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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Jesus Cristo, Superstar

Após dois mil anos, ensinamentos do Filho de Deus continuam influenciando o comportamento, o mundo corporativo, a mídia e a academia em plena era da informação

A primeira década do século 21 já está se acabando e, apesar do que arautos da modernidade apregoaram, Jesus Cristo continua em alta. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, caso estivesse vivo, ficaria decepcionado ao perceber que o Deus dos cristãos não morreu, conforme vaticinou. Se existe um personagem da História que nunca deixa de ser exaustivamente escrutinado esse é o pregador de Nazaré. Mais de dois mil anos se passaram, e seus ensinos ainda são objeto de estudo de intelectuais que se envolvem com interesse renovado nas mesmas discussões, controvérsias e debates em torno do Messias. Não foge a esta regra o mundo publicitário, o cinema, a televisão e a internet – e, quem diria, até a alta tecnologia contemporânea rende-se ao carisma inigualável do Filho de Deus. Enfim, a indústria do consumo “adora” Jesus, desde que fature bem. Devotos, ateus, intelectuais ou teólogos, cada um tem seu motivo para dissertar a respeito do Cristo, mesmo que o consenso acerca dele pareça mesmo impossível.
Contrariando completamente todos os postulados que relegam a religiosidade a um papel ignominioso na celebrada sociedade da informação, as eternas palavras de Jesus e seu estilo de vida também contribuem para o sucesso empresarial. Suas verdades têm sido fontes perenes e consistentes de subsídios na formulação das melhores práticas corporativas, especialmente nas estratégias para uma boa liderança. Que dizer, então, dos incontáveis livros de auto-ajuda cuja base é ninguém menos que o Salvador do mundo? O rabi da Galiléia também tem sido citado em palestras motivacionais, é tema de estudos neurolingüísticos e visto como modelo de gestor de pessoas. Para se usar um termo da moda, Cristo está cada vez mais essencial.
O mundo corporativo já percebeu isso faz tempo – e, mesmo que trazer a figura do Mestre para dentro da empresa não signifique, necessariamente, a conversão pessoal dos funcionários, os benefícios dessa parceria divina são muitos. “Assim como Cristo fez, ensinamos os líderes a serem servos, a entender e ouvir as pessoas”, aponta Eucimar Almeida, chairman para a América Latina da Strides Arcolab Limited, multinacional indiana que formou join-venture com a brasileira Cellofarm. “Procuramos usar de forma justa aquilo que ele sempre ensinou, ou seja: liderar com sabedoria, conciliar diferenças e jamais se omitir diante do erro.” Segundo ele, a Bíblia tem sido usada como parâmetro na empresa. “Depois que colocamos Cristo como ensinador e Mestre, o resultado tem sido extremamente significativo. Adotando métodos inspirados no que ele pregou, transformamo-nos na quinta maior indústria de medicamentos hospitalares do Brasil e estamos hoje em 12 países”, comemora o executivo.

Ensinamentos ‘cristomizáveis’– Outro que fez semelhante combinação foi Adilson Xavier, presidente da agência de publicidade Giovanni+Draftfcb, empresa sediada em São Paulo e com filiais em várias cidades brasileiras. O executivo encontra diversos paralelos entre a vida que Cristo viveu aqui na Terra com a realidade do mercado publicitário. Em agosto, Xavier lançou um livro no qual enfatiza que Jesus foi o comunicador mais eficiente de todos os tempos, “com formulações brilhantes e uma capacidade extraordinária de empolgar o público”, descreve. O autor, em O Deus da Criação, transformou os dez mandamentos, um dos trechos mais lidos e apreciados das Sagradas Escrituras, em um briefing do Todo-Poderoso para Moisés, onde constam até dicas para um brainstorm (termo que designa o processo criativo) eficiente numa agência de propaganda.
Aliás, achar soluções criativas para cada tipo de consumidor e oferecer-lhe produtos exclusivos, a chamada customização, tem ganhado uma nova versão, que bem poderia ser denominada “cristomização”. Esta também é a tática empresarial da corporação americana de TI, Apple, que lançou seu mundialmente badalado dispositivo móvel, o IPhone. O comercial no qual era anunciado o lançamento do produto começava, sugestivamente, com um céu cheio de nuvens, onde aparecia a inscrição Jesus Christ it’s coming (“Jesus Cristo vem”). A partir daí, o Senhor aparece como garoto-propaganda do celular 3G (terceira geração). Numa referência à tecnologia, que sempre se apresenta como algo poderoso e desejável, a novidade foi batizada como Jesus IPhone. Quem disse que a fé não pode ser high-tech?
Mas se o mercado se utiliza largamente da imagem de Jesus para vender produtos, o inverso também ocorre. Perry Noble, pastor da Newspring Church, igreja localizada em Anderson, Carolina do Sul (EUA), publicou em seu blog o inusitado artigo Jesus versus the I-Phone. Noble recomenda que, assim como o Xbox360 da Apple, os cristãos devem tornar Jesus disponível em todo lugar. Ele argumenta que a empresa, além de manter a simplicidade e universalizar seu produto, também maximiza o uso das tecnologias que fabrica. “Se a Apple pode lançar mão de tecnologia para causar um tremendo barulho em torno de seu telefone pessoal” – diz o religioso – “por que a Igreja não poderia fazer o mesmo? Jesus não é mais relevante que um IPhone?”, questiona. O líder da Newspring Church salienta ainda que essa companhia também conseguiu gerar grande expectativa em torno do lançamento de seu gadget digital. “Para todo lado que me virava, ouvia falar sobre o IPhone. Aqui é onde o cristianismo deveria usar o mesmo trunfo da Apple, e anunciar que o túmulo de Jesus está vazio. Cristo e sua Igreja são as coisas mais animadoras que surgiram no planeta, mas os cristãos ficaram dois mil anos tornando isso enfadonho e irrelevante”, critica.
Se a falta de entusiasmo de alguns seguidores do Senhor vem afetando negativamente a divulgação de sua mensagem, existe um outro extremo que os bens de consumo não podem satisfazer – afinal, o que estaria motivando indivíduos esclarecidos, e até muitos cientistas respeitados, a investigar a natureza da pessoa de Jesus com tanto afinco? “Cada geração tem uma conjuntura de idéias, fatos e modos de produção próprios. Isso exige que os homens repensem seu tempo e façam perguntas à eternidade e à história”, lembra Robinson Cavalcanti, bispo da Diocese Anglicana de Recife (PE). “A história da humanidade foi dividida em antes e depois de Cristo porque as pessoas sempre voltam a questionar sobre ele. Independente de o indivíduo ser intelectual, PhD ou alguém sem instrução, sempre será um ser humano e tem necessidade de fazer perguntas essenciais básicas”, avalia. “Não devemos separar rigidamente o Jesus histórico do Cristo de Deus. O que tem atraído a humanidade é justamente a riqueza da natureza de Jesus. Ter ao mesmo tempo palavras de diálogo com a mulher samaritana e um duro discurso contra certas instituições estabelecidas demonstra bem seu valor. O Jesus histórico, um personagem rico, não esgota o Cristo de Deus.

Necessidade de Deus – Mesmo assim, essa devoção a Jesus tem sido uma incógnita para muitos, simplesmente pelo fato de ainda existir gente que o adora e diz falar com ele todos os dias. É de se perguntar, então, o porquê de essa busca espiritual continuar tão intensa em pleno terceiro milênio, uma era de materialismo exacerbado e falência da religiosidade tradicional. Segundo o doutor em biofísica molecular e professor de teologia na Universidade de Oxford,  no Reino Unido, Alister MacGrath, tal anseio é sintomático: “A sede humana indica necessidade de água”, resume. Junto com a mulher, Joanna, ele é autor do livro O delírio de Dawkins – Uma resposta ao fundamentalismo ateísta de Richard Dawkins (Mundo Cristão), onde combatem a idéia de que a existência de Deus é mera questão intelectual.
Longe da filosofia e das discussões acadêmicas, para aqueles que o seguem Jesus tem sua melhor performance – a de Salvador. Muito mais que entender seu papel histórico ou o legado de sua obra perante o mundo moderno, os fiéis o vêem como alguém digno de ser amado e adorado. E o que ele significa para gente assim? “Tudo!”, responde com entusiasmo a dona de casa Noir da Silva, 49 anos. Evangélica há 20 anos, ela é uma mulher de humor contagiante que decidiu construir junto com o marido, o pastor Sidnei Silva, 45, uma igreja no bairro do Paraíso, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. “Ele trouxe vida ao meu coração”, declara Noir, que não esquece de mencionar os benefícios que diz ter recebido de Cristo: “Ele me ajudou durante uma gravidez difícil, salvou minha filha de um acidente automobilístico quando tinha oito anos e está recuperando a memória de meu pai, que é doente mental”, enumera, com uma fé simples. “Quando precisamos de socorro, clamamos a Jesus. Jesus, Jesus!”, brada.
Pois com Jesus no coração e uma idéia na cabeça, o casal conseguiu adquirir um terreno, erguendo do nada o que é hoje a Igreja Pentecostal Vale de Beraca, além de uma casa com dois andares. A ajuda esporádica surgia tão somente de algumas pessoas recém-chegadas a seu pequeno ponto de pregação – a maior parte, porém, partiu de investimentos da própria família. Segundo Noir, dentre os freqüentadores da congregação há quem, no passado, teve experiências com o submundo do tráfico e da prostituição; outros foram presidiários. Tipos que passaram a compor uma seleta comunidade que, além de ter se redimido, sequer lembram qualquer coisa parecida com a vida que levavam. Noir, que é vice-líder da igreja, tratou de apóia-los espiritualmente, psicologicamente e até com abrigo, comida e, às vezes, algum dinheiro. “Sempre tive vontade de ajudar os outros, e essa foi uma forma que encontrei de encontrar realização e ao mesmo tempo ser grata a Jesus”, diz.
Assim como Noir que, por se dedicar à causa social e espiritual em tributo a Cristo, não abre mão de recorrer a ele nas horas aflitivas, milhões de pessoas no mundo inteiro ainda não depositam todas as suas fichas na ciência como solução final para a humanidade. A explicação para isso, conforme avalia Ricardo Bitun, professor de sociologia e antropologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, vem de longe: “Muito do pensamento contemporâneo deriva dos iluministas, mas também tem forte influência do positivismo de Augusto Comte. Durante um bom tempo achou-se que a sociedade industrial cresceria a tal ponto que os mistérios da vida iriam desaparecer com o avanço da ciência”, destaca. Ledo engano. “Após a Segunda Guerra Mundial, a religião não desapareceu – pelo contrário, se revitalizou, pois as pessoas precisavam achar respostas para toda aquela crise, e isso ficou bem claro”, explica o especialista. “Claro que a ciência tem valor, mas uma coisa não exclui a outra”, conclui. Com título de doutor, Bitun é um intelectual que não abre mão da fé, já que também é pastor da Igreja Manain, naquela cidade. Ou seja, conhece muito bem os dois mundos de que está falando.


Paixão e polêmica na telona

Não é de hoje que a figura de Jesus Cristo inspira a cultura de massa. Ao longo de todo o século 20, diversos cineastas, produtores e distribuidores apostaram na popularidade da maior personalidade da História para conquistar multidões de espectadores e fortunas de bilheteria. Desde a popularização do cinema como a sétima arte, ele já foi retratado de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Quase sempre, cineastas e atores mantiveram uma certa reverência ao levar o Senhor para as telas, mas algumas produções chegaram a ser consideradas verdadeiras blasfêmias. Já em 1912, o filme Da manjedoura à cruz, em cinema mudo, emocionou as platéias,  apesar da precariedade técnica. Quatro anos depois, Intolerância, do diretor D.W.Griffith, já pôde ser considerada uma superprodução para a época, ao mostrar lances dramáticos da paixão de Cristo. Em 1927, foi a vez de Cecil B.de Mille criar a sua versão cinematográfica do Filho de Deus. O resultado é de fazer rir – Rei dos reis, em película preta e branca,é protagonizado por um Jesus louro, maquiado, de cabelos alisados à base de gomalina, perfil impensável para um judeu que viveu na empoeirada Galiléia do primeiro século.
Pier Paolo Pasolini ambientou a Palestina na sua Itália para rodar O Evangelho segundo São Mateus. O filme, de 1964, não é dos piores. Mas Enrique Irazoqui conseguiu roubar a cena, na pior acepção da palavra. Irascível e rude com seus discípulos e com quem encontrasse pelo caminho, o Cristo de Pasolini nada tinha a ver com quem é descrito pela Bíblia como “manso e humilde de coração”. Foi só na década seguinte que os filmes sobre a vida, paixão e obra de Jesus ganharam apuro técnico, fidedignidade aos evangelhos e revelaram grandes performances na telona. Considerado por muitos como o melhor do gênero, Jesus de Nazaré, de 1977, foi uma megaprodução do gênio Franco Zefirelli. Extremamente fiel aos textos bíblicos, o filme trouxe o ator Robert Powell magistral no papel-título. Com cenas que se tornaram antológicas, como os closes em contraluz, figurinos e locações impecáveis, Jesus de Nazaré virou um clássico.

Jesus em mil idiomas – Outro filme de muito sucesso é Jesus, produzido e distribuído mundialmente pela Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo com objetivos exclusivamente evangelísticos. Mas ninguém pense que a coisa é amadorística – ao contrário, Jesus, finalizado em 1979 com orçamento baixíssimo para os padrões do cinema, encanta pela emoção de suas cenas. Com versões dubladas para mais de mil línguas e dialetos, Jesus já foi assistido, segundo seus produtores, por mais de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo. O filme tem sido veiculado também no Brasil, em cruzadas e campanhas evangelísticas. Outros cineastas preferiram seguir um caminho, digamos, menos ortodoxo ao tratar do tema. Jesus Cristo superstar, musical de Andrew Lloyd Webber, estreou em 1973 e virou cult ao tratar o Evangelho no auge da contracultura hippie. A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese, trouxe Willian Dafoe na pele de um Cristo atormentado por paixões carnais e Je vou salus, Marie, assinado por Jean-Luc Godard,chegou a ser condenado pelo Vaticano ao sugerir que Maria nada tinha de santa.
Bem mais sério é A Paixão de Cristo, dirigido por Mel Gibson, que estreou em 2003 e provocou forte impacto e muita polêmica. O impacto ficou por conta das cenas de um realismo impressionante. Jim Caviezel, o Jesus escolhido por Gibson, é submetido a um massacre tão intenso que muitos espectadores chegaram a passar mal. E a polêmica ficou por conta da reação dos judeus, indignados com o papel de vilões que supostamente a história lhes imputa. Tudo para confirmar as palavras do próprio Cristo, registradas no evangelho de Lucas, 12.51: “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão”.

Fonte: Cristianismo Hoje

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Unidade da Igreja de Cristo

Helder Flávio Gomes de Morais (helerfmorais@googlemail.com)
JesusSite

Panorâmica geral

Ao longo dos tempos a Igreja de Cristo tem vindo a ser alvo preferencial dos ataques do diabo que por todos os meios a tenta destruir. O diabo vem utilizando os crentes, pastores e as próprias igrejas para se lançarem umas contra as outras criando cisões, abandonos e destruições. O ladrão não vem, senão a roubar, matar e destruir (João 10:10). Na verdade também se aplica à Igreja de Cristo. Nos primórdios da Igreja constatamos as inúmeras perseguições, atentados, prisões e mortes perpetradas pelos detractores da doutrina de Cristo. Paulo foi um dos elementos que mais perseguiu a Igreja de Cristo e é o que mais ensinamentos nos deixa. Nessa época e porque era o início, os diferentes pontos de vista não eram assim tão visíveis. No entanto, uns discípulos diziam ser de Paulo, de Apolo, de Pedro etc., o que levou Paulo a esclarecer o assunto. Durante a Idade Média ocorreu um obscurantismo espiritual que quase reduziu a zero a obra de Cristo, até surgir a Reforma e recomeçar de novo a pregação do evangelho e o ensino das doutrinas de Cristo. Muito por causa daquele obscurantismo, houve necessidade de recomeçar tudo. Com a evolução dos acontecimentos, a Bíblia foi impressa, traduzida nas mais diversas línguas e surgem também diversas correntes de opinião sobre as Escrituras. O certo é que as Igrejas Cristãs pregam o Evangelho de Jesus Cristo. Umas dão mais ênfase a determinados mandamentos ou doutrinas, outros não lhes dão tanta relevância. Daí surge uma diferença de pontos de vista e que está na base das diversas denominações. Em tese, todas as pessoas têm a sua maneira de pensar e de interpretar determinado tema.

Seguramente se eu e outro crente dissertarmos sobre determinado tema, não utilizaremos as mesmas expressões nem colocaremos o enfoque nas mesmas personagens ou pontos de doutrina. Isso não quer dizer que o assunto central não seja exactamente o mesmo e que o resultado não seja o mesmo, explicado de maneiras diferentes. É esta diferença de expressão, de opinião e de condução que muitas pessoas se baseiam para formar grupos e criar denominações. Uns dão mais ênfase à salvação, outros ao baptismo, outros à cura; outros aos dons do Espírito Santo, outros ao sábado e ainda outros à prosperidade. Todos ensinam que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador e que com o Seu sacrifício vicário tornou-se a causa da salvação dos pecadores. No fundo o que mais interessa é que os pecadores sejam salvos. Uma vez salvos crescerão espiritualmente e desempenharão os seus papéis de acordo com os dons que o Espírito Santo distribuir a cada um para o que for útil.

Pergunta-se então: Porque criticar, denegrir e maldizer os restantes membros do corpo de Cristo?
“A verdade sempre teve os seus "falsificadores". Da mesma maneira que convém a todo cidadão reconhecer o dinheiro de seu país a fim de evitar problemas, assim devemos nós ser capazes de discernir a origem das diferentes doutrinas que nos são apresentadas. Cada uma delas deve ser submetida à prova (v. 1; 1 Tessalonicenses 5:21); a Palavra de Deus dá-nos o meio seguro para reconhecer as "notas falsas". As boas levam sempre o selo: Jesus Cristo veio em carne (v. 3). Boa Semente”.

Atualmente nota-se uma crescente crítica mordaz de uns contra os outros, igrejas contra igrejas em prejuízo da obra de Deus. Através de programas de televisão, de emissões de rádio ou de jornais, na internet, revistas e mesmo em tribunais a obra de Deus vem sendo destruída pelos próprios ministros de Deus. Será isto possível? Será loucura? Infelizmente é o que está a acontecer.

Vejamos o que diz o apóstolo Paulo sobre isto em I Coríntios 1:6:9: O irmão vai a juízo com o irmão, e isto perante infiéis. Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos irmãos. Não sabeis que os injustos não hão-de herdar o reino de Deus?

Críticas, Condenações e Divisões

Desde o início da era Cristã que existem críticas, condenações e divisões entre os crentes e que, afectam a obra de Deus. Paulo testifica em I Coríntios 5:6: Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Para melhor compreendermos, jactância tem entre outros os seguintes significados: bazófia, vanglória, soberba, ufania, arrogância e amor-próprio. E é o que alguns têm sido (quando se colocam contra os irmãos e a doutrina de Cristo); mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus (I Coríntios 6:11) e é o que se espera dos servos de Deus.

Certamente que as críticas não deixarão de existir por parte de ministros intolerantes e arrogantes. O receio de que outra igreja lhes leve os crentes está na base de tão acesa polémica. Das duas uma, ou estão receosos de perder o emprego e com isso o seu bem-estar, agindo com amor-próprio ou, realmente, não se deixam guiar pelo Espírito Santo. Lembro-me quando era jovem a Igreja que a minha família frequentava, não receava convidar pastores de outras denominações para fazerem campanhas de evangelização, findas as quais havia sempre muitas conversões e as relações entre as diferentes denominações se estreitavam com amor cristão. Não me parece que este tipo de relacionamento entre as igrejas se pratique muito hoje em dia. Cada um tem receio do outro, de ser roubado, como se ouve dizer. Por isso, criticam, deploram, incendeiam ânimos e afastam os crentes e recém-convertidos. Que lamentável, que tristeza verificar que irmãos em Cristo se digladiam ao invés de darem as mãos e colaborarem para o avanço da obra de Deus.

Dissensões nas Igrejas

Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado…que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós baptizados em nome de Paulo? (I Cor 3: 1). Dentro das próprias igrejas existem sempre o que vulgarmente se chamam de “ovelhas ranhosas”. São crentes que, por tudo e por nada, causam dissensões e divisões entre os irmãos, seja por calúnia, inveja, falso testemunho ou mesmo arrogância. Este tipo de pessoas consegue perturbar de tal maneira as igrejas que se dão algumas cisões. Uns ficam na igreja, outros procuram outra igreja, ou afastam-se ou ainda seguem o desordeiro para formar outra igreja. Igreja que não esteja baseada em Jesus Cristo é de barro, depressa se desfará.

Infelizmente assisti a dois ou três casos que feriram a obra de Deus. Qual será o galardão para esses detractores da obra de Deus? Certamente que Deus os julgará. Hoje em dia assiste-se com mais frequência a esse tipo de insinuações muito pelo desplante dos pastores e da facilidade de comunicação. Uma das razões para que isso aconteça relaciona-se com a falta de chamada. A pessoa não sentiu a chamada para o Ministério. Sentiu um desejo ou uma oportunidade de se tornar pastor, faltando todo um suporte espiritual e de conhecimento da Palavra de Deus. Não frequentou o Seminário nem fez cursos bíblicos adequados. Assim como a semente lançada sobre pedregais que logo nasce e depressa morre por não ter raízes profundas, tais são aqueles que por uma emoção mais forte se querem dedicar à pregação do evangelho sem terem raízes e certezas da chamada do Mestre. São igrejas que podem transtornar os crentes ensinando doutrinas de homens.

E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? (I Cor 3). Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor. E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro (I Cor 4:5-6).

Lobos vestidos de Cordeiros

E a História repete-se. Existem e existirão sempre lobos vestidos com pele de cordeiro que transtornam casas inteiras com doutrinas de demónios. Existem e existirão falsos profetas que arrastarão muitos para a perdição. As pessoas acreditam que encontram soluções para os seus problemas e aderem a essas igrejas e acabam por se deixar iludir com falsas doutrinas. Uma vez enraizados naquela doutrina tentam arrastar mais pessoas consigo, na suposição de que estão certos e que ganharão o paraíso. O que aqui falo diz apenas respeito às igrejas e seitas que não se baseiam em Jesus Cristo, ainda que algumas delas utilizem o nome de Jesus. Mas se o Espírito Santo não os ilumina são igrejas ocas que conduzem à perdição. Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. E porque é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem (Mateus 7:12:14).

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7:15-20). E nesta loucura muitos se perdem…

Segue a advertência: Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne (Colosenses 2:18-23). "Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados." (2 Timóteo 3:13). E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Apoc. 18:4. Deixemos que seja Deus a tratar a desfazer as falsas igrejas e a depor os falsos profetas.

A unidade do corpo

Ora digam os detractores: Pé, não necessito de ti ou, olho não preciso de ti. Reparou que, ou é coxo ou é cego? Quem ousaria dizer tal absurdo contra o seu próprio corpo?

Mas é o que alguns têm sido…

Vejamos o que o apóstolo Paulo nos diz: Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfacto? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?

Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros (I Coríntios 12: 13-).

Ninguém terá dúvidas em aceitar como verdade o que Paulo ensina sobre a unidade do corpo. Todos nós devemos zelar pelo nosso corpo que é o tempo do Espírito Santo. Se cuidamos dele no dia a dia com desvelo para que seja sempre saudável, porque não o faríamos em relação ao corpo de Cristo. É dever de todo o crente zelar pelo corpo de Cristo e pela sua unidade.

Correlação entre o corpo e a Igreja de Cristo

Ora, vós sois corpo de Cristo, e seus membros em particular (1 Coríntios 12:27).

“Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Romanos 12:4-5). Outras passagens, como 1 Coríntios 12 e Efésios 4:11-16, enfatizam a mesma verdade. (Romanos 12:3-8). Não teremos de igual forma, zelo pelo corpo de Cristo? Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Por certo que alguns maltratam, hostilizam ou dividem o corpo para demonstrar determinada arrogância ou falta de auto estima. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele (I Cor 12).


Qual será então a razão pela qual os membros do corpo de Cristo se dividem, se hostilizam, se ferem e se maltratam? Não será isto obra satânica para dividir o corpo de Cristo? Deixo aos detractores o alerta para que revejam a sua conduta no seio do corpo de Cristo. Porquê? Ouçamos o conselho de Gamaliel em Actos 5: 34: Levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo…e disse-lhes: … acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens... digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.

Ainda em I Cor 3: 10:17: Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício… a obra de cada um se manifestará. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão, se a obra de alguém se queimar sofrerá detrimento. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. Portanto acautelai-vos dos falsos profetas que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7:20).

A Igreja de Jesus Cristo

Pedro ensina que “cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. (1 Pedro 4:10) Notemos a diversidade dos dons: todos temos recebido algum dom e somos convidados a utilizá-lo, conscientes da graça de Deus que nos foi dada. Mas também é fundamental que cada um “não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Romanos 12:3; 2 Coríntios 10:13). Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? São todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente ( I Cor 12: 4-31).

Que ensinamentos podemos retirar?

João disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demónios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós (Marcos 9:38:40). Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há-de vir, e eis que já está no mundo (I João 4:1-3).

Porque então existe esta guerra entre as diversas denominações das igrejas de Cristo?

A quem serve todas essas dissensões. Porque então caluniar, denegrir e julgar aqueles por quem Cristo morreu?

Irmãos não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão e julga a seu irmão, fala mal da lei e julga a lei; e se julgas a lei não és observador mas juiz. Há um só legislador e um juiz que pode salvar ou destruir.

Tu, porém, quem és que julgas a outrem? Tiago 4:11-12.

Cabe a responsabilidade a cada um de nós em obedecer à vontade de Deus.

Helder Flávio Gomes de Morais
Servo do Deus Altíssimo

Fonte: Jesus Site

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Os dois malfeitores

"Como explicar Mateus 27.44 e Marcos 15.32, onde se diz que os dois malfeitores crucificados com Jesus o injuriavam, e blasfemavam contra Ele, com Lucas 23.39,40, que afirma ser um só o blasfemador, e o outro não, antes censurava seu companheiro em defesa do Senhor, a quem fez o célebre pedido: 'Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino'?"

Não há dificuldade em conciliar estas passagens. Os evangelhos não foram escritos ao mesmo tempo, nem no mesmo local, nem destinados às mesmas pessoas: Mateus, por exemplo, apresenta Jesus como o Messias, e foi endereçado primeiramente aos judeus; Marcos apresenta o Senhor como Maravilhoso, e destinou-se aos gentios; Lucas mostra o Mestre como o Filho do homem, e teve endereço pessoal a Teófilo; João mostra o Salvador como o Filho de Deus, e é o Evangelho Teológico destinado a todos os crentes. Mateus e João foram apóstolos e tiveram a oportunidade de ver e ouvir melhor tudo o que se passou com Jesus, pois conviveram com Ele por mais de três anos; Lucas e Marcos não foram apóstolos. Para escrever seu evangelho, Lucas só o fez depois de haver-se "informado minuciosamente de tudo desde o princípio", 1.3. De Marcos, se diz que foi informado do que conhecera pelo apóstolo Pedro, talvez por não possuir conhecimento e instrução suficiente do que ocorrera. É uma verdade conhecida que duas ou mais pessoas, ao presenciarem o mesmo fato, divergem, ao descrevê-lo, mas essa divergência, quando não prometida, é benéfica, pois completa a descrição.

De fato, os Evangelhos foram escritos sem prévia combinação entre seus escritores. Desse modo, um descreve um fato que o outro não narra. Mateus e Marcos deram ênfase a que os dois ladrões que estavam sendo crucificados com Jesus blasfema-vam e zombavam. E isso foi verdade, porque ambos estavam revoltados, pois julgavam que a crucificação de Jesus apressara a própria crucificação deles. Lucas, por sua vez, relata o sucedido, ou seja, a conversão de um dos malfeitores, enquanto o outro continuou com o coração endurecido e fechado para a grandiosidade da obra que presenciava. A descrição dessa minúcia que completou o ocorrido no Calvário foi citado pelo médico amado, Lucas, visto que se informara "minuciosamente de tudo". Desejamos enfatizar que esse comentário em nada contraria a inspiração divina das Escrituras. Na inspiração Deus usou também a ação dos escritores bíblicos. Uma prova irrefutável disso são as próprias palavras de Lucas já citadas: "Havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio". Deus usou ainda a idéia do escritor, a sua instrução, os seus conhecimentos, etc. Pedro, o pescador, não poderia jamais ser usado para descrever a sublimidade do Evangelho e a sua eficácia, como o foi Paulo, o apóstolo. Mas Deus, pela inspiração, fez com que a ação, o pensamento, a instrução do escritor bíblico fossem adaptados a revelar unicamente o plano divino, ao escoimá-lo de qualquer sombra de erro.

Fonte: Livro "A Bíblia Responde" Editora CPAD

Fonte: Ministério CACP 

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Importância da Doutrina

Rev. Ronald Hanko



A doutrina não mais é altamente estimada. Em muitas igrejas evangélicas, há uma tamanha ignorância de doutrina que até mesmo os fundamentos do Cristianismo não são bem conhecidos. Mesmo em igrejas que permanecem fiéis em seu ensino e pregação, há freqüentemente pouco interesse em aprender e entender doutrina. Os jovens ficam, na maior parte, entediados com ela, e os seus anciões ficam contentes com um conhecimento superficial das doutrinas da fé Reformada.
Muito freqüentemente o sintoma dessa carência de doutrina é uma constante agitação por pregação e ensino mais "prático," juntamente com uma grande ênfase na liturgia e outras partes do culto de adoração, até que o sermão fique totalmente comprimido. Da parte dos pregadores, encontramos menos e menos exposição bíblica e mais e mais ilustrações, historinhas e entretenimento.
Sintomático da indiferença doutrinária na vida privada do povo de Deus é o completo desinteresse em ler bons livros e periódicos Reformados. Em alguns casos, esses são comprados, mas não lidos; em outros, não há interesse suficiente nem mesmo para comprá-los. Se alguma leitura é feita, ela é superficial, na maioria das vezes do tipo "como conseguir …" Quase nada de substância é lido, e a maioria consideraria um livro de doutrina muito profundo a despeito do fato que seus pais e avós, que tinham bem menos educação, não somente foram capazes de ler teologia, mas ler extensamente e muito bem.
Se a igreja e a vida do povo de Deus hão de ser resgatados da superficialidade, do declínio, e de todas as tribulações que nos afligem hoje, deve haver um retorno à doutrina. Como prova, não precisamos ir mais longe que a grande Reforma do século dezesseis. Acima de tudo, a Reforma foi um retorno à doutrina—às doutrinas da justificação pela fé somente, da graça soberana, da igreja, e dos sacramentos. Sem um interresse em doutrina ou um retorno a ela, não podemos nem mesmo esperar um reavivamento e renovação na igreja.
Em II Timóteo 3:16-17 a Palavra de Deus nos diz que a Escritura é proveitosa para muitas coisas, mas para doutrina em primeiro lugar. De fato, se não nos ensinasse primeiro a doutrina, ela não seria proveitosa para repreensão, correção e educação na justiça. Para tudo isso, a doutrina não é apenas primária, mas também fundacional.
A Escritura enfatiza a importância da doutrina de outras formas. Aprendemos de João 17:3 que o conhecimento de Deus e de Jesus Cristo é a vida eterna. Nada é mais importante que isso. A doutrina, propriamente ensinada, entendida e crida, é esse conhecimento de Deus e de seu Filho. Esse é o ensino de toda a Escritura. "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim" (João 5:39).
Portanto, prestemos atenção à doutrina. Ela não é a província apenas dos teólogos, mas de todo aquele que deseja a vida eterna. Não deixemos a doutrina de lado em interesse de assuntos mais "práticos," mas entendamos que a doutrina repreende, corrige e ensina o caminho da justiça. Sobretudo, ela nos coloca face a face com o próprio Deus vivo, em quem vivemos, nos movemos e temos a nossa existência. Ficar sem doutrina é ficar sem Deus.

Fonte (original): Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, pp. 3-4.