jeremias, que chorou ao ver a desolação de Jerusalém destruída, mas que não perdeu a esperança por se apegar na misericórdia infindável de Deus. Harrison comenta que “Soberania, justiça, moralidade, julgamento de Deus e a esperança da benção no futuro distante são temas que surgem com grandeza solene das cadências de Lamentações.” Há muitas paralelas da situação mencionada por Jeremias. O sofrimento diante da destruição foi pessoal e coletivo, físico, material, emocional e espiritual (3:4-6).

Lamentações 3


I. Necessidade de conhecer a época – contextos

1. Contexto de sofrimento: O livro inteiro menciona um contexto de grande sofrimento, destruição da cidade inteira e dos seus muros, crianças morrendo de fome, mães desesperadas, moças desoladas, jovens mortos e levados ao cativeiro, sem mais sacerdotes, nem profetas ou príncipes. Lamentações se faziam em situações de luto e aqui era luto nacional.

2. Contexto de grandes pecados como causa fundamental do sofrimento em geral. No caso em Lamentações, o pecado foi nacional e coletivo. Em catástrofes, há causas diretas e indiretas. As diretas seriam guerras e violências provocadas humanamente. As indiretas seriam a ganância e exploração que provoca extrema pobreza e o aquecimento global, a corrupção de uso de material de qualidade inferior nas construções que não aguentam em terremoto e chuvas pesadas. Há outras que parecem falha da natureza como as placas tectônicas que se movem. Fundamentalmente, entende-se que o pecado humano ao romper com o Seu Criador trouxe a consequência da entrada do mal no mundo. O que foi criado bom, agora desanda. Jeremias mencionou grandes pecados (1:8, 14, 18, 22, 3:42; 4:6; 5:7), falsos profetas (2:14; 4:13), inversão de valores de Deus - escárnio aos justos, de injustiça social - exploração dos que não podiam se defender, perversão de justiça e direitos humanos – criação de Deus, iniquidade abundante e atos abomináveis contra o que é sagrado.


3. Contexto de perigo sério, perigo de vida (vs.53-55) – de morte física e de morte espiritual.


II. Jeremias reconheceu Deus como Senhor soberano sobre todos os contextos, conheceu o caráter d’Ele e, portanto, reconheceu os atos d’Ele e seus desígnios.


1. Reconhecimento da soberania de Deus v.3:38 – mal e bem (“desgraças e bênçãos” NVI) procede do Altíssimo. Tsunami, dezembro de 2004 provocou muitas discussões se foi punição de Deus. Os muçulmanos atribuíram castigo de Allah por algo que o povo fez, os hindus e budistas fizeram sacrifícios para aplacar a ira dos deuses ou dos espíritos.

2. Reconhecimento do amor, compaixão, misericórdias infindáveis e fidelidade do Senhor (vs.22-23 – hesed, grande amor, “carinho”, compaixões no plural para intensidade, com raiz na palavra rehem = ventre materno, a bondade amorosa se renova a cada manhã). É a razão de não sermos consumidos, de estarmos ainda vivos.

3. Reconhecimento da justiça de Deus que não tolera pecado (v.34-36 – exploração, maldade, injustiça, perversão do direito – situação brasileira e de muitos países).

4. Reconhecimento que Deus tem o plano de levar o homem ao arrependimento, permitindo sofrimento, trazendo-o à salvação. V.31-33 “não aflige, nem entristece de bom grado os filhos do homem”. Hoje continuamos a ouvir casos de conversões pós-tsunamis, de indagação dos povos pós-guerras e sua afirmação de que só Deus pode interferir e mudar, só Jesus pode acabar com as maldades que o próprio povo está cometendo contra os patrícios. Harrison afirma que “o autor de Jó e o de Lamentações reconhecem que uma reação positiva ao sofrimento é um pré-requisito à maturidade espiritual. Esta percepção é a base para a expectativa de que após a tribulação virá restauração e bênção, por causa da bondade de Deus, para um povo que realmente estiver arrependido.”


III. A nossa reação de entendimento e convicção da justiça e misericórdia de Deus, que quer levar todos à salvação, leva à ação.


· V.21 trazer à memória – “fará voltar ao coração”, ao centro de afetividade, “o que pode me dar esperança” – a misericórdia infindável de Deus para com os homens;

· Não questionar, mas entender os atos de Deus (vs.37-39), castigo de pecado para levar ao arrependimento (vs.31-33). Stephens-Hodge ao comentar sobre crianças de peito que desfaleciam em busca de pão, “Sofrimento tal como esse é sempre um profundo mistério: mas nem mesmo uma criança pode ser considerada isoladamente”. W.F. Adeney “É uma monstruosidade acusar a providência de Deus por causa das conseqüências das ações que Ele tem proibido”. Na soberania de Deus, nada pode acontecer sem a permissão d’Ele. Quando Ele permite sofrimento, na Sua misericórdia fará emergir o bem do mal (Rm. 8:28).

· Sentir junto ao ver (v.1) – pessoal e corporativo como Neemias na confissão de pecado do povo. “Sofrimento pessoal (de Jeremias) e representante típico do povo” (Gaster).

· Lamentar com sinceridade, colocando-nos juntos no sofrimento e no pecado da humanidade, vs.40-42, na identificação com a pecaminosidade humana.

· Rogar, clamar com choro incessantemente até a misericórdia de Deus se manifestar, os pecadores se arrependendo, vs. 49-51. Harrison diz que podemos acreditar em uma divindade tão imutável e digna de confiança, e orar em completa submissão à Sua vontade soberana, que Ele olhe novamente com favor para seu povo.

· Advertir e proclamar para levar ao arrependimento, v.29 – “ponha a boca no pó”, a forma oriental de reconhecimento da indignidade, se prostrar em submissão total.


IV. Ter certeza do final de todas as situações

· Deus ouve o clamor do Seu povo - v.56.

· Deus vem e se faz presente - v.57.

· Deus consola e assegura - v.57b “Não temas”.

· Deus defende dos inimigos - v.58 – punição dos inimigos.

· Deus salva - v.58b “remir a minha vida”.


Walvoord e Zuck mencionam sete princípios da natureza da aflição de Israel:

(1) Aflição deve ser aguentada com esperança na salvação de Deus, ou seja, a restauração final (3:25-30).

(2) Aflição é somente temporária e é amenizada pela compaixão e amor de Deus (vs.31-21).

(3) Deus não se regozija na aflição (v.33).

(4) Se a aflição vem por causa de injustiça, Deus a vê e não aprova (vs.44-46).

(5) Aflição ultimamente veio por causa dos pecados de Judá (3:39).

(6) Aflição deve cumprir o objetivo de trazer o povo de volta para Deus (v.40).



Devemos pregar o arrependimento igual como fazemos em qualquer situação também de bem-estar. Mas também devemos assegurar da misericórdia de Deus. A diferença está na ministração efetiva integral em contexto de grande sofrimento. Primeiramente nós mesmos precisamos ter o coração de compaixão, de identificação com o sofrimento dos povos e com a pecaminosidade do ser humano, chorar compungido rogando a Deus pela misericórdia, e a agir com compaixão como socorristas.


“O âmago do poema, tanto literal como espiritualmente, é a passagem central do capítulo central. Cinco vezes ocorre a palavra ‘esperança’. A aflição cumpre seu trabalho de humilhar (v.20). O sofredor compreende o seu significado e grita: tenho ‘ESPERANÇA’ (v.21). A nova esperança está apenas em Deus, como mostra o contexto. Isso é de novo enfatizado quando o poema termina -

“Tu, Senhor, reinas eternamente’ (5:19). A oração final do poema será ainda cumprida, ‘Renova os nossos dias como dantes’ (5:21).” Baxter


E quanto à pergunta de todo o tempo de “Por que o justo sofre?”, quanto aos inocentes sofrendo grandemente em catástrofes? “Ultimamente há profundidade nas ações de Deus que o homem finito não pode entender. A revelação de Deus em palavra e em ação mostra consistentemente sua justiça e amor em aliança; porém há sempre um resíduo de experiência humana que exige que curvemos a uma sabedoria alta demais para nossa compreensão. Encontramos o exemplo supremo na cruz e no grito de Jesus em Marcos 15:34. Por isso cada teoria fácil da Expiação tem falhado há muito tempo, pois há profundidades no Gólgota que passa a compreensão humana. Somente quando na glória veremos o livre arbítrio e a predestinação reconciliados que também compreenderemos como a soberana vontade de Deus é compatível com sua justiça e amor de aliança com o seu povo.” H.L. Ellison


“A minha porção é o Senhor, diz a minha alma, portanto, esperarei nele”.

Lamentações 3:24
 
AUTOR
Margaretha N. Adiwardana

É Presidente/Fundadora da AME, membro da
Missions Commission da WEA – World Evangelical Aliance; missionária
associada da IEM – Indian Evangelical Mission, professora de missiologia,
coordenadora da Rede SOS Global.

Fonte: Edições Vida Nova

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ação desordenada

Proliferação de templos no país faz aumentar vigilância de autoridades sobre funcionamento de igrejas evangélicas.

Por Francisco dos Santos



Brasil foto 2
O advogado Gilberto Garcia lembra as organizações religiosas devem observar o Plano Diretor de cada município e o Estudo de Impacto na Vizinhança

A reabertura do templo-sede da Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, no dia 3 de março, pode ter sido o fim de uma batalha espiritual no entender do apóstolo da denominação, Valdemiro Santiago, e de seus fiéis. Mas na prática foi apenas um capítulo a mais na queda de braço cada vez mais forte entre o poder público e as igrejas evangélicas. Não se trata, como alardeiam determinados líderes, de uma luta das trevas contra a luz – embora, em certas situações, a má vontade de gestores públicos contra organizações religiosas fique evidente. Após veementes protestos, nos quais denunciou perseguição religiosa e ensaiou um protesto popular que não ocorreu, a Igreja Mundial contratou técnicos para deixar o prédio de acordo com a legislação. O que chamou a atenção no caso, iniciado em dezembro passado, quando a prefeitura da capital paulista lacrou o imóvel na Rua Carneiro Leão, no bairro do Brás, por falta alvará de funcionamento e problemas de higiene e segurança, é a precariedade com que igrejas são instaladas. Realizam-se cultos em galpões sem qualquer estrutura e até mesmo em pequenos sobrados e garagens residenciais.

Brasil foto abertura finalO templo da Igreja Mundial lacrado, vigiado pela Guarda Metropolitana: caso reacendeu discussão sobre legalização de espaços de culto

Se, por um lado, o processo representa a abertura de mais espaços para a pregação do Evangelho, por outro, seus frequentadores são submetidos ao desconforto ou, pior ainda, ao perigo. Foi assim em 1998, quando o templo da Igreja Universal do Reino de Deus instalado num antigo supermercado de Osasco (Grande São Paulo) veio abaixo durante um culto, deixando 25 mortos e quase 500 feridos. Constatou-se depois que as vigas de sustentação do telhado, de madeira, tinham apodrecido e ninguém as trocou. Mais recentemente, o principal templo da Igreja Renascer, no centro de São Paulo, caiu no dia 18 de janeiro do ano passado. Nove fiéis morreram e outros cem tiveram ferimentos. As ações de indenização correm na Justiça, e enquanto a igreja esforça-se por reabrir logo sua sede, o Ministério Público (MP) suspendeu o alvará que autorizava a reconstrução.

O que acontece na maior cidade brasileira é típico. O MP estadual e a Prefeitura de São Paulo realizam rondas permanentes pelos bairros, notificando responsáveis e até lacrando imóveis fora das condições legais de uso. Cerca de 500 templos foram interditados e mais de quarenta, fechados na capital paulista. Segundo consta, a maioria das autuações é contra igreja evangélicas, ainda que uma simples inspeção constataria irregularidades em centenas de clubes, bares e boates abertos ao público. “Sempre que há denúncia, fazemos inspeções”, informa o secretário de Controle Urbano, Orlando de Almeida. Ele rechaça a suspeita de que a Secretaria tenha as garras mais afiadas contra os imóveis de uso religioso: “Fazemos diligências para reprimir irregularidades independente do tipo de estabelecimento”. De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, as autuações não acontecem apenas por documentação irregular, mas também por excesso de barulho nos cultos.

Inadequação é a regra – “A imensa maioria dos templos que proliferaram em São Paulo funcionam em lugares adaptados como cinemas e teatros, que não oferecem condições de segurança. Noventa por centro dos imóveis com este uso não são adequados a abrigar o fluxo de pessoas que recebem”, confirma Edin Sued Abmanssur, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e autor do livro As moradas de Deus (Fonte Editorial), sobre o espaço físico de igrejas pentecostais na capital. “A fiscalização é falha e não há muito controle sobre esses locais”, admite o superintendente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Ademir Alves do Amaral. Segundo ele, qualquer alteração em local onde haja concentração de pessoas deve ser acompanhada por um profissional. “Até vibração sonora pode abalar uma estrutura já comprometida”, avisa.

A fiscalização é dificultada porque abrir legalmente uma igreja evangélica no Brasil é coisa das mais fáceis, e em tese qualquer pessoa pode tornar-se um líder espiritual, independente de formação teológica. Com pouco mais de 100 reais é possível organizar juridicamente uma instituição religiosa; depois, basta um cantinho qualquer para as reuniões e pronto. Em São Paulo, só no caso de templos com capacidade para quinhentas pessoas ou mais é necessário autorização do Departamento de Controle de Uso de Imóveis (Contru)“O ordenamento jurídico nacional abrange normas federais, estaduais e municipais que regulamentam a atuação das organizações religiosas”, lembra o advogado Gilberto Garcia. “É preciso observar o que está estabelecido no Plano Diretor de cada município e regulamentos como o Estudo de Impacto de Vizinhança”. Mas proibições, mesmo, inexistem, de modo que somente depois de verificado um problema, e quase sempre após uma denúncia ou acidente, é que o poder público pode fazer algo. Os números confirmam: de acordo com dados da prefeitura, a cada dois dias nasce uma nova igreja na Grande São Paulo.

“Esse fenômeno acontece com mais intensidade no Sudeste”, aponta o coordenador nacional de pesquisas no Instituto Brasil 21 e missionário de Servindo Pastores e Líderes (Sepal), Luis André Bruneto. “Isso se dá por dois motivos básicos: concentração populacional e concentração de renda”. A migração religiosa é outro fenômeno que alimenta o processo. Em média, uma a cada três pessoas já mudou de crença, aderindo à fé protestante, de acordo com levantamento do Centro de Estudos da Metrópole. Em Brasília, a situação não é diferente – conhecido pela grilagem de terras públicas, o Distrito Federal abriga mais de oitocentos templos em situação irregular. De acordo com a Terracap, empresa que cuida da ocupação do solo em Brasília e no seu entorno, igrejas evangélicas funcionam em áreas públicas sem contrato de concessão de uso, ou com autorização já vencida. Fica no ar a impressão de que a proliferação de igrejas no contexto urbano está descontrolado. 

Diluição do sagrado – A multiplicidade das denominações e igrejas livres, no Brasil, é um fruto positivo da liberdade de crença – contudo, envolve também a flexibilização de alguns valores. “Em muitos lugares, a caracterização de templo tem se diluído na mesma velocidade do crescimento”, acrescenta Luis Bruneto, da Sepal. Ele enxerga certa perda do sagrado. “No passado, o templo era lugar santo. Hoje, é um espaço multiuso, muitas vezes criando sincretismos religiosos”. No entender do presidente do Fórum dos Secretários de Missões das Assembleias de Deus do Nordeste, a explosão das igrejas, que se observa também nas áreas metropolitanas daquela região, deriva da personalização dos ministérios. “Muitas congregações, ainda que grandes e ricas, estão estribadas no nome de seu pastor”, aponta o pastor Francisco Paixão Cordeiro.

O fundamento deste ideal de crescimento, de acordo com professor Ricardo Mariano, da PUC do Rio Grande do Sul, tem princípios na Reforma Protestante, segundo a qual cada fiel pode construir sua linha de pensamento “A abertura de templos improvisados em garagens e edificações de todo tipo constitui uma longa tradição no pentecostalismo”, esclarece o especialista. Ele explica ainda que, nos primórdios do movimento, a primeira igreja pentecostal fundada em Los Angeles, nos Estados Unidos, teve início num imóvel onde antes funcionava um estábulo. “Isso se deve ao evangelismo conduzido por leigos, também tradicional nos meios pentecostais. Há a legitimidade das cismas nos meios protestantes, uma vez que a igreja, a tradição e a hierarquia eclesiástica não detêm a posse exclusiva da verdade divina”, acrescenta.

“Esse crescimento das igrejas tem acontecido pelo simples fato de que pessoas transformadas atraem outras pessoas”, lembra o pastor Costa Neto, da Igreja Comunidade Cristã Videira, em Fortaleza (PE), que atende 1,7 mil pessoas em seu instituto social. O testemunho, neste caso, faz toda diferença e é um dos pilares de crescimento na região. No entanto, há quem peça uma revisão, em prol do futuro, para que esse crescimento não apenas seja feito dentro das regras legais de urbanização como também com espiritualidade. “É preciso uma nova elaboração da teologia da fé evangélica da oração, que busque priorizar não somente os aspectos formais, mas sobretudo, uma relação com Deus mais profunda”, apela o pastor Estevam Fernandes, da Igreja Batista de João Pessoa (PB). 

Ex-atéia: "Cristianismo realmente faz sentido"

Holly Ordway era uma atéia altamente educada que pensava que o Cristianismo era uma "curiosidade histórica" ou "uma mancha na civilização moderna," ou ambos.

"Pessoas inteligentes não se tornam cristãs," pensou, de acordo com Biola University.

Sua visão de mundo, no entanto, começou a mudar aos 31 anos. Ela narra sua jornada do ateísmo ao Cristianismo no recém-lançado Not God’s Type: A Rational Academic Finds a Radical Faith.

"Não é questão de falta de luz encontrar com Deus, depois de tê-Lo negado toda a vida," escreve ela no livro. "Vir a Ele era apenas o começo. Posso apontar para um dia e hora e local da minha conversão, e, ainda assim, desde então, eu vim a entender que Ele me chama a uma conversão fresca todos os dias."

Ordway, uma professora de Inglês e literatura em um colégio da comunidade na área de San Diego, não foi suscitada em qualquer fé religiosa. Ela nunca fez uma oração em sua vida e ela nunca foi a um culto na Igreja. Sua exposição ao Cristianismo, enquanto crescia foi mínima e foram poucos os seus encontros com alguns Cristãos envolvidos com tele-evangelismo ou pregadores da condenação do inferno.

"A religião parecia uma história que as pessoas disseram, e eu não tive nenhuma prova em contrário," disse ela em uma entrevista com a Biola University, onde está atualmente a estudar para segundo mestrado, Apologética Cristã.

Para ela, a Bíblia era uma coleção de lendas e mitos - não são diferentes do que as histórias de Zeus ou Cinderella.

"Eu era uma professora universitária - lógica, intelectual, racional - e um atéia," escreve ela.

Embora ela não soubesse quase nada sobre o Cristianismo, ela começou a zombar de Cristãos e depreciar a sua fé, inteligência e caráter.

"Era divertido me considerar intelectualmente superior à massa ignorante, supersticiosas e fazer comentários sarcásticos sobre Cristãos," escreve Ordway.

Ela estava convencida de que a fé era irracional por definição.

Convites evangélicos para "ir a Jesus e obter a vida eterna" soava como "acreditar em algo irracional sob demanda para receber um prêmio."

"Eu pensei que eu sabia exatamente o que era fé, e por isso recusava-me a olhar mais longe," escreve ela. "Ou talvez eu estivesse com medo que não havia mais do que eu estava disposto a crer - mas eu não queria lidar com isso. Mais fácil, de longe, lia apenas livros de ateus que me disseram o que eu queria ouvir - que eu era muito inteligente e intelectualmente honesta e moralmente superior aos pobres, Cristãos iludidos.”

"Eu mesmo tinha construído uma fortaleza do ateísmo, segura contra qualquer ataque de fé irracional. E eu vivia nela, sozinha."

Ordway não estava olhando para Deus. Ela não acreditava que ele existia. Mas ela começou a ser atraída para questões de fé.

Uma razão para seu interesse, ela explica, é que sua visão de mundo naturalista "foi insuficiente para explicar a natureza da realidade de uma forma coerente: não se podia explicar a origem do universo, nem poderia explicar a moralidade."

"Por outro lado, a cosmovisão teísta foi consistente e poderosamente explicativa: ela ofereceu uma explicação convincente, racional, consistente, e uma lógica para tudo o que a cosmovisão naturalista explicou acrescido de todas as coisas que a cosmovisão naturalista, não podia."

Após uma série de conversas com um mentor e exposição aos escritos de autores como JP Moreland e William Lane Craig, Ordway parou de negar Deus comprometendo-se a Cristo.

"Fiquei surpresa ao descobrir que o teísmo cristão tinha significativamente melhor poder explicativo do que o naturalismo ateísta, em termos de explicar por que o mundo está do jeito que está, e na contabilização de minhas próprias experiências dentro," ela contou, segundo a Biola. "Aprender mais sobre a Encarnação e sobre Deus, a Santíssima Trindade, reforçou ainda mais minha confiança de que o Cristianismo, realmente, faz sentido no mundo de uma maneira que nenhuma outra visão de mundo tem."

Ela descobriu que a "declaração de São Paulo de que o Cristianismo é baseado no histórico, testemunhado nos eventos de morte e ressurreição de Cristo," que "a teologia e a filosofia oferecem respostas concretas" às suas perguntas e não um apelo à fé cega, e que "A história da Igreja não se conformava com a [sua] imagem da fé cristã como um auto-serviço, uma ficção politicamente útil."

Seu orgulho intelectual foi quebrado e foi humilhado pela bondade de Deus, como ela começou a ver-se como uma pecadora.

"Eu não acredito porque eu gosto da idéia e quero que ela seja verdadeira. Eu não acredito porque eu acho que o Cristianismo faz sentido intelectualmente (apesar de que foi um alicerce necessário para a minha fé). Na verdade, eu não diria que eu acredito "em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, ou que eu acredito" ter uma relação pessoal com Ele: Eu diria que eu sei que essas coisas são a verdade," declarou a ex-atéia enfaticamente em um blog de 2007.

Ordway, atualmente, atende no S. Miguel-by-the-sea no sul da Califórnia, onde ela diz que cresceu na fé cristã. Ela está esperando que seu livro venha a ajudar os Cristãos - que podem estar se familiarizando com as idéias que os ateus acreditam, mas não entendem como é acreditar naquelas coisas - no seu evangelismo.

Oferecendo algumas dicas para aqueles que se aproximam dos ateus, ela disse: "Realmente, não importa se gostamos ou não do Cristianismo, o que importa é o que é a verdade? Essa abordagem pode não ressoar com todos, mas foi o que abriu a porta para mim."

Além disso, o discipulado é crítica, disse ela.

"Eu acho que um dos elementos centrais do meu próprio discipulado tem sido até agora foco dos meus pastores na cruz," disse ela na entrevista para a Biola. "O caminho de Jesus é o caminho da cruz. é, terrivelmente, doloroso abandonar seus pecados e vontade própria, para permitir a si mesmo ser crucificado junto com Jesus... e eu tenho sido muito grata aos meus pastores que reconhecem o quão difícil e doloroso pode ser ao longo desta jornada cristã. Mas o caminho da cruz é também o modo de vida e paz."

Fonte: Christian Post
Fonte: Folha Gospel.com

Você é crente?

“Até o diabo é!” – esta máxima está valendo mais que nunca!

Já foi o tempo em que ser crente era sinônimo de honestidade, simplicidade e humildade (não confundir com estupidez e mediocridade). Já foi a época em que bastava dizer que o sujeito era crente para ser no mínimo poupado de algumas manifestações ou brincadeiras maliciosas, por exemplo.

Hoje em dia ser crente é ser matéria prima para piadas prontas. Nem mesmo os próprios crentes poupam seus co-participantes da fé. Nós fazemos piada com nossa própria desgraça, não é irônico?!

Não sei se a palavra certa é esta, mas a culpa recai sobre aqueles que usam das prerrogativas da sua crença para tirar proveito de determinadas situações, ou sobre aqueles que de crente só tem o nome mesmo, porém, seu proceder é mais ou menos do tipo “faça o que mando, mas não faça o que faço”.

Existem muitos crentes que não valem nada! Não valem mesmo! Dentre os que menos gosto (ou melhor, não suporto) são os de caráter dúbio; os de vida suja; aqueles promotores de contendas (vulgo “barraqueiros”); os de temperamento grosseiro; os mentirosos de carteirinha; os “traíras” por formação e mais um bocado de pessoas que se assemelham a estas péssimas qualidades desagradáveis.

Muitos crentes gostam de cuidar da aparência... Mas aparências enganam! Jesus deu uma bronca numa classe de judeus de sua época que adoravam mostrar por fora o que não eram por dentro: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniqüidade... Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.” – Mateus 23.25 e 27

O apóstolo Paulo ironizou aqueles que discursavam uma coisa, mas praticavam outra em Roma. No pensamento do apóstolo está embutida uma dura e ácida crítica sobre aquela postura tipicamente “crentesca” de julgar e condenar os outros, enquanto se mantêm práticas (públicas ou ocultas) iguais ou piores do que as que são criticadas: “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós.” – Rm 2.21-24

Os crentes brasileiros estão celebrando efusivamente o número crescente de pessoas que abarrotam as igrejas evangélicas. Amém... Mas, número só não basta! É preciso vida transformada e condizente com a Palavra de Deus – soou meio arcaico, retrógrado ou legalista, mas é isso mesmo! De nada adianta igrejas cheias de pessoas interessadas em bênçãos, curas, milagres e outras “ofertas”, se estas pessoas não forem nascidas de novo, se não forem de fato convertidas e transformadas. Como diria determinado pastor de uma denominação respeitada no Brasil “existem igrejas cheias de gente vazia”.

Antigamente ser crente era só ser crente, sem adjetivos adicionais. Muitos hoje são conhecidos com crentes mentirosos; crentes ladrões; crentes caloteiros; crentes fornicários; crentes adúlteros; crentes falsos; crentes marginais; crentes violentos; etc. (a lista é imensa).

E você? É crente?


Autor: Pr. Aécio Felismino da Silva

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A arte perdida do compromisso

Sem compromisso, nossa vida individualista será árida e estéril. Sem compromisso, nossas vidas ficarão sem sentido ou propósito

Certas características são tão inerentes ao cristianismo que negligenciá-las significa tornar-se um crente disforme. Uma delas é o compromisso. Um cristão sem compromisso é como um paradoxo. O descompromisso tem sido uma tendência na sociedade moderna. As pessoas estão cada vez menos comprometidas com suas responsabilidades, com seus empregadores e até com sua família. Carreira, casamento, amizade e até mesmo a fé – ou seja, valores enraizados na cultura ocidental – têm sido abalados ela falta de compromisso, sobretudo entre as pessoas mais jovens.

E a percepção não é apenas pela mera observação dos fatos e do comportamento das pessoas. Uma pesquisa feita em 2008 mostrou que mais da metade das pessoas com idades entre 20 e 24 anos estavam com seu empregador atual havia menos de um ano. O matrimônio, em especial, tem sofrido muito com esse quadro. De acordo com dados do último censo norte-americano, os adultos jovens estão se casando mais tarde do que nunca. Um documentário produzido pela PBS em 2006, intitulado A próxima geração, deu algumas dicas sobre o porquê dessa situação atual: desejo de aventura, interesse em progredir na carreira e permanência mais prolongada na adolescência.

A falta de compromisso também está atingindo duramente a religião. Estudos sugerem que a geração iPod chega ao cúmulo de escolher quais aspectos da fé deseja adotar para criar as suas próprias listas espirituais.  A religião passa a ser o mesmo, então, que uma lista de meros interesses pessoais.

Entre os jovens adultos de hoje, a falta de vontade de se comprometer é alarmante. Eles são filhos de uma geração que viveu o apogeu da contracultura, entre as décadas de 1960 e 70, e expressam tal sentimento em seu apogeu. Em 1979, o sociólogo Robert Bellah realizou extensas entrevistas e pesquisas para compreender os chamados “hábitos dos corações” dos americanos médios. Muitos deles não tinham nenhum senso de comunidade ou obrigação social e viam o mundo como um lugar fragmentado de escolha e de liberdade, sempre no objetivo de obter o máximo em realização e conforto pessoal. Instados a expressar alguma forma de compromisso com algo ou alguém além de si mesmos, a maioria quedou-se silente.

Bellah chamou este comportamento de “individualismo ontológico”, uma crença não codificada segundo a qual o indivíduo é a única fonte de significado. O estudioso previu então como essa atitude iria, com o passar do tempo, afetar a sociedade em geral e até a Igreja. Como se vê, acertou em cheio. Desde então, temos visto uma quase ininterrupta marcha em direção ao autofoco, afetando todas as nossas instituições, mas sobretudo o trabalho, o casamento e a família.

Os blocos básicos da construção de uma sociedade pode se corroer se não existir compromisso daqueles que a compõem. No caso da Igreja, é cada vez mais urgente ensinar isso. Afinal, como é possível pensar em ser cristão sem um compromisso voluntário e total com a pessoa de Jesus? Por outro lado, além das ramificações para a sociedade como um todo, quando tal compromisso é recusado o mesmo negligenciado, perde-se uma das grandes alegrias da vida. Quando focamos tudo sobre nós mesmos, perdemos o grande sentido da existência, que outro não é senão conhecer e servir a Deus e amar e servir a nosso próximo.

Isso ficou claro quando 33 cientistas pesquisadores investigaram a relação entre o desenvolvimento humano e da comunidade em um importante relatório chamado Hardwired to connect. A pesquisa revelou que o ser humano é biologicamente preparado para encontrar sentido através de relacionamentos. Depois de quase oito décadas de vida, posso testemunhar sobre isso. Minha alegria maior é dar-me aos outros e vê-los crescer como conseqüência disso. É impossível descobrir isso sem que tenha compromisso com alguém. A primeira vez que aprendi isso foi presenciando meus pais cuidarem de meus avós, de maneira amorosa e espontânea, até o fim de suas vidas.

Vi isso também quando estava no Corpo de Fuzileiros Navais. Lá, ensinava-se aos recrutas como eu que compromisso com o companheiro de farda é tudo. Aprendi que, uma vez em combate, eu certamente morreria se o homem mais próximo a mim não me cobrisse, e vice-versa.

Esse tipo de compromisso total, feito de amor um pelo outro, é o que precisa acontecer nas igrejas. Ao abandonar o compromisso, a nossa cultura narcisista perdeu a única coisa que procura desesperadamente: a felicidade.
Sem compromisso, nossa vida individualista será árida e estéril. Sem compromisso, nossas vidas ficarão sem sentido ou propósito. Afinal, se não se vale a pena morrer por nada, também não vale a pena viver. Mas, com o compromisso, vem o florescimento da sociedade – de vocação, do casamento, da Igreja – e dos nossos corações. Esse é o paradoxo de Jesus, tantas vezes compartilhado quando o Senhor nos oferece para vir e morrer, a fim de que possamos verdadeiramente viver.

Charles Colson & Catherine Larson

Fonte: Cristianismo Hoje 

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Unidade da Igreja de Cristo

Helder Flávio Gomes de Morais (helerfmorais@googlemail.com)
JesusSite


Panorâmica geral

Ao longo dos tempos a Igreja de Cristo tem vindo a ser alvo preferencial dos ataques do diabo que por todos os meios a tenta destruir. O diabo vem utilizando os crentes, pastores e as próprias igrejas para se lançarem umas contra as outras criando cisões, abandonos e destruições. O ladrão não vem, senão a roubar, matar e destruir (João 10:10). Na verdade também se aplica à Igreja de Cristo. Nos primórdios da Igreja constatamos as inúmeras perseguições, atentados, prisões e mortes perpetradas pelos detractores da doutrina de Cristo. Paulo foi um dos elementos que mais perseguiu a Igreja de Cristo e é o que mais ensinamentos nos deixa. Nessa época e porque era o início, os diferentes pontos de vista não eram assim tão visíveis. No entanto, uns discípulos diziam ser de Paulo, de Apolo, de Pedro etc., o que levou Paulo a esclarecer o assunto. Durante a Idade Média ocorreu um obscurantismo espiritual que quase reduziu a zero a obra de Cristo, até surgir a Reforma e recomeçar de novo a pregação do evangelho e o ensino das doutrinas de Cristo. Muito por causa daquele obscurantismo, houve necessidade de recomeçar tudo. Com a evolução dos acontecimentos, a Bíblia foi impressa, traduzida nas mais diversas línguas e surgem também diversas correntes de opinião sobre as Escrituras. O certo é que as Igrejas Cristãs pregam o Evangelho de Jesus Cristo. Umas dão mais ênfase a determinados mandamentos ou doutrinas, outros não lhes dão tanta relevância. Daí surge uma diferença de pontos de vista e que está na base das diversas denominações. Em tese, todas as pessoas têm a sua maneira de pensar e de interpretar determinado tema.

Seguramente se eu e outro crente dissertarmos sobre determinado tema, não utilizaremos as mesmas expressões nem colocaremos o enfoque nas mesmas personagens ou pontos de doutrina. Isso não quer dizer que o assunto central não seja exactamente o mesmo e que o resultado não seja o mesmo, explicado de maneiras diferentes. É esta diferença de expressão, de opinião e de condução que muitas pessoas se baseiam para formar grupos e criar denominações. Uns dão mais ênfase à salvação, outros ao baptismo, outros à cura; outros aos dons do Espírito Santo, outros ao sábado e ainda outros à prosperidade. Todos ensinam que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador e que com o Seu sacrifício vicário tornou-se a causa da salvação dos pecadores. No fundo o que mais interessa é que os pecadores sejam salvos. Uma vez salvos crescerão espiritualmente e desempenharão os seus papéis de acordo com os dons que o Espírito Santo distribuir a cada um para o que for útil.

Pergunta-se então: Porque criticar, denegrir e maldizer os restantes membros do corpo de Cristo?

“A verdade sempre teve os seus "falsificadores". Da mesma maneira que convém a todo cidadão reconhecer o dinheiro de seu país a fim de evitar problemas, assim devemos nós ser capazes de discernir a origem das diferentes doutrinas que nos são apresentadas. Cada uma delas deve ser submetida à prova (v. 1; 1 Tessalonicenses 5:21); a Palavra de Deus dá-nos o meio seguro para reconhecer as "notas falsas". As boas levam sempre o selo: Jesus Cristo veio em carne (v. 3). Boa Semente”.

Atualmente nota-se uma crescente crítica mordaz de uns contra os outros, igrejas contra igrejas em prejuízo da obra de Deus. Através de programas de televisão, de emissões de rádio ou de jornais, na internet, revistas e mesmo em tribunais a obra de Deus vem sendo destruída pelos próprios ministros de Deus. Será isto possível? Será loucura? Infelizmente é o que está a acontecer.

Vejamos o que diz o apóstolo Paulo sobre isto em I Coríntios 1:6:9: O irmão vai a juízo com o irmão, e isto perante infiéis. Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos irmãos. Não sabeis que os injustos não hão-de herdar o reino de Deus?

Críticas, Condenações e Divisões

Desde o início da era Cristã que existem críticas, condenações e divisões entre os crentes e que, afectam a obra de Deus. Paulo testifica em I Coríntios 5:6: Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Para melhor compreendermos, jactância tem entre outros os seguintes significados: bazófia, vanglória, soberba, ufania, arrogância e amor-próprio. E é o que alguns têm sido (quando se colocam contra os irmãos e a doutrina de Cristo); mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus (I Coríntios 6:11) e é o que se espera dos servos de Deus.

Certamente que as críticas não deixarão de existir por parte de ministros intolerantes e arrogantes. O receio de que outra igreja lhes leve os crentes está na base de tão acesa polémica. Das duas uma, ou estão receosos de perder o emprego e com isso o seu bem-estar, agindo com amor-próprio ou, realmente, não se deixam guiar pelo Espírito Santo. Lembro-me quando era jovem a Igreja que a minha família frequentava, não receava convidar pastores de outras denominações para fazerem campanhas de evangelização, findas as quais havia sempre muitas conversões e as relações entre as diferentes denominações se estreitavam com amor cristão. Não me parece que este tipo de relacionamento entre as igrejas se pratique muito hoje em dia. Cada um tem receio do outro, de ser roubado, como se ouve dizer. Por isso, criticam, deploram, incendeiam ânimos e afastam os crentes e recém-convertidos. Que lamentável, que tristeza verificar que irmãos em Cristo se digladiam ao invés de darem as mãos e colaborarem para o avanço da obra de Deus.

Dissensões nas Igrejas

Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado…que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós baptizados em nome de Paulo? (I Cor 3: 1). Dentro das próprias igrejas existem sempre o que vulgarmente se chamam de “ovelhas ranhosas”. São crentes que, por tudo e por nada, causam dissensões e divisões entre os irmãos, seja por calúnia, inveja, falso testemunho ou mesmo arrogância. Este tipo de pessoas consegue perturbar de tal maneira as igrejas que se dão algumas cisões. Uns ficam na igreja, outros procuram outra igreja, ou afastam-se ou ainda seguem o desordeiro para formar outra igreja. Igreja que não esteja baseada em Jesus Cristo é de barro, depressa se desfará. Infelizmente assisti a dois ou três casos que feriram a obra de Deus. Qual será o galardão para esses detractores da obra de Deus? Certamente que Deus os julgará. Hoje em dia assiste-se com mais frequência a esse tipo de insinuações muito pelo desplante dos pastores e da facilidade de comunicação. Uma das razões para que isso aconteça relaciona-se com a falta de chamada. A pessoa não sentiu a chamada para o Ministério. Sentiu um desejo ou uma oportunidade de se tornar pastor, faltando todo um suporte espiritual e de conhecimento da Palavra de Deus. Não frequentou o Seminário nem fez cursos bíblicos adequados. Assim como a semente lançada sobre pedregais que logo nasce e depressa morre por não ter raízes profundas, tais são aqueles que por uma emoção mais forte se querem dedicar à pregação do evangelho sem terem raízes e certezas da chamada do Mestre. São igrejas que podem transtornar os crentes ensinando doutrinas de homens.

E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? (I Cor 3). Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor. E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro (I Cor 4:5-6).

Lobos vestidos de Cordeiros

E a História repete-se. Existem e existirão sempre lobos vestidos com pele de cordeiro que transtornam casas inteiras com doutrinas de demónios. Existem e existirão falsos profetas que arrastarão muitos para a perdição. As pessoas acreditam que encontram soluções para os seus problemas e aderem a essas igrejas e acabam por se deixar iludir com falsas doutrinas. Uma vez enraizados naquela doutrina tentam arrastar mais pessoas consigo, na suposição de que estão certos e que ganharão o paraíso. O que aqui falo diz apenas respeito às igrejas e seitas que não se baseiam em Jesus Cristo, ainda que algumas delas utilizem o nome de Jesus. Mas se o Espírito Santo não os ilumina são igrejas ocas que conduzem à perdição. Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. E porque é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem (Mateus 7:12:14).

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7:15-20). E nesta loucura muitos se perdem…

Segue a advertência: Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne (Colosenses 2:18-23). "Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados." (2 Timóteo 3:13). E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Apoc. 18:4. Deixemos que seja Deus a tratar a desfazer as falsas igrejas e a depor os falsos profetas.

A unidade do corpo

Ora digam os detractores: Pé, não necessito de ti ou, olho não preciso de ti. Reparou que, ou é coxo ou é cego? Quem ousaria dizer tal absurdo contra o seu próprio corpo?

Mas é o que alguns têm sido…

Vejamos o que o apóstolo Paulo nos diz: Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfacto? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?

Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros (I Coríntios 12: 13-).

Ninguém terá dúvidas em aceitar como verdade o que Paulo ensina sobre a unidade do corpo. Todos nós devemos zelar pelo nosso corpo que é o tempo do Espírito Santo. Se cuidamos dele no dia a dia com desvelo para que seja sempre saudável, porque não o faríamos em relação ao corpo de Cristo. É dever de todo o crente zelar pelo corpo de Cristo e pela sua unidade.

Correlação entre o corpo e a Igreja de Cristo

Ora, vós sois corpo de Cristo, e seus membros em particular (1 Coríntios 12:27).
“Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Romanos 12:4-5). Outras passagens, como 1 Coríntios 12 e Efésios 4:11-16, enfatizam a mesma verdade. (Romanos 12:3-8). Não teremos de igual forma, zelo pelo corpo de Cristo? Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Por certo que alguns maltratam, hostilizam ou dividem o corpo para demonstrar determinada arrogância ou falta de auto estima. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele (I Cor 12).

Qual será então a razão pela qual os membros do corpo de Cristo se dividem, se hostilizam, se ferem e se maltratam? Não será isto obra satânica para dividir o corpo de Cristo? Deixo aos detractores o alerta para que revejam a sua conduta no seio do corpo de Cristo. Porquê? Ouçamos o conselho de Gamaliel em Actos 5: 34: Levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo…e disse-lhes: … acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens... digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.

Ainda em I Cor 3: 10:17: Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício… a obra de cada um se manifestará. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão, se a obra de alguém se queimar sofrerá detrimento. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. Portanto acautelai-vos dos falsos profetas que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7:20).

A Igreja de Jesus Cristo

Pedro ensina que “cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. (1 Pedro 4:10) Notemos a diversidade dos dons: todos temos recebido algum dom e somos convidados a utilizá-lo, conscientes da graça de Deus que nos foi dada. Mas também é fundamental que cada um “não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Romanos 12:3; 2 Coríntios 10:13). Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? São todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente ( I Cor 12: 4-31).

Que ensinamentos podemos retirar?

João disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demónios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós (Marcos 9:38:40). Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há-de vir, e eis que já está no mundo (I João 4:1-3).
Porque então existe esta guerra entre as diversas denominações das igrejas de Cristo?
A quem serve todas essas dissensões. Porque então caluniar, denegrir e julgar aqueles por quem Cristo morreu?

Irmãos não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão e julga a seu irmão, fala mal da lei e julga a lei; e se julgas a lei não és observador mas juiz. Há um só legislador e um juiz que pode salvar ou destruir. Tu, porém, quem és que julgas a outrem? Tiago 4:11-12.

Cabe a responsabilidade a cada um de nós em obedecer à vontade de Deus.


Helder Flávio Gomes de Morais
Servo do Deus Altíssimo


Fonte: Jesus Site