sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Livre pra amar

Amar é tão intrísico a pessoa humana como é a própria vida. Mas como se pode amar alguém quando não se é digno de si mesmo? Quando não se respeita na sua inteireza, quando esquece de si mesmo no sentido da perda da sua própria identidade, ou até mesmo do seu caráter? É se lançar no espaço escuro como um moribundo, sem ação, sem sentido, negligenciando a si mesmo? Amor real é aquele amor altruísta, que se abre inteiramente. É a capacidade do cancelamento do seu eu pelo do outro. Amar é mistério, às vezes, incompreensível, mas fascina como ninguém, resiste e tem esperança. É abstrato, mas é objetivo. É singelo, mas agressivo no seu sentido. É simplesmente amor, pela vida, pelas coisas da vida, por si mesmo, por Deus, pelo outro, por todos. É total, pleno, completa-se a si mesmo, isso é amar.

Autor: Pr. Eliezer Alves de Assis
Fonte: Blog do Pr. Eliezer Alves de Assis

vida acadêmica e docência




PROFESSOR ELIEZER ALVES DE ASSIS

Eliezer Alves de Assis Graduou-se em Teologia no Centro de Estudos Teológicos do Rio de Janeiro em 1996. De 1997 – 1999, adquiriu o grau acadêmico de “Mestrado em Ciências da Religião”, conferido pela Escola Preparatória de Obreiros Evangélicos (EPOE-RJ), com a dissertação: O Contexto Sócio-religioso da Literatura Apocalíptica. Uma literatura de resistência religiosa. Em 2001-2002 dedicou-se ao estudo do Grego Bíblico na Associação Cristã de Mobilização Sócio-cultural – Niterói. Em 2007 concluiu o Mestrado na PUC Rio, com a dissertação:A parábola dos vinhateiros homicidas de Mateus 21,33-46 à luz das ressonâncias de Isaías 5,1-7. A partir de 2008 inicio o Doutorado pela PUC Rio, com a seguinte tese doutoral: A perspectiva jurídica na literatura mateana a partir da sentença de Mateus 21,43. A partir de 1998 tem exercido o magistério no Centro de Estudos Teológicos do Rio de Janeiro – CETERJ - Niterói; Seminário Teológico Congregacional do Estado do Rio de Janeiro – SETECERJ; Seminário Teológico Serrano – SETESE - Teresópolis; Escola Preparatória de Obreiros Evangélicos – SINTEP - Rio e no Instituto Bíblico do Centro Evangelístico Internacional – IBCEI - Niterói.

Por uma teologia de consolo em catástrofes

No livro de Lamentações de Jeremias

A ocorrência de catástrofes com grande amplidão de destruição exige a presença dos cristãos em socorro às vítimas. As vítimas ficam em choque ao perder, em questão de minutos, tudo que construíram nas suas vidas – casas, bens, às vezes alguém amado da família, e com a possibilidade de ficarem feridas ou adoecerem por condições insalubres, sem moradia, comida e nem água. O seu chão foi tirado. A terra, que deveria ser a base onde os pés se firmam, tremeu. A casa engolida por deslizamento de terra. A água limpa que traz vida e sacia a sede, trouxe a morte e destruiu os seus meios de sustento. Tudo que provê vida se torna incerto e traiçoeiro.

As pessoas ficam desesperadas e desesperançadas quanto ao futuro quando a base da sua vida foi eliminada. Perguntam-se o que foi que aconteceu. Como o Criador da natureza deixou isso acontecer? Quem é esse Deus? Muitos pensam que a mão de Deus pesa sobre eles. Em alguns casos, preferiram morrer junto com os seus amados e vendo o sonho da sua vida desaparecer diante dos seus olhos. Sentem-se culpados de não terem morrido juntos e por não conseguirem salvar os seus familiares.

Ao prestar ajuda para sobreviver física e materialmente, é necessário também ajudar a retomar a vida com esperança, sem medo do futuro, nem amarguras contra o Criador, não perdendo a fé, mas se aprofundando na dependência de Deus. Mas como os socorristas podem acalmar o medo e apresentar respostas? Eles mesmos ficam abalados diante de tão grande sofrimento. Ajudam calados e chorando juntos. Falam de coisas irrelevantes para quem está com sofrimento atroz. Acabam apresentando a Palavra de Deus que aos ouvidos das vítimas soa como incompreensão, exigência, colocando mais fardo na condição delas. Alguns se mantém alheios. Outros julgam como punição pessoal e merecida de Deus.


O contexto do sofrimento necessita de compreensão bíblica, tentando entender do ponto de vista de Deus como diretriz da ação para ministrar de forma relevante. Um modelo seria o livro de Lamentações de Jeremias, que chorou ao ver a desolação de Jerusalém destruída, mas que não perdeu a esperança por se apegar na misericórdia infindável de Deus. Harrison comenta que “Soberania, justiça, moralidade, julgamento de Deus e a esperança da benção no futuro distante são temas que surgem com grandeza solene das cadências de Lamentações.” Há muitas paralelas da situação mencionada por Jeremias. O sofrimento diante da destruição foi pessoal e coletivo, físico, material, emocional e espiritual (3:4-6).

Lamentações 3


I. Necessidade de conhecer a época – contextos

1. Contexto de sofrimento: O livro inteiro menciona um contexto de grande sofrimento, destruição da cidade inteira e dos seus muros, crianças morrendo de fome, mães desesperadas, moças desoladas, jovens mortos e levados ao cativeiro, sem mais sacerdotes, nem profetas ou príncipes. Lamentações se faziam em situações de luto e aqui era luto nacional.

2. Contexto de grandes pecados como causa fundamental do sofrimento em geral. No caso em Lamentações, o pecado foi nacional e coletivo. Em catástrofes, há causas diretas e indiretas. As diretas seriam guerras e violências provocadas humanamente. As indiretas seriam a ganância e exploração que provoca extrema pobreza e o aquecimento global, a corrupção de uso de material de qualidade inferior nas construções que não aguentam em terremoto e chuvas pesadas. Há outras que parecem falha da natureza como as placas tectônicas que se movem. Fundamentalmente, entende-se que o pecado humano ao romper com o Seu Criador trouxe a consequência da entrada do mal no mundo. O que foi criado bom, agora desanda. Jeremias mencionou grandes pecados (1:8, 14, 18, 22, 3:42; 4:6; 5:7), falsos profetas (2:14; 4:13), inversão de valores de Deus - escárnio aos justos, de injustiça social - exploração dos que não podiam se defender, perversão de justiça e direitos humanos – criação de Deus, iniquidade abundante e atos abomináveis contra o que é sagrado.


3. Contexto de perigo sério, perigo de vida (vs.53-55) – de morte física e de morte espiritual.


II. Jeremias reconheceu Deus como Senhor soberano sobre todos os contextos, conheceu o caráter d’Ele e, portanto, reconheceu os atos d’Ele e seus desígnios.


1. Reconhecimento da soberania de Deus v.3:38 – mal e bem (“desgraças e bênçãos” NVI) procede do Altíssimo. Tsunami, dezembro de 2004 provocou muitas discussões se foi punição de Deus. Os muçulmanos atribuíram castigo de Allah por algo que o povo fez, os hindus e budistas fizeram sacrifícios para aplacar a ira dos deuses ou dos espíritos.

2. Reconhecimento do amor, compaixão, misericórdias infindáveis e fidelidade do Senhor (vs.22-23 – hesed, grande amor, “carinho”, compaixões no plural para intensidade, com raiz na palavra rehem = ventre materno, a bondade amorosa se renova a cada manhã). É a razão de não sermos consumidos, de estarmos ainda vivos.

3. Reconhecimento da justiça de Deus que não tolera pecado (v.34-36 – exploração, maldade, injustiça, perversão do direito – situação brasileira e de muitos países).

4. Reconhecimento que Deus tem o plano de levar o homem ao arrependimento, permitindo sofrimento, trazendo-o à salvação. V.31-33 “não aflige, nem entristece de bom grado os filhos do homem”. Hoje continuamos a ouvir casos de conversões pós-tsunamis, de indagação dos povos pós-guerras e sua afirmação de que só Deus pode interferir e mudar, só Jesus pode acabar com as maldades que o próprio povo está cometendo contra os patrícios. Harrison afirma que “o autor de Jó e o de Lamentações reconhecem que uma reação positiva ao sofrimento é um pré-requisito à maturidade espiritual. Esta percepção é a base para a expectativa de que após a tribulação virá restauração e bênção, por causa da bondade de Deus, para um povo que realmente estiver arrependido.”


III. A nossa reação de entendimento e convicção da justiça e misericórdia de Deus, que quer levar todos à salvação, leva à ação.


· V.21 trazer à memória – “fará voltar ao coração”, ao centro de afetividade, “o que pode me dar esperança” – a misericórdia infindável de Deus para com os homens;

· Não questionar, mas entender os atos de Deus (vs.37-39), castigo de pecado para levar ao arrependimento (vs.31-33). Stephens-Hodge ao comentar sobre crianças de peito que desfaleciam em busca de pão, “Sofrimento tal como esse é sempre um profundo mistério: mas nem mesmo uma criança pode ser considerada isoladamente”. W.F. Adeney “É uma monstruosidade acusar a providência de Deus por causa das conseqüências das ações que Ele tem proibido”. Na soberania de Deus, nada pode acontecer sem a permissão d’Ele. Quando Ele permite sofrimento, na Sua misericórdia fará emergir o bem do mal (Rm. 8:28).

· Sentir junto ao ver (v.1) – pessoal e corporativo como Neemias na confissão de pecado do povo. “Sofrimento pessoal (de Jeremias) e representante típico do povo” (Gaster).

· Lamentar com sinceridade, colocando-nos juntos no sofrimento e no pecado da humanidade, vs.40-42, na identificação com a pecaminosidade humana.

· Rogar, clamar com choro incessantemente até a misericórdia de Deus se manifestar, os pecadores se arrependendo, vs. 49-51. Harrison diz que podemos acreditar em uma divindade tão imutável e digna de confiança, e orar em completa submissão à Sua vontade soberana, que Ele olhe novamente com favor para seu povo.

· Advertir e proclamar para levar ao arrependimento, v.29 – “ponha a boca no pó”, a forma oriental de reconhecimento da indignidade, se prostrar em submissão total.


IV. Ter certeza do final de todas as situações

· Deus ouve o clamor do Seu povo - v.56.

· Deus vem e se faz presente - v.57.

· Deus consola e assegura - v.57b “Não temas”.

· Deus defende dos inimigos - v.58 – punição dos inimigos.

· Deus salva - v.58b “remir a minha vida”.


Walvoord e Zuck mencionam sete princípios da natureza da aflição de Israel:

(1) Aflição deve ser aguentada com esperança na salvação de Deus, ou seja, a restauração final (3:25-30).

(2) Aflição é somente temporária e é amenizada pela compaixão e amor de Deus (vs.31-21).

(3) Deus não se regozija na aflição (v.33).

(4) Se a aflição vem por causa de injustiça, Deus a vê e não aprova (vs.44-46).

(5) Aflição ultimamente veio por causa dos pecados de Judá (3:39).

(6) Aflição deve cumprir o objetivo de trazer o povo de volta para Deus (v.40).



Devemos pregar o arrependimento igual como fazemos em qualquer situação também de bem-estar. Mas também devemos assegurar da misericórdia de Deus. A diferença está na ministração efetiva integral em contexto de grande sofrimento. Primeiramente nós mesmos precisamos ter o coração de compaixão, de identificação com o sofrimento dos povos e com a pecaminosidade do ser humano, chorar compungido rogando a Deus pela misericórdia, e a agir com compaixão como socorristas.


“O âmago do poema, tanto literal como espiritualmente, é a passagem central do capítulo central. Cinco vezes ocorre a palavra ‘esperança’. A aflição cumpre seu trabalho de humilhar (v.20). O sofredor compreende o seu significado e grita: tenho ‘ESPERANÇA’ (v.21). A nova esperança está apenas em Deus, como mostra o contexto. Isso é de novo enfatizado quando o poema termina -

“Tu, Senhor, reinas eternamente’ (5:19). A oração final do poema será ainda cumprida, ‘Renova os nossos dias como dantes’ (5:21).” Baxter


E quanto à pergunta de todo o tempo de “Por que o justo sofre?”, quanto aos inocentes sofrendo grandemente em catástrofes? “Ultimamente há profundidade nas ações de Deus que o homem finito não pode entender. A revelação de Deus em palavra e em ação mostra consistentemente sua justiça e amor em aliança; porém há sempre um resíduo de experiência humana que exige que curvemos a uma sabedoria alta demais para nossa compreensão. Encontramos o exemplo supremo na cruz e no grito de Jesus em Marcos 15:34. Por isso cada teoria fácil da Expiação tem falhado há muito tempo, pois há profundidades no Gólgota que passa a compreensão humana. Somente quando na glória veremos o livre arbítrio e a predestinação reconciliados que também compreenderemos como a soberana vontade de Deus é compatível com sua justiça e amor de aliança com o seu povo.” H.L. Ellison


“A minha porção é o Senhor, diz a minha alma, portanto, esperarei nele”.

Lamentações 3:24
 
AUTOR
Margaretha N. Adiwardana

É Presidente/Fundadora da AME, membro da
Missions Commission da WEA – World Evangelical Aliance; missionária
associada da IEM – Indian Evangelical Mission, professora de missiologia,
coordenadora da Rede SOS Global.

Fonte: Edições Vida Nova

Crescimento inquietante

Alavancado por livros, filmes e ensinos que agradam ao público médio, kardecismo tem doutrinas incompatíveis com a fé cristã

Poucas coisas são tão capazes de trazer conforto a quem perdeu uma pessoa querida do que a possibilidade de encontrá-la novamente numa outra vida. Diversas expressões religiosas, inclusive o cristianismo, 
incluem em sua doutrina a crença veemente na existência da vida após a morte. Mas o espiritismo vai além. Seus praticantes dizem que é possível, aqui e agora, fazer contato direto com seres humanos que já se foram desta vida. Mais ainda – dizem os espíritas que as almas desencarnadas estão em outro plano, prontas e dispostas a auxiliar aqueles que vivem fisicamente em sua caminhada rumo à perfeição espiritual. Para isso, valem-se dos médiuns, pessoas que acreditam ter a capacidade de agir como intermediárias entre vivos e mortos. Afinal, para os espiritualistas, seguidores do conjunto de doutrinas organizado em meados do século 19 pelo pedagogo francês Hippolyte Leon Denizad Rivail, o Allan Kardec, a existência humana é uma sucessão de mortes e renascimentos, sendo que a cada nova vida o indivíduo tem a oportunidade de desenvolver-se.

Começa justamente aí o principal antagonismo 
entre os espiritualistas e os evangélicos, já que estes, com base em textos bíblicos como Hebreus 9.27 – “Ao homem está estabelecido morrer uma única vez, vindo depois disto o juízo de Deus” –, rechaçam peremptoriamente a possibilidade de reencarnação. Além desta, são muitas as divergências da Igreja Evangélica em relação ao espiritismo, como por exemplo quanto ao papel de Cristo. Se para os crentes ele é o Filho de Deus e Salvador do mundo, na opinião dos adeptos do kardecismo Jesus não vai além de um espírito iluminado, um homem que alcançou a perfeição graças ao amor e bondade que dedicou às pessoas. Mas o apelo forte que esse tipo de crença tem, sobretudo numa cultura religiosa sincrética como a brasileira, explica a popularidade do espiritismo em território nacional. O Brasil já é considerado o maior país espírita do mundo, com números que chegariam a 30 milhões de seguidores e simpatizantes. O último levantamento religioso oficial da população nacional, o Censo de 2000, encontrou pouco mais de 2,3 milhões de espiritualistas confessos, mas é sabido que muitas pessoas têm o kardecismo como uma espécie de segunda crença, à qual recorrem em momentos de aflição. Além disso, o espiritismo mesclou-se muito bem com credos de matriz africana como a umbanda e o candomblé, criando uma religiosidade popular que mistura a cosmovisão dos dois lados.

Começa justamente aí o principal antagonismo 
entre os espiritualistas e os evangélicos, já que estes, com base em textos bíblicos como Hebreus 9.27 – “Ao homem está estabelecido morrer uma única vez, vindo depois disto o juízo de Deus” –, rechaçam peremptoriamente a possibilidade de reencarnação. Além desta, são muitas as divergências da Igreja Evangélica em relação ao espiritismo, como por exemplo quanto ao papel de Cristo. Se para os crentes ele é o Filho de Deus e Salvador do mundo, na opinião dos adeptos do kardecismo Jesus não vai além de um espírito iluminado, um homem que alcançou a perfeição graças ao amor e bondade que dedicou às pessoas. Mas o apelo forte que esse tipo de crença tem, sobretudo numa cultura religiosa sincrética como a brasileira, explica a popularidade do espiritismo em território nacional. O Brasil já é considerado o maior país espírita do mundo, com números que chegariam a 30 milhões de seguidores e simpatizantes. O último levantamento religioso oficial da população nacional, o Censo de 2000, encontrou pouco mais de 2,3 milhões de espiritualistas confessos, mas é sabido que muitas pessoas têm o kardecismo como uma espécie de segunda crença, à qual recorrem em momentos de aflição. Além disso, o espiritismo mesclou-se muito bem com credos de matriz africana como a umbanda e o candomblé, criando uma religiosidade popular que mistura a cosmovisão dos dois lados.

Célia investiga o crescimento do kardecismo no país e a formação dos primeiros grupos brasileiros que estudaram a doutrina. De acordo com sua tese de mestrado Afinal, espiritismo é religião? A doutrina espírita na formação da diversidade religiosa brasileira, a crença espírita chegou ao Brasil no início da década de 1860, com a primeira obra de Allan Kardec, O livro dos espíritos, lançado apenas três anos antes. A obra foi a primeira de uma série de cinco trabalhos, que formam a chamada “codificação espírita” (O livro dos médiuns, O Evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese). Todos, segundo a pesquisadora, despertaram grande interesse na elite nacional da época, formada por advogados, médicos, intelectuais, jornalistas e políticos, gente que mantinha muito contato com a produção intelectual da França, então o principal centro cultural do mundo.

Fé elitizada – Essa formação elitizada provavelmente tenha sido a responsável por manter a religião espírita focada principalmente na classe média. O perfil do espírita brasileiro é de pessoas com renda familiar alta, na casa dos R$ 5 mil mensais – bem acima, por exemplo, dos católicos (por volta de R$ 2 mil) e dos evangélicos (não mais que R$ 1,3 mil) –, média de escolaridade de 10 a 15 anos e forte hábito da leitura. A ênfase no estudo explica o desenvolvimento acelerado das editoras do segmento espiritualista em um país como o Brasil, em que somente 10% da população lê com assiduidade. Segundo um levantamento baseado em dados de 2006 da Câmara Brasileira do Livro (CBL), esse nicho de mercado editorial possuía 205 editoras, 4,3 mil títulos, cerca de 1 mil autores e editou nada menos que 6,5 milhões de livros. Isso significou um faturamento de quase R$ 100 milhões naquele ano. De lá para cá, a coisa só cresceu. Basta visitar uma livraria para se testar a popularidade dos temas espíritas. Uma das mais celebradas autoras ligadas ao segmento, Zibia Gasparetto, sempre tem um dos seus livros na lista de mais vendidos.

Mas é Francisco Cândido Xavier, ou simplesmente Chico, que neste ano completaria um século de vida (ele morreu em 2002), o campeão inconteste das letras espíritas. Ele lançou 450 livros supostamente psicografados por espíritos, que venderam mais de 18 
milhões de exemplares. Apenas uma de suas obras, Nosso lar, que teria sido ditada pelo espírito conhecido como André Luiz, é um best-seller que já superou a marca de 1,6 milhão de volumes distribuídos. Não é a toa que o livro ganha ainda este ano uma versão cinematográfica, com previsão de estreia para setembro. A julgar pelo sucesso de Chico Xavier, vem aí um novo campeão de bilheteria.

A popularidade de Chico vem de uma série de fatores. Primeiro, por sua origem humilde: filho de pobres, ele estudou apenas até a antiga quarta série do ensino primário. Por isso, seus escritos são extremamente acessíveis a qualquer um, ao contrário das obras filosóficas de Kardec. Chico lançava livros romanceados, em que os princípios da doutrina espiritualista são apresentadas de maneira bem mastigada. Além disso, seu caráter desprendido – ele doou toda a renda de seus livros a obras de caridade, montou centros assistenciais e vivia de maneira modesta – e sua compleição física frágil ajudaram a moldar em torno de sua figura um ar de santidade, 
venerado abertamente por seus seguidores. O centro que fundou, na cidade de Uberaba (MG), é uma espécie de santuário à sua memória. Diariamente, devotos de vários pontos do país dirigem-se até lá em busca de uma prece, um passe ou simplesmente para rezar diante do busto de Chico. Muitos chegam a atirar cartas endereçadas ao médium falecido por cima do muro de sua casa, transformada em museu. “Ele veio para popularizar o espiritismo. Sua missão na terra foi de exemplificar o amor e decodificar a doutrina”, destaca a vice-presidente da União das Sociedades Espíritas de São Paulo (USE-SP), Júlia Nezu.

Para a mídia, a imagem de Chico Xavier é estratégica. Um personagem real, que nasceu e viveu no país, capaz de reunir pessoas de vários credos e ainda lhes dar esperança, é um alavancador de audiência. Não é a toa que novelas que exploram tema mediúnico são recorrentes na televisão, principalmente na rede Globo. O assunto passou a ser tratado mais diretamente a partir de A viagem (1994). Outros folhetins, como Alma gêmea, exibida entre 2005 e 2006, exploraram abertamente o interesse do público pelo espiritismo. Atualmente em exibição no horário das 18h, Escrito nas estrelas conta a história de um rapaz que morre num acidente de carro e continua se comunicando com os vivos. Para Júlia, o sucesso dos temas espíritas reflete uma busca dos tempos modernos. “As pessoas estão cansadas do materialismo e têm procurado uma resposta transcendental. O espiritismo traz essa resposta, embora não sejamos os donos da verdade”, afirma.

“Estratégia proselitista” – É a caridade, contudo, a bandeira mais levantada pelos seguidores do espiritismo. Fazer o bem ao próximo é fundamental para os devotos, que veem na solidariedade o caminho para a perfeição – crença bem expressa no slogan “Fora da caridade, não há salvação”. “O espiritismo atrai porque mexe com os sentimentos e emoções das pessoas. Afinal, qual a mãe que não gostaria de falar novamente com um filho morto?”, diz o ex-espírita Manoel Castillo. “E há muitas pessoas fazendo o bem nos centros espíritas”, elogia. Ele fala com a experiência de quem foi seguidor ativo do kardecismo durante mais de uma década, junto com a mulher, Graça. Evangélicos, eles hoje frequentam a Igreja Cristo é Vida, na Vila Formosa, em São Paulo. “Acontece que as pessoas são enganadas. A história que se conta por lá é muito bonita, mas a verdade é que os chamados ‘espiritos do bem’ são demônios”.

O testemunho do casal é semelhante ao de tantas pessoas que fizeram este tipo de migração religiosa. O envolvimento inicial com a fé espírita começou com uma alegada mediunidade. Graça conta que chegou a ter contato com o que considerava espíritos de luz e até previu a morte da filha adotiva, mesmo quando a menina não tinha nenhum sintoma de enfermidade. Fundador do Ministério Rhema e autor do livro Espiritismo – Conhecendo os cultos afro, o pastor Milton Vieira da Silva diz que o principal problema da doutrina espírita é a redução do papel de Jesus, que descaracteriza o conjunto de crenças espiritualistas como cristãs. “Eles veem Cristo como um dos melhores profetas, um mestre iluminado por excelência e o melhor homem que já existiu – menos como Senhor e Salvador da alma humana.”

O jornalista e missionário Jamierson Oliveira, ligado à Igreja Batista Betel, considera que as obras sociais e assistenciais são uma vitrine de justiça e o cartão de visita não só do espiritismo, mas de outros grupos religiosos. “É uma estratégia de proselitismo, mas é preciso registrar que também os evangélicos e protestantes realizam grandes obras em favor do próximo”. Ele cita como exemplo igrejas e organizações não-governamentais de caráter cristão, como Exército de Salvação, Visão Mundial e Compassion. Editor da Bíblia Apologética de Estudos, voltada à defesa da fé, e de diversos artigos e trabalhos na área de seitas e heresias, Jamierson concorda que o preparo teológico é fundamental para rechaçar os ensinos do espiritismo. “Como Igreja de Cristo, não temos que nos intimidar pela militância das seitas, mas nos despertarmos por alguns bons exemplo delas”, destaca. “Afinal de contas, fomos chamados para salgar a terra, além de iluminar o mundo. João disse que se amamos a Deus, a quem não vemos, devemos revelar isso em ação em favor do nosso próximo, que vemos e convivemos.”



Pesquisador de religiões e seitas há mais de 50 anos, o pastor Natanael Rinaldi, palestrante do Instituto de Estudos Cristãos (ICP), começou a estudar o espiritismo de Allan Kardec na mesma ocasião em que passou a se dedicar à apologética. Foi nesse percurso que avaliou não somente a doutrina espírita, mas também sua origem. Para ele, o caráter abrangente do espiritismo é apenas uma maneira sutil de se envolver nos meios religiosos com a finalidade de ter mais fácil aceitação, como se fosse também uma religião cristã. “O que não é verdade”, afirma o apologista. “Qualquer movimento religioso que alegue ser cristão deve ter seus ensinos confrontados com a Palavra de Deus para se verificar a veracidade dos mesmos”, sentencia. “Já os autores kardecistas dizem que sua base é o ensino dos espíritos. O espírita é um tipo de religioso eclético”. Mesmo assim, ele acha que alguns grupos religiosos são mais suscetíveis à doutrinação espírita. “Os católicos que simplesmente adotam a religião dos pais, mas desconhecem totalmente seus dogmas básicos, são presas fáceis”.

Rinaldi alerta que também muitos evangélicos estão na mesma situação: “Há crentes que ignoram as doutrinas bíblicas centrais. Não leem as Escrituras, não participam de estudos bíblicos, não têm como responder acerca da razão de sua fé”. Quanto às sessões mediúnicas, em que os adeptos acreditam ter contato com pessoas que já morreram, o pastor lembra que o apóstolo Paulo advertiu a igreja de Corinto sobre a possibilidade de o próprio diabo e seus anjos transfigurarem-se em anjos de luz: “Não são as pessoas falecidas que se manifestam, mas sim, espíritos mentirosos que tomam seus lugares nas invocações. E o pai da mentira é o diabo.”



Fonte: Cristianismo Hoje

O MEC envia livro bizarro para as escolas

MEC envia a escolas públicas livro que narra estupro




O Ministério da Educação enviou a escolas públicas do país um livro que narra o sequestro de um casal, o estupro da mulher e o assassinato do rapaz, segundo reportagem de Fábio Takahashi publicada na edição desta quinta-feira da Folha.



De acordo com o texto, 11 mil exemplares da obra foram destinados para serem usados como material de apoio a alunos do ensino médio, com idade a partir de 15 anos. O livro "Teresa, que Esperava as Uvas", integra o programa do governo federal que equipa bibliotecas dos colégios públicos.



As cenas de violência estão presentes no conto "Os Primeiros que Chegaram", que narra, do ponto de vista da criminosa, um sequestro cometido por um casal. As vítimas são torturadas. Há frases como "arriou as calças dela, levantou a blusa e c* ela duas vezes" e "[Zonha, o criminoso] deu um tiro no olho dele. [...] Ele ficou lá meio pendurado, com um furo na cabeça."



O governo Lula, a autora da obra e a editora defendem a escolha, por possibilitar que o jovem reflita sobre a violência cotidiana. A escolha das obras é feita por comissões de professores de universidades públicas. "O livro passou por uma avaliação baseada em critérios, concorreu com muitas outras obras e foi selecionado", afirmou a escritora do conto, Monique Revillion.



Nota do CACP: Como costuma dizer o jornalista Boris Casoy - Isso é uma vergonha. Que tipo de educação esse governo quer promover? O título que demos a este artigo foi irônico propositalmente. Entendemos que um ensino desses é totalmente contraproducente. As nossas crianças não merecem estar expostas a esse tipo de coisa e de desserviço do MEC. Orientamos aos pais que reclamem e até movam ações judiciais contra o MEC.



Oremos pelo Brasil, pois a cada governo a situação moral da nação se degenera mais ainda. Por isso, na hora do voto - PENSE NISSO!

 
Autor: Matéria extraída de uma ou mais obras literárias
Fonte: CACP

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Escrevendo a melhor história

 Escrever uma história requer um preparo adequado. Escrever a melhor história requer uma dedicação sem igual.

Você e eu somos personagens da mais importante história, a história da nossa vida. Existem capítulos maravilhosos que já fazem parte, mas existem outros tantos capítulos que comporão a história de nossas vidas.

Serão capítulos emocionantes, cheios de suspense e surpresas. Mas, a pergunta é: serão capítulos vitoriosos ou que descreverão o nosso fracasso? Quem não se preocupa com a sua história, a entrega a um final melancólico e triste?

Muitos têm hoje uma história sem graça, cheia de episódios tristes e com muitas derrotas acumuladas. Não sabem de onde vieram, onde estão nem para onde irão. Vivem sem compromisso com a verdade e nem se interessam por escrever uma história bonita. Muitos desses vivem repetindo: “Deixa a vida me levar, vida leva eu”.

Em II Crônicas encontramos frases muito objetivas que descrevem a história de uma vida toda. Algumas frases nos contam histórias tristes. A vida do rei Jeorão, narrada em 2Cr 21.1-20 é uma dessas. Embora tivesse herdado o trono do seu pai, o bom rei Josafá, e tivesse recebido muitos presentes em prata, ouro e pedras preciosas, quando assumiu o trono e se fortificou, certamente por temor matou todos os seus irmãos e também alguns príncipes de Israel. Jeorão escreveu a sua história andando nos caminhos tortuosos dos reis de Israel, que tinham se desviado completamente do Senhor. Jeorão começou a reinar com a idade de trinta e dois anos. Era bem jovem. Reinou por oito anos. E por sua história que estava sendo escrita de modo triste e não exemplar mereceu a disciplina do Senhor que levantou contra ele o ânimo dos filisteus e dos arábios para guerrearem contra ele. Depois de uma grande derrota o Senhor o feriu nas suas entranhas com uma enfermidade incurável.  Durante dois anos sofreu dores terríveis e aos quarenta anos morreu e o cronista foi lacônico em descrever essa história de vida: “E se foi, sem deixar saudades de si”. Que triste história. Partir sem deixar saudades!

Por outro lado, encontramos também a história do rei Uzias: “Todo o povo de Judá tomou a Uzias, que tinha dezesseis anos, em lugar de seu pai Amazias... Uzias tinha dezesseis anos quando começou a reinar, e reinou cinqüenta e dois anos em Jerusalém... Ele fez o que era correto diante do Senhor... Ele buscou a Deus... e enquanto buscou o Senhor, Deus o fez prosperar” (2Cr 26.1-5). Que história! Que contraste marcante! Quando buscamos o Senhor, quando pedimos que Ele escreva a nossa história, o que Ele escreve é sempre bom e exemplar. Mas, quando deixamos o Senhor, a nossa história se complica, tanto quanto se complicou a história de Uzias quando se envaideceu diante de tudo o que o Senhor tinha lhe dado.

Permita que Deus escreva a sua história, pois somente assim ela será bonita e exemplar. Só Deus pode escrever a melhor história!

Que Deus o abençoe,
Pr. Itamir Neves
  • AUTOR
Itamir Neves

Itamir Neves

Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, possui graduacão em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, Cursou grego na USP, é pastor, conferencista e professor nas áreas de Teologia da Vida Cristã, Novo Testamento, Teologia Bíblica, Homilética e Pregação Expositiva. É casado com Beti e tem três filhos: Anna, Itamir e Ana.

Fonte: Edições Vida Nova

A História do Conde Zinzerdorf

A História do Conde Zinzerdorf

Nicolaus Ludwig Von Zinzendorf foi um homem levantado por Deus para dar refúgio a milhares de perseguidos religiosos na Europa. Alavancando assim a obra missionária tão esquecida naquela época. Ele
amava profundamente a obra missionária e, como poucos líderes na história, entendeu a importância de missões como a tarefa prioritária da igreja. Com seu exemplo foi capaz de levar a sua comunidade a
abraçar o empreendimento missionário, enviando ao longo dos anos mais de 200 missionários para todos
os continentes.

Zinzendorf nasceu em Dresden, na Saxônia, no dia 26 de maio de 1700, no seio de uma nobre família piedosa de confissão luterana. Seu pai, um alto oficial da corte, faleceu logo após seu nascimento, mas no leito de morte, o consagrou à obra do Senhor. Com o novo casamento de sua mãe, ele foi criado por sua avó, a baronesa Henrietta Catarina Von Gersdorf, uma mulher piedosa que lhe proporcionou uma fé viva no Senhor Jesus Cristo. Desde criança, Zinzendorf tinha grande interesse pelas coisas de Deus, como testemunhou mais tarde dizendo: “ainda na infância, eu amava o Salvador e tive comunhão abundante com Ele. Aos quatro anos comecei a buscar sinceramente a Deus e decidi tornar-me um verdadeiro servo de Jesus Cristo” (ATAÍDES, p. 15). Esse interesse acentuou-se ainda mais quando, aos dez anos de idade, foi matriculado na Escola Pietista, em Halle, onde foi tremendamente influenciado por esse movimento. Naquela escola, tornou-se líder entre os colegas criando a ordem “O Grão de Mostarda” que visava a evangelização do mundo. O emblema da ordem tinha um pequeno escudo com a inscrição: “Suas chagas nos curam”, e cada um deles usava um anel com as seguintes palavras: “nenhum homem é uma ilha.” Como lema da sua vida, Zinzendorf adotou a seguinte frase: “Tenho uma única paixão: Jesus, Ele e somente Ele”. Tendo essa paixão tão acentuada por Cristo, pregava uma profunda devoção pessoal a Ele baseada em sua própria experiência.

Certa vez, em uma de suas viagens pela Europa, numa galeria em Dusseldorf, na Alemanha, ao ver um quadro de Cristo coroado de espinhos com a seguinte inscrição: “Eu tudo fiz por ti, o que fazes tu por mim?” (ATAÍDES, p. 21), foi tocado profundamente, o que o levou a chorar e tomar uma decisão de dedicar a sua vida ao serviço de Cristo.

Ele usou sua herança em Berthelsdorf, para fundar uma comunidade denominada Herrnhut, que significa “Abrigo do Senhor”, em 1722, dando refúgio a cristãos perseguidos da Morávia, entre os quais se tornou o líder espiritual. Após 5 anos de existência, num memorável domingo, em 13 de agosto de 1727, quando estavam reunidos para a Ceia do Senhor, o Espírito Santo veio sobre eles, quebrantando-os e levando-os à maior reunião de oração de todos os tempos, que durou mais de 100 anos ininterruptos (TUCKER, p 73-74).

O despertamento missionário de Zinzendorf se deu quando, em Copenhague, participava da festa de coroação do rei da Dinamarca Cristiano VI. Foram-lhe apresentados dois convertidos esquimós da Groenlândia, batizados pelo missionário Hans Egede, e um escravo negro das índias ocidentais (NEIIL, P. 242). Zinzendorf ficou tão impressionado com eles que convidou o último para uma visita em sua comunidade em Herrnhut e a presença dele ali trouxe um grande despertamento entre os moravianos tendo como resultado o envio dos primeiros missionários, em 1732 (TUCKER, p. 74). O próprio Zinzendorf se tornou missionário entre os índios americanos, mas por algumas circunstâncias regressou a sua terra deixando este trabalho na responsabilidade dos missionários nomeados por ele.

Ele teve papel importante na propagação das missões cristãs na sua época e deixou exemplos que serão sempre modelos para a igreja, sendo pioneiro no exercício de missões protestantes estrangeiras que “enviaram, num curto espaço de tempo, mais missionários do que todos os protestantes juntos durante duzentos anos de protestantismo” (ATAÍDES, p.18). Os moravianos enviaram missionários para as Ilhas Virgens (1732); Groenlândia (1733); Suriname (1735); África do Sul (1736); Jamaica (1750); Canadá (1771); Austrália (1850); Tibet (1856), entre outros longínquos lugares.

O ilustre Conde Zinzendorf foi o líder da Igreja moraviana até sua morte, em 09 de maio de 1760, quando foi recebido nos tabernáculos eternos aos 60 anos de idade. Tendo sido um homem que buscou ardentemente a comunhão com o Senhor e a unidade do povo de Deus na terra, Zinzendorf levou seus seguidores a ter uma motivação e “a única motivação deles era o amor sacrificial de Cristo pelo mundo, e foi essa a mensagem que levaram até os confins da terra” (TUCKER, p. 77). Que possamos dizer como Zinzendorf: “venceu o nosso Cordeiro. Vamos segui-lo”.

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Referências:
ATAÍDES, Florencio Moreira de. História das Missões Moravianas. Arapongas: Aleluia, 2007.
NEILL, Stephen. História das Missões. São Paulo: Vida Nova, 1989.
TUCKER, Ruth. Missões até os confins da terra. São Paulo: Shedd, 2010.

  • AUTOR
Florencio Moreira de Ataídes

Florencio Moreira de Ataídes

É bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano Renovado de Cianorte, PR (1989); graduado em Estudos Sociais pela Faculdade Teresa Martin, de São Paulo (1993), graduado em História (licenciatura) pela Faculdade Teresa Martin (1996), pós-graduado em Ensino de Filosofia pela Universidade Católica de Goiás (2003); mestrando em Missiologia pelo Centro Evangélico de Missões em Viçosa, MG.

Fonte: Edições Vida NOva

Matemáticos acham 'número de Deus' para resolver o cubo mágico

Busca pelo 'número de Deus' já dura 30 anos

Um grupo de pesquisadores americanos concluiu que é possível resolver qualquer combinação do quebra-cabeças conhecido como "cubo mágico" em apenas 20 movimentos ou menos.

O chamado "número de Deus" é o mais baixo desde que a busca pela solução mais rápida para o colorido enigma começou, há 30 anos.

Em 1981, o matemático Morwen Thistlethwaite chegou a um algoritmo capaz de resolver qualquer posição do cubo mágico em 52 movimentos. Desde então, o número vem sendo reduzido – a última vez, em 2008, para 22.

"Sabemos ao certo que o número mágico é 20", disse à BBC o matemático da Kent State University, Morley Davidson. Ele disse, entretanto, que a maioria das posições requer entre 15 e 19 movimentos.

Segundo ele, das cerca de 43 bilhões de combinações possíveis com o cubo, 100 milhões podem ser resolvidas com exatos 20 movimentos. O restante, com menos.

"Levou 15 anos após a introdução do cubo para encontrar a primeira combinação que provavelmente requeria apenas 20 movimentos para ser solucionada", disseram os pesquisadores, no site em que os resultados foram divulgados.

"É apropriado que, 15 anos mais tarde, provemos que 20 movimentos são necessários para qualquer combinação."

Algoritmos complexos

Também conhecido como cubo de Rubik, o cubo mágico foi inventando em 1974 pelo arquiteto húngaro Erno Rubik. Licenciado como brinquedo, o quebra-cabeças já vendeu desde então mais de 400 milhões de unidades no mundo, tornando-se um dos passatempos mais vendidos em escala global.
As equações para resolver os enigmas no menor número de movimentos são demasiado complexas para serem memorizadas por um mortal comum. Em geral, são necessários computadores e até supercomputadores.

Em competições internacionais, o recorde por resolver o cubo mágico 3 x 3 x 3 mais rapidamente – mas não necessariamente no menor número de movimentos – pertence ao estudante holandês Erik Akkersdijk, que encontrou uma solução em 7,08 segundos. Já o "número de Deus" é assim chamado porque os pesquisadores assumem que um ser onisciente usaria este algoritmo para resolver o problema.
O cubo mágico é um clássico dos anos 1980, época em que eu cresci, e uma das razões por que entrei na matemática.
Morley Davidson, Kent State University

As pesquisas para definir o algoritmo da equação "divina" usaram um arsenal de capacidade informática providenciada pela gigante de tecnologia Google - que não divulga detalhes dos sistemas de computação oferecidos para a pesquisa, concluída em semanas.

Cálculos

Os pesquisadores dividiram todas as possibilidades em 2,2 bilhões de grupos, cada um contendo 20 bilhões de posições. Para facilitar a conta, eles eliminaram combinações duplicadas e usaram simetria para identificar outras combinações similares. Assim, o número de grupos de 20 bilhões de combinações caiu para 56 milhões. Para processar todos os dados que a pesquisa requeria, seriam necessários 35 anos de trabalho de um computador normal, disse Davidson. "Para mim, achar o 'número de Deus' é como um círculo", disse Davidson. "O cubo mágico é um clássico dos anos 1980, época em que eu cresci, e uma das razões por que entrei na matemática."

Ele disse que, agora, a equipe pode continuar estudando problemas matemáticos com o cubo mágico, talvez em sua versão 4 x 4 x 4.

"É a popularidade universal do quebra-cabeças", justificou. "É provavelmente o quebra-cabeças mais popular da história humana."

Fonte: BBC brasil

IURD construirá réplica do Templo de Salomão, com pedras trazidas de Israel

complexo também contará com 36 Escolas Bíblicas com capacidade para comportar aproximadamente 1,3 mil crianças
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Com bases nas orientações bíblicas, a Igreja Universal do Reino de Deus construirá a réplica do Templo de Salomão, aqui no Brasil, na cidade de São Paulo (SP). Será uma mega igreja, com 126 metros de comprimento e 104 metros de largura, dimensões que superam as de um campo de futebol oficial e as do maior templo da Igreja Católica da cidade de São Paulo, a Catedral da Sé. São mais de 70 mil metros quadrados de área construída num quarteirão inteiro de 28 mil metros. A altura de 55 metros corresponde a de um prédio de 18 andares, quase duas vezes a altura da estátua do Cristo Redentor.

Com previsão de entrega para daqui a 4 anos, a obra será um marco na história da Igreja Universal do Reino de Deus.

O complexo também contará com 36 Escolas Bíblicas com capacidade para comportar aproximadamente 1,3 mil crianças, estúdios de tevê e rádio, um auditório para 500 pessoas, além de um estacionamento para mais de mil carros.

Novo Templo de Salomão deverá custar 200 milhões de reais

Projetado para causar o menor impacto possível ao meio ambiente, o templo será construído com materiais reciclados e regionais de alta tecnologia, que proporcionarão o uso racional da energia, possibilitando a reutilização de água e calor.


Na área externa será feito um memorial com 250 metros quadrados que poderá ser usado como um espaço para exposições e eventos. A ideia seria contar ali não só a história da Igreja, mas também explicar um pouco do funcionamento do templo como obra de engenharia.


De acordo com o arquiteto e autor do projeto, Rogério Silva de Araújo, o empreendimento é arrojado e emprega tecnologia de ponta, para que quando as pessoas entrem no local, viajem pelo tempo e sintam-se como se estivessem no primeiro templo construído por Salomão. “Começando pela fachada, passando pelo átrio e chegando internamente na nave, criamos uma visão de maneira a remeter as pessoas ao  passado. Para tanto, estamos nos valendo de toda tecnologia de ponta associada ao bom senso na arquitetura de maneira a não criar este choque de épocas”, diz Araújo.


Ainda dentro da Igreja, uma arca representando a Arca da Aliança será colocada sobre o altar com o objetivo de proporcionar um efeito tridimensional, que, quando aberta, poderá ser observada totalmente em seu interior e também refletirá no batistério, criando a sensação, durante o batismo, de que a pessoa estará se batizando dentro da Arca. Na face frontal do altar serão aplicadas doze pedras representando as doze tribos de Israel, e todo o altar será ladeado por duas colunas diferenciadas chamadas Joaquim e Boaz, nomes também citados na Bíblia. A Igreja será no Brás (zona leste da capital paulista) e terá capacidade para mais de 10 mil pessoas sentadas.


De acordo com o bispo Edir Macedo, o local não será de ouro, mas as riquezas de detalhes empregados em cada parte do templo serão muito parecidas com os do antigo santuário. “Nós encomendamos o mesmo modelo de pedras de Jerusalém que foram usadas por Salomão, pois vamos revestir as paredes do templo com elas. Nós queremos que as pessoas tenham um lugar bonito para buscar a Deus e também a oportunidade de tocar nessas pedras e fazer orações nelas.”, comentou o bispo durante reunião realizada em São Paulo. Ele acredita que a visitação ao Templo não se limitará somente aos fieis da IURD, mas se tornará um ponto turístico e cultural, que atrairá pessoas do mundo todo.


Para o presidente da Juventude Judaica Organizada, Persio Bider, a iniciativa poderá promover um melhor entendimento ao povo brasileiro não judaico a respeito de Israel e dos judeus, eliminando preconceitos e o antissemitismo, ainda presente na sociedade. “Somente por meio do conhecimento mútuo poderemos erradicar qualquer tipo de preconceito ou discriminação por parte de ambos e, assim, trabalharmos juntos no que temos de semelhanças e nos respeitarmos no que pensamos e acreditamos de diferente. Temos muito em comum e precisamos nos unir para que seja possível trabalharmos ativamente em uma sociedade mais justa, positiva e focada em uma coexistência e inter-religiosidade plena, razão pela qual acredito ser muito interessante a iniciativa do bispo Macedo, que entendo amar muito a Terra de Israel e o povo judeu”, afirma Bider.

Por Cinthia Meibach
Fonte: Blog do Bispo Macedo


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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ação desordenada

Proliferação de templos no país faz aumentar vigilância de autoridades sobre funcionamento de igrejas evangélicas.

Por Francisco dos Santos



Brasil foto 2
O advogado Gilberto Garcia lembra as organizações religiosas devem observar o Plano Diretor de cada município e o Estudo de Impacto na Vizinhança

A reabertura do templo-sede da Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, no dia 3 de março, pode ter sido o fim de uma batalha espiritual no entender do apóstolo da denominação, Valdemiro Santiago, e de seus fiéis. Mas na prática foi apenas um capítulo a mais na queda de braço cada vez mais forte entre o poder público e as igrejas evangélicas. Não se trata, como alardeiam determinados líderes, de uma luta das trevas contra a luz – embora, em certas situações, a má vontade de gestores públicos contra organizações religiosas fique evidente. Após veementes protestos, nos quais denunciou perseguição religiosa e ensaiou um protesto popular que não ocorreu, a Igreja Mundial contratou técnicos para deixar o prédio de acordo com a legislação. O que chamou a atenção no caso, iniciado em dezembro passado, quando a prefeitura da capital paulista lacrou o imóvel na Rua Carneiro Leão, no bairro do Brás, por falta alvará de funcionamento e problemas de higiene e segurança, é a precariedade com que igrejas são instaladas. Realizam-se cultos em galpões sem qualquer estrutura e até mesmo em pequenos sobrados e garagens residenciais.

Brasil foto abertura finalO templo da Igreja Mundial lacrado, vigiado pela Guarda Metropolitana: caso reacendeu discussão sobre legalização de espaços de culto

Se, por um lado, o processo representa a abertura de mais espaços para a pregação do Evangelho, por outro, seus frequentadores são submetidos ao desconforto ou, pior ainda, ao perigo. Foi assim em 1998, quando o templo da Igreja Universal do Reino de Deus instalado num antigo supermercado de Osasco (Grande São Paulo) veio abaixo durante um culto, deixando 25 mortos e quase 500 feridos. Constatou-se depois que as vigas de sustentação do telhado, de madeira, tinham apodrecido e ninguém as trocou. Mais recentemente, o principal templo da Igreja Renascer, no centro de São Paulo, caiu no dia 18 de janeiro do ano passado. Nove fiéis morreram e outros cem tiveram ferimentos. As ações de indenização correm na Justiça, e enquanto a igreja esforça-se por reabrir logo sua sede, o Ministério Público (MP) suspendeu o alvará que autorizava a reconstrução.

O que acontece na maior cidade brasileira é típico. O MP estadual e a Prefeitura de São Paulo realizam rondas permanentes pelos bairros, notificando responsáveis e até lacrando imóveis fora das condições legais de uso. Cerca de 500 templos foram interditados e mais de quarenta, fechados na capital paulista. Segundo consta, a maioria das autuações é contra igreja evangélicas, ainda que uma simples inspeção constataria irregularidades em centenas de clubes, bares e boates abertos ao público. “Sempre que há denúncia, fazemos inspeções”, informa o secretário de Controle Urbano, Orlando de Almeida. Ele rechaça a suspeita de que a Secretaria tenha as garras mais afiadas contra os imóveis de uso religioso: “Fazemos diligências para reprimir irregularidades independente do tipo de estabelecimento”. De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, as autuações não acontecem apenas por documentação irregular, mas também por excesso de barulho nos cultos.

Inadequação é a regra – “A imensa maioria dos templos que proliferaram em São Paulo funcionam em lugares adaptados como cinemas e teatros, que não oferecem condições de segurança. Noventa por centro dos imóveis com este uso não são adequados a abrigar o fluxo de pessoas que recebem”, confirma Edin Sued Abmanssur, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e autor do livro As moradas de Deus (Fonte Editorial), sobre o espaço físico de igrejas pentecostais na capital. “A fiscalização é falha e não há muito controle sobre esses locais”, admite o superintendente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Ademir Alves do Amaral. Segundo ele, qualquer alteração em local onde haja concentração de pessoas deve ser acompanhada por um profissional. “Até vibração sonora pode abalar uma estrutura já comprometida”, avisa.

A fiscalização é dificultada porque abrir legalmente uma igreja evangélica no Brasil é coisa das mais fáceis, e em tese qualquer pessoa pode tornar-se um líder espiritual, independente de formação teológica. Com pouco mais de 100 reais é possível organizar juridicamente uma instituição religiosa; depois, basta um cantinho qualquer para as reuniões e pronto. Em São Paulo, só no caso de templos com capacidade para quinhentas pessoas ou mais é necessário autorização do Departamento de Controle de Uso de Imóveis (Contru)“O ordenamento jurídico nacional abrange normas federais, estaduais e municipais que regulamentam a atuação das organizações religiosas”, lembra o advogado Gilberto Garcia. “É preciso observar o que está estabelecido no Plano Diretor de cada município e regulamentos como o Estudo de Impacto de Vizinhança”. Mas proibições, mesmo, inexistem, de modo que somente depois de verificado um problema, e quase sempre após uma denúncia ou acidente, é que o poder público pode fazer algo. Os números confirmam: de acordo com dados da prefeitura, a cada dois dias nasce uma nova igreja na Grande São Paulo.

“Esse fenômeno acontece com mais intensidade no Sudeste”, aponta o coordenador nacional de pesquisas no Instituto Brasil 21 e missionário de Servindo Pastores e Líderes (Sepal), Luis André Bruneto. “Isso se dá por dois motivos básicos: concentração populacional e concentração de renda”. A migração religiosa é outro fenômeno que alimenta o processo. Em média, uma a cada três pessoas já mudou de crença, aderindo à fé protestante, de acordo com levantamento do Centro de Estudos da Metrópole. Em Brasília, a situação não é diferente – conhecido pela grilagem de terras públicas, o Distrito Federal abriga mais de oitocentos templos em situação irregular. De acordo com a Terracap, empresa que cuida da ocupação do solo em Brasília e no seu entorno, igrejas evangélicas funcionam em áreas públicas sem contrato de concessão de uso, ou com autorização já vencida. Fica no ar a impressão de que a proliferação de igrejas no contexto urbano está descontrolado. 

Diluição do sagrado – A multiplicidade das denominações e igrejas livres, no Brasil, é um fruto positivo da liberdade de crença – contudo, envolve também a flexibilização de alguns valores. “Em muitos lugares, a caracterização de templo tem se diluído na mesma velocidade do crescimento”, acrescenta Luis Bruneto, da Sepal. Ele enxerga certa perda do sagrado. “No passado, o templo era lugar santo. Hoje, é um espaço multiuso, muitas vezes criando sincretismos religiosos”. No entender do presidente do Fórum dos Secretários de Missões das Assembleias de Deus do Nordeste, a explosão das igrejas, que se observa também nas áreas metropolitanas daquela região, deriva da personalização dos ministérios. “Muitas congregações, ainda que grandes e ricas, estão estribadas no nome de seu pastor”, aponta o pastor Francisco Paixão Cordeiro.

O fundamento deste ideal de crescimento, de acordo com professor Ricardo Mariano, da PUC do Rio Grande do Sul, tem princípios na Reforma Protestante, segundo a qual cada fiel pode construir sua linha de pensamento “A abertura de templos improvisados em garagens e edificações de todo tipo constitui uma longa tradição no pentecostalismo”, esclarece o especialista. Ele explica ainda que, nos primórdios do movimento, a primeira igreja pentecostal fundada em Los Angeles, nos Estados Unidos, teve início num imóvel onde antes funcionava um estábulo. “Isso se deve ao evangelismo conduzido por leigos, também tradicional nos meios pentecostais. Há a legitimidade das cismas nos meios protestantes, uma vez que a igreja, a tradição e a hierarquia eclesiástica não detêm a posse exclusiva da verdade divina”, acrescenta.

“Esse crescimento das igrejas tem acontecido pelo simples fato de que pessoas transformadas atraem outras pessoas”, lembra o pastor Costa Neto, da Igreja Comunidade Cristã Videira, em Fortaleza (PE), que atende 1,7 mil pessoas em seu instituto social. O testemunho, neste caso, faz toda diferença e é um dos pilares de crescimento na região. No entanto, há quem peça uma revisão, em prol do futuro, para que esse crescimento não apenas seja feito dentro das regras legais de urbanização como também com espiritualidade. “É preciso uma nova elaboração da teologia da fé evangélica da oração, que busque priorizar não somente os aspectos formais, mas sobretudo, uma relação com Deus mais profunda”, apela o pastor Estevam Fernandes, da Igreja Batista de João Pessoa (PB). 

Ex-atéia: "Cristianismo realmente faz sentido"

Holly Ordway era uma atéia altamente educada que pensava que o Cristianismo era uma "curiosidade histórica" ou "uma mancha na civilização moderna," ou ambos.

"Pessoas inteligentes não se tornam cristãs," pensou, de acordo com Biola University.

Sua visão de mundo, no entanto, começou a mudar aos 31 anos. Ela narra sua jornada do ateísmo ao Cristianismo no recém-lançado Not God’s Type: A Rational Academic Finds a Radical Faith.

"Não é questão de falta de luz encontrar com Deus, depois de tê-Lo negado toda a vida," escreve ela no livro. "Vir a Ele era apenas o começo. Posso apontar para um dia e hora e local da minha conversão, e, ainda assim, desde então, eu vim a entender que Ele me chama a uma conversão fresca todos os dias."

Ordway, uma professora de Inglês e literatura em um colégio da comunidade na área de San Diego, não foi suscitada em qualquer fé religiosa. Ela nunca fez uma oração em sua vida e ela nunca foi a um culto na Igreja. Sua exposição ao Cristianismo, enquanto crescia foi mínima e foram poucos os seus encontros com alguns Cristãos envolvidos com tele-evangelismo ou pregadores da condenação do inferno.

"A religião parecia uma história que as pessoas disseram, e eu não tive nenhuma prova em contrário," disse ela em uma entrevista com a Biola University, onde está atualmente a estudar para segundo mestrado, Apologética Cristã.

Para ela, a Bíblia era uma coleção de lendas e mitos - não são diferentes do que as histórias de Zeus ou Cinderella.

"Eu era uma professora universitária - lógica, intelectual, racional - e um atéia," escreve ela.

Embora ela não soubesse quase nada sobre o Cristianismo, ela começou a zombar de Cristãos e depreciar a sua fé, inteligência e caráter.

"Era divertido me considerar intelectualmente superior à massa ignorante, supersticiosas e fazer comentários sarcásticos sobre Cristãos," escreve Ordway.

Ela estava convencida de que a fé era irracional por definição.

Convites evangélicos para "ir a Jesus e obter a vida eterna" soava como "acreditar em algo irracional sob demanda para receber um prêmio."

"Eu pensei que eu sabia exatamente o que era fé, e por isso recusava-me a olhar mais longe," escreve ela. "Ou talvez eu estivesse com medo que não havia mais do que eu estava disposto a crer - mas eu não queria lidar com isso. Mais fácil, de longe, lia apenas livros de ateus que me disseram o que eu queria ouvir - que eu era muito inteligente e intelectualmente honesta e moralmente superior aos pobres, Cristãos iludidos.”

"Eu mesmo tinha construído uma fortaleza do ateísmo, segura contra qualquer ataque de fé irracional. E eu vivia nela, sozinha."

Ordway não estava olhando para Deus. Ela não acreditava que ele existia. Mas ela começou a ser atraída para questões de fé.

Uma razão para seu interesse, ela explica, é que sua visão de mundo naturalista "foi insuficiente para explicar a natureza da realidade de uma forma coerente: não se podia explicar a origem do universo, nem poderia explicar a moralidade."

"Por outro lado, a cosmovisão teísta foi consistente e poderosamente explicativa: ela ofereceu uma explicação convincente, racional, consistente, e uma lógica para tudo o que a cosmovisão naturalista explicou acrescido de todas as coisas que a cosmovisão naturalista, não podia."

Após uma série de conversas com um mentor e exposição aos escritos de autores como JP Moreland e William Lane Craig, Ordway parou de negar Deus comprometendo-se a Cristo.

"Fiquei surpresa ao descobrir que o teísmo cristão tinha significativamente melhor poder explicativo do que o naturalismo ateísta, em termos de explicar por que o mundo está do jeito que está, e na contabilização de minhas próprias experiências dentro," ela contou, segundo a Biola. "Aprender mais sobre a Encarnação e sobre Deus, a Santíssima Trindade, reforçou ainda mais minha confiança de que o Cristianismo, realmente, faz sentido no mundo de uma maneira que nenhuma outra visão de mundo tem."

Ela descobriu que a "declaração de São Paulo de que o Cristianismo é baseado no histórico, testemunhado nos eventos de morte e ressurreição de Cristo," que "a teologia e a filosofia oferecem respostas concretas" às suas perguntas e não um apelo à fé cega, e que "A história da Igreja não se conformava com a [sua] imagem da fé cristã como um auto-serviço, uma ficção politicamente útil."

Seu orgulho intelectual foi quebrado e foi humilhado pela bondade de Deus, como ela começou a ver-se como uma pecadora.

"Eu não acredito porque eu gosto da idéia e quero que ela seja verdadeira. Eu não acredito porque eu acho que o Cristianismo faz sentido intelectualmente (apesar de que foi um alicerce necessário para a minha fé). Na verdade, eu não diria que eu acredito "em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, ou que eu acredito" ter uma relação pessoal com Ele: Eu diria que eu sei que essas coisas são a verdade," declarou a ex-atéia enfaticamente em um blog de 2007.

Ordway, atualmente, atende no S. Miguel-by-the-sea no sul da Califórnia, onde ela diz que cresceu na fé cristã. Ela está esperando que seu livro venha a ajudar os Cristãos - que podem estar se familiarizando com as idéias que os ateus acreditam, mas não entendem como é acreditar naquelas coisas - no seu evangelismo.

Oferecendo algumas dicas para aqueles que se aproximam dos ateus, ela disse: "Realmente, não importa se gostamos ou não do Cristianismo, o que importa é o que é a verdade? Essa abordagem pode não ressoar com todos, mas foi o que abriu a porta para mim."

Além disso, o discipulado é crítica, disse ela.

"Eu acho que um dos elementos centrais do meu próprio discipulado tem sido até agora foco dos meus pastores na cruz," disse ela na entrevista para a Biola. "O caminho de Jesus é o caminho da cruz. é, terrivelmente, doloroso abandonar seus pecados e vontade própria, para permitir a si mesmo ser crucificado junto com Jesus... e eu tenho sido muito grata aos meus pastores que reconhecem o quão difícil e doloroso pode ser ao longo desta jornada cristã. Mas o caminho da cruz é também o modo de vida e paz."

Fonte: Christian Post
Fonte: Folha Gospel.com

"Atos Proféticos"

Apesar de alguns evangélicos afirmarem que o Brasil experimenta um grande avivamento, vivemos dias extremamente complicados. Infelizmente a cada dia que passa, eis que surgem retumbante nesta terra tupiniquim devastadoras heresias.

Em Curitiba, um grupo de irmãos, liderado pelo pastor da igreja, entendeu que deveria demarcar seu território com urina, como fazem os leões e lobos. Após beberem muita água para encher bem a bexiga, seguiram para pontos estratégicos da cidade e passaram a URINAR decretando a vitória do Senhor. Numa cidade do norte do Estado do Rio de Janeiro, um pastor resolveu confrontar o “padroeiro” do município. Para tal, ele vestiu-se de branco, colocou uma coroa na cabeça, montou em um cavalo também branco, escreveu na sua coxa rei dos reis e adentrou as portas da cidade dizendo que a partir daquele instante o padroeiro daquele lugar não era mais são Jorge e sim Jesus Cristo.

O Ministério apostólico Libertador de Israel nos mostra outros tipos de atos proféticos:

- Cortar fios ou fitas, simbolizando a destruição de redes de tráfico e crime organizado.
- Quebrar botija, simbolizando a quebra de sistemas mundanos.
- Jogar flechas
- Sentar em torno de uma mesa, simbolizando a restauração familiar.
- Arrancar e plantar árvores, simbolizando retirada dos maus frutos e começo dos bons.
- Enterrar e desenterrar dinheiro, simbolizando arrancar os tesouros escondidos.
- Orar em frente a grandes bancos, ordenando a liberação financeira.
- Ungir em frente a locais de idolatria.
- Fincar estacas demarcando limites para conquista
- Dar sete voltas em torno de locais a serem conquistados.
- Rasgar papéis que simbolizam contratos espirituais.
- Marchas proféticas delimitando territórios.

Caro leitor, vamos combinar uma coisa? Esse povo ensandeceu! Eu não consigo imaginar Paulo e Pedro agindo desta maneira. Sinceramente eu não sei de onde esses caras tiram essas idéias! Ora, isso está mais para macumba do que para Cristianismo. Prezado amigo o evangelho de Cristo é simples (2 Co 11.3,4). Nossa missão é orar e jejuar, amar e estudar a Palavra de Deus, além de anunciar com intrepidez a mensagem da cruz ao mundo perdido (1 Co 1.18,22,23; 2.1-5). Nada além disso!

Sem a menor sombra de dúvidas as praticas litúrgicas dos neopentecostais fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média, onde o misticismo, a “mercantilização” da fé, bem como as manipulações religiosas por parte de pseudo-apóstolos, se mostram presentes. Confesso que não sei aonde vamos parar. Ao ler aberrações como as narradas acima, sinto-me profundamente inquieto com os rumos da igreja brasileira.

Isto posto, faço minhas as palavras do reformador alemão Martinho Lutero:

"Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo oque preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir"

O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.

Em tempos difíceis como o nosso precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque, somente assim conseguiremos corrigir as distorções evangélicas que tanto nos tem feito ruborizar.

Pense nisso!


Autor:
Pr. Renato Vargens
Fonte: CACP

Você é crente?

“Até o diabo é!” – esta máxima está valendo mais que nunca!

Já foi o tempo em que ser crente era sinônimo de honestidade, simplicidade e humildade (não confundir com estupidez e mediocridade). Já foi a época em que bastava dizer que o sujeito era crente para ser no mínimo poupado de algumas manifestações ou brincadeiras maliciosas, por exemplo.

Hoje em dia ser crente é ser matéria prima para piadas prontas. Nem mesmo os próprios crentes poupam seus co-participantes da fé. Nós fazemos piada com nossa própria desgraça, não é irônico?!

Não sei se a palavra certa é esta, mas a culpa recai sobre aqueles que usam das prerrogativas da sua crença para tirar proveito de determinadas situações, ou sobre aqueles que de crente só tem o nome mesmo, porém, seu proceder é mais ou menos do tipo “faça o que mando, mas não faça o que faço”.

Existem muitos crentes que não valem nada! Não valem mesmo! Dentre os que menos gosto (ou melhor, não suporto) são os de caráter dúbio; os de vida suja; aqueles promotores de contendas (vulgo “barraqueiros”); os de temperamento grosseiro; os mentirosos de carteirinha; os “traíras” por formação e mais um bocado de pessoas que se assemelham a estas péssimas qualidades desagradáveis.

Muitos crentes gostam de cuidar da aparência... Mas aparências enganam! Jesus deu uma bronca numa classe de judeus de sua época que adoravam mostrar por fora o que não eram por dentro: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniqüidade... Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.” – Mateus 23.25 e 27

O apóstolo Paulo ironizou aqueles que discursavam uma coisa, mas praticavam outra em Roma. No pensamento do apóstolo está embutida uma dura e ácida crítica sobre aquela postura tipicamente “crentesca” de julgar e condenar os outros, enquanto se mantêm práticas (públicas ou ocultas) iguais ou piores do que as que são criticadas: “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós.” – Rm 2.21-24

Os crentes brasileiros estão celebrando efusivamente o número crescente de pessoas que abarrotam as igrejas evangélicas. Amém... Mas, número só não basta! É preciso vida transformada e condizente com a Palavra de Deus – soou meio arcaico, retrógrado ou legalista, mas é isso mesmo! De nada adianta igrejas cheias de pessoas interessadas em bênçãos, curas, milagres e outras “ofertas”, se estas pessoas não forem nascidas de novo, se não forem de fato convertidas e transformadas. Como diria determinado pastor de uma denominação respeitada no Brasil “existem igrejas cheias de gente vazia”.

Antigamente ser crente era só ser crente, sem adjetivos adicionais. Muitos hoje são conhecidos com crentes mentirosos; crentes ladrões; crentes caloteiros; crentes fornicários; crentes adúlteros; crentes falsos; crentes marginais; crentes violentos; etc. (a lista é imensa).

E você? É crente?


Autor: Pr. Aécio Felismino da Silva

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Abuso espiritual

wesleystaffordcompassioninternationalA história de uma infância difícil que ajudou a moldar o ministério do presidente da Compassion Internacional

Em um momento decisivo da minha vida, há uns três anos, me dei conta que precisava deixar Deus redimir a história da minha infância. Essa história foi tão dolorosa e confusa que eu passei nada menos que 35 anos sem falar sobre ela. Dizem que as crianças têm um anjo da guarda, mas eu cheguei mesmo a pensar que o que fora designado para me proteger era o mais preguiçoso de todo o céu… Afinal, onde foram parar minhas orações, meus clamores por misericórdia e socorro, que tanto fazia deitado em meu travesseiro durante aquele período tenebroso?

Recebi meu chamado e descobri o propósito e a missão de minha vida justamente no momento mais sombrio e doloroso de minha existência, quando tinha dez anos de idade. Lembro-me nitidamente de uma vela de aniversário rosa, daquelas em que é possível atear fogo em suas duas extremidades. Ela foi acesa pelo homem que, à época, tinha autoridade sobre minha vida. Ele era o responsável por uma escola para filhos de missionários no oeste da África. Aquela instituição era minha casa por nove meses de cada ano, desde que eu tinha seis anos. Minha vida inteira pode ser dividida em duas partes: antes e depois da vela.

Naquele dia, o responsável pela escola me fez caminhar até o refeitório, colocou-me sentado diante de meus coleguinhas e pôs a vela em minhas mãos, acendendo-a nas duas pontas. “Crianças”, ele nos disse, “vocês não podem servir a Deus e a Satanás, como Wesley tentou. Não se pode acender uma vela em suas duas extremidades sem se queimar”. Cinquenta crianças estavam petrificadas, em silêncio. Sentado naquela cadeira, com meus joelhos tremendo, eu olhava aterrado. Por detrás das duas chamas, via a face de meus amigos – garotos que, como eu, vinham de vilarejos e centros missionários de todos os lugares do oeste africano enquanto seus pais faziam a obra de Deus.

A política da missão dizia que todas as crianças deveriam deixar seus pais ainda pequenas. Como eu, elas experimentaram crueldades indescritíveis naquele lugar. Os dirigentes e educadores do estabelecimento eram missionários que, penso hoje, provavelmente fracassaram por não superar os desafios transculturais e linguísticos do campo. Por isso, foram incumbidos da tarefa tediosa de cuidar dos filhos dos outros obreiros. Sem nenhuma supervisão, eles descarregavam em nós suas frustrações. Desde cedo, por isso, aprendi que coisas terríveis podem acontecer quando crianças são tidas como sem importância, ou como a última das prioridades. E tenho tentado convencer as pessoas justamente do contrário.

Pesadelo – Foram quatro anos de pesadelo. Por todos os meus dias na escola, convivi com violência. Tudo era razão para nos fazer apanhar, desde um fio puxado no cobertor a um olho aberto na hora de dormir. Quando comecei a estudar matemática, fiz as contas na média e descobri que apanhava cerca de dezessete vezes por semana. Éramos abusados não apenas física e emocionalmente, mas também espiritualmente. Crescíamos com pavor do Deus poderoso e vingativo que nos era apresentado. As mesmas pessoas que liam a Bíblia para nós durante o dia permaneciam nos dormitórios durante a noite, aproveitando-se dos indefesos. Meninos mais velhos, também vítimas, eram ensinados a como tocar sexualmente nos seus superiores, num ambiente depravado que satisfazia os desejos e a luxúria de homens que usavam todos os recursos físicos e psicológicos para nos calar.

Nem posso descrever a intensidade de dor, raiva e falta de esperança que afligiam minha alma. Nas mãos daquele homem que me torturou com a vela, eu sempre perdia. Era simples; ele era maior e mais forte, e eu, apenas um menino. Não havia quem nos protegesse. Não tínhamos braços paternos para os quais correr. Na escola, nós não podíamos sequer ter fotos de nossos pais, quanto mais reclamar de saudades de casa. Com o passar dos anos ali, percebi que já não conseguia lembrar como era o rosto de minha mãe. Tinha medo de partir seu coração se chegasse em casa e não a reconhecesse.

Os professores nos diziam que, caso contássemos o que acontecia ali, destruiríamos o ministério de nossos pais e arruinaríamos o trabalho evangelístico no continente africano. Não tínhamos ideia de que o nosso silêncio forçado perpetuava o mal contra nós. Nossas cartas à família eram controladas, de modo que não podíamos dar uma única pista sobre os horrores daquele lugar. O menor sinal de rebeldia era punido com agressões, e aprendemos a ser tão silenciosos quanto um cordeiro. Mesmo durante os três meses em casa com nossos pais, todos os anos, não abríamos a boca.

Eu sabia de sua paixão no anúncio do Evangelho, e eu amava meus amigos africanos. Se meu silêncio fosse garantir sua salvação, eu estava disposto a enfrentar qualquer coisa. Na verdade, era um africano de coração. Depois de nove meses de inferno na escola, meu coração era sempre renovado no verão pela alegria do convício com o povo local na vila em que vivia. As mulheres me tinham como filho. Bastava um simples arranhão numa brincadeira para que várias mães negras me pegassem no colo e enxugassem minhas lágrimas com seus vestidos coloridos. Na minha inocência, costumava orar a Deus para que minha pele ficasse escura como a deles. Todas as manhãs, ao acordar, eu checava para ver se ele havia atendido ao meu pedido. Ficava desapontado, mas pensava: “Talvez amanhã”.

Por assim dizer, eu era o assistente do meu pai. Juntos, levávamos o Evangelho a vilas nunca antes visitadas por brancos. Cabia a mim espantar os pássaros das árvores, para que seu barulho não impedisse as pessoas de ouvir a pregação. Costumava reparar no rosto dos africanos quando eles ouviam pela primeira vez a palavra Jesu e via as esperanças que eram construídas por causa da chegada do Evangelho às suas vidas. Logo, eu era um missionário também. Por isso as palavras daquele homem naquela noite lúgubre no refeitório feriram-me mais do qualquer uma das surras que eu havia levado naquela escola: “Wesley nos traiu. O diabo o usou para destruir o ministério de seus pais. Africanos irão para o inferno por causa de Wesley”.

Código de silêncio – Tudo aconteceu porque nas férias anteriores eu contara tudo. Estávamos no aeroporto com outros meninos, despedindo-nos das famílias, prestes a embarcar no avião que nos levaria de volta à África. Nossos pais seguiriam depois, de navio. No portão, coloquei a mão de minha mãe em meu rosto. Fiquei contemplando sua face sorridente, que me parecia tão bela. “O que foi, Wesley?”, perguntou ela, supondo que eu chorava apenas por antecipar a saudade. “Mãe, não quero me esquecer de como você é”, respondi. Ela também começou a chorar. Vi naquele momento uma oportunidade de ser resgatado. “Mãe, por favor, não me mande de volta para lá. Eles me odeiam, me batem. Por favor, eu tenho tanto medo!”

Jamais esquecerei o desespero no olhar de minha mãe. Senti seus soluços enquanto me abraçava. “O que eu posso fazer?”, balbuciava. Em menos de um minuto, minha irmã e eu estávamos embarcando com as outras crianças. Eu fizera o impensável – quebrara o código de silêncio. Meus amigos me olharam como se carregassem no olhar a imagem de minha sentença de morte. Durante o mês de viagem de meus pais de navio, minha mãe, confusa e com o coração partido, ficou tão abalada emocional e psicologicamente que logo ao desembarcar na África foi enviada de volta aos Estados Unidos para tratamento. Notícias de sua situação e das causas do problema espalharam-se como fogo. Logo chegariam aos ouvidos dos dirigentes da escola.

Eu não aguentava mais a humilhação, que novamente aconteceria. Meu algoz esperava que em minutos eu gritaria, choraria e lançaria a vela longe. Mas as duas afirmações – “Ministério de seus pais arruinados” e “Africanos no inferno por causa de Wesley” – eram mais do que eu podia suportar. Ao perceber que a cera quente começava a pingar em minha mão, fui fortalecido de forma sobrenatural. Rapidamente, pensei: “Posso vencer isso”. Aquele monstro havia se colocado em uma posição que, mesmo me fazendo sofrer, me dava a possibilidade de vencer. Eu sabia em meu coração que ele estava errado. Estava mentindo, e minha jovem alma clamava por justiça. Eu não era uma ferramenta de Satanás; era apenas um garoto pequeno clamando por socorro. Logo, já havia bastado de mentiras, injustiça, dor e sofrimento. Aquilo precisava acabar – e minha decisão era a de fazer acabar naquela hora. Nada me faria gritar ou derrubar aquela vela.

Mas estava assustado, lágrimas furiosas escorriam dos meus olhos por causa da cera fervente que me queimava. Ele havia me dado as costas, aumentando ainda mais o tom de suas acusações. Mas eu não mais ouvia sua voz. Tudo o que eu ouvia era o latejar do sangue em meus ouvidos. Trinquei os dentes, contraí os músculos e segurei aquele objeto da forma mais firme que podia. As pontas dos meus dedos ficaram vermelhas e vi bolhas saltando. De repente, fui transportado para fora do meu corpo. Flutuei acima daquele menino assustado, como se aquilo estivesse acontecendo a outra pessoa. Cheguei a ver a ponta do meu dedo acendendo com o fogo. Mas eu não largaria a vela.

Foi quando um menino saltou em minha direção e apagou as chamas. Apavoradas, as crianças correram em várias direções. A reunião macabra acabou num grande pandemônio. Sozinho naquela cadeira, eu havia recebido meu chamado. Saí da posição de vítima e passei à postura de vitorioso. A partir daquele dia, eu seria um protetor das crianças. Dali por diante passaria a falar por aqueles que, como nós naquela escola por tanto tempo, não tinham voz. Alguns anos depois, o estabelecimento foi fechado e os que abusavam de nós foram incriminados e impedidos pela missão de trabalhar com crianças. Não foram presos por conta da leniente legislação da época. Muitos dos que estudaram ali comigo saíram carregando cicatrizes que jamais seriam fechadas.

Lágrimas de alegria – O fim da minha história, que Satanás tentou amaldiçoar, foi transformado por Deus em bênção. Ela finalmente veio à tona com a publicação, em 2007, de meu livro Too small to ignore – Why the least of these matter most? [em tradução livre, “Pequeno demais para ser ignorado – Por que o menor deles é o que mais importa?”]. Encorajado por meus editores, fiz da obra um manifesto para despertar os cristãos quanto à necessidade do cuidado com as crianças. Ao mesmo tempo, deixei o Senhor tratar das feridas mais profundas de minha alma. Minha história é o que move meu coração a lutar contra a miséria, a injustiça e o abuso. Foi isso que me trouxe à Compassion Internacional. Aquela paixão que me moveu aos 10 anos ainda me consome. Meu trabalho é lutar pela causa das crianças, mostrando a elas o amor de Jesus por suas vidas. Pense na minha alegria quando, todos os dias, centenas de pequenos aceitam a Cristo como salvador de suas vidas; ou na satisfação que sinto ao vacinarmos pela primeira vez milhares de crianças de um recanto do mundo contra doenças fáceis de prevenir, mas até então fatais para elas.

Nestes últimos anos, não tenho passado dez segundos sem chorar. Nem todas as minhas lágrimas, entretanto, são de tristeza. Tenho chorado bastante de alegria, vendo a vitória na vida de crianças, assim como vi um dia na minha. Ao finalmente contar minha história, pude ver algo como o outro lado do trabalho de tapeçaria. Deparei-me apenas com os nós e tranças por muito tempo; hoje, ao contrário, vejo a bela obra de arte feita por Deus e sua graça. Ele certamente ouviu cada um de meus clamores, fazendo cessar meu pranto e, através do sofrimento, moldando-me para viver para sua glória.

Wesley Stafford é presidente da Compassion Internacional, com sede no Colorado (EUA), que desenvolve um trabalho de apadrinhamento de crianças. Esse artigo foi adaptado de uma de suas palestras

A arte perdida do compromisso

Sem compromisso, nossa vida individualista será árida e estéril. Sem compromisso, nossas vidas ficarão sem sentido ou propósito

Certas características são tão inerentes ao cristianismo que negligenciá-las significa tornar-se um crente disforme. Uma delas é o compromisso. Um cristão sem compromisso é como um paradoxo. O descompromisso tem sido uma tendência na sociedade moderna. As pessoas estão cada vez menos comprometidas com suas responsabilidades, com seus empregadores e até com sua família. Carreira, casamento, amizade e até mesmo a fé – ou seja, valores enraizados na cultura ocidental – têm sido abalados ela falta de compromisso, sobretudo entre as pessoas mais jovens.

E a percepção não é apenas pela mera observação dos fatos e do comportamento das pessoas. Uma pesquisa feita em 2008 mostrou que mais da metade das pessoas com idades entre 20 e 24 anos estavam com seu empregador atual havia menos de um ano. O matrimônio, em especial, tem sofrido muito com esse quadro. De acordo com dados do último censo norte-americano, os adultos jovens estão se casando mais tarde do que nunca. Um documentário produzido pela PBS em 2006, intitulado A próxima geração, deu algumas dicas sobre o porquê dessa situação atual: desejo de aventura, interesse em progredir na carreira e permanência mais prolongada na adolescência.

A falta de compromisso também está atingindo duramente a religião. Estudos sugerem que a geração iPod chega ao cúmulo de escolher quais aspectos da fé deseja adotar para criar as suas próprias listas espirituais.  A religião passa a ser o mesmo, então, que uma lista de meros interesses pessoais.

Entre os jovens adultos de hoje, a falta de vontade de se comprometer é alarmante. Eles são filhos de uma geração que viveu o apogeu da contracultura, entre as décadas de 1960 e 70, e expressam tal sentimento em seu apogeu. Em 1979, o sociólogo Robert Bellah realizou extensas entrevistas e pesquisas para compreender os chamados “hábitos dos corações” dos americanos médios. Muitos deles não tinham nenhum senso de comunidade ou obrigação social e viam o mundo como um lugar fragmentado de escolha e de liberdade, sempre no objetivo de obter o máximo em realização e conforto pessoal. Instados a expressar alguma forma de compromisso com algo ou alguém além de si mesmos, a maioria quedou-se silente.

Bellah chamou este comportamento de “individualismo ontológico”, uma crença não codificada segundo a qual o indivíduo é a única fonte de significado. O estudioso previu então como essa atitude iria, com o passar do tempo, afetar a sociedade em geral e até a Igreja. Como se vê, acertou em cheio. Desde então, temos visto uma quase ininterrupta marcha em direção ao autofoco, afetando todas as nossas instituições, mas sobretudo o trabalho, o casamento e a família.

Os blocos básicos da construção de uma sociedade pode se corroer se não existir compromisso daqueles que a compõem. No caso da Igreja, é cada vez mais urgente ensinar isso. Afinal, como é possível pensar em ser cristão sem um compromisso voluntário e total com a pessoa de Jesus? Por outro lado, além das ramificações para a sociedade como um todo, quando tal compromisso é recusado o mesmo negligenciado, perde-se uma das grandes alegrias da vida. Quando focamos tudo sobre nós mesmos, perdemos o grande sentido da existência, que outro não é senão conhecer e servir a Deus e amar e servir a nosso próximo.

Isso ficou claro quando 33 cientistas pesquisadores investigaram a relação entre o desenvolvimento humano e da comunidade em um importante relatório chamado Hardwired to connect. A pesquisa revelou que o ser humano é biologicamente preparado para encontrar sentido através de relacionamentos. Depois de quase oito décadas de vida, posso testemunhar sobre isso. Minha alegria maior é dar-me aos outros e vê-los crescer como conseqüência disso. É impossível descobrir isso sem que tenha compromisso com alguém. A primeira vez que aprendi isso foi presenciando meus pais cuidarem de meus avós, de maneira amorosa e espontânea, até o fim de suas vidas.

Vi isso também quando estava no Corpo de Fuzileiros Navais. Lá, ensinava-se aos recrutas como eu que compromisso com o companheiro de farda é tudo. Aprendi que, uma vez em combate, eu certamente morreria se o homem mais próximo a mim não me cobrisse, e vice-versa.

Esse tipo de compromisso total, feito de amor um pelo outro, é o que precisa acontecer nas igrejas. Ao abandonar o compromisso, a nossa cultura narcisista perdeu a única coisa que procura desesperadamente: a felicidade.
Sem compromisso, nossa vida individualista será árida e estéril. Sem compromisso, nossas vidas ficarão sem sentido ou propósito. Afinal, se não se vale a pena morrer por nada, também não vale a pena viver. Mas, com o compromisso, vem o florescimento da sociedade – de vocação, do casamento, da Igreja – e dos nossos corações. Esse é o paradoxo de Jesus, tantas vezes compartilhado quando o Senhor nos oferece para vir e morrer, a fim de que possamos verdadeiramente viver.

Charles Colson & Catherine Larson

Fonte: Cristianismo Hoje 

Conformismo ou transformação?

Jonh Maxwell, famoso escritor na área de liderança, resumiu o significado de liderança como influência. Se lembrarmos que um dos significados da palavra influência é ‘poder’, podemos então concluir que liderança é poder. E poder é o que precisamos para transformar famílias, igrejas e a sociedade em geral.

Creio que muitos líderes ignoram o poder da influência, e por isso sua liderança não é tão transformadora quanto poderia ser. Ou, então, sua influência não é positiva, como a que se espera de um crente em Jesus Cristo. Como líderes, precisamos ter consciência de nosso poder de influência e fazer uso dele para promover as transformações que deixam cada vez mais claro ao mundo a chegada do Reino de Deus através da ação da Igreja de Cristo. Se não tivermos uma influência positiva, é certo que assumiremos uma influência negativa, pois o “mundo jaz no maligno” (1Jo 5.19).

Não influenciar com uma liderança espiritual é influenciar por algum outro tipo de liderança. E aqui entra o perigo do comodismo, de ir ‘a favor’ e não ‘contra’ a maré. Comodismo é sinônimo de má influência, de falta de percepção do poder de liderança. Líderes que não fazem diferença estão entregando ao inimigo de nossas almas todo potencial que poderia ser empregado no exercício de uma influência cristã. Talvez seja nesse sentido que o apostolo Paulo declarou: “E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2). Conformismo tem a ver com assumir a forma já estabelecida. Líderes que se conformam à realidade acabam fortalecendo tal realidade, pois, querendo ou não, exercem poder de influência. Um líder que vê comportamentos estranhos em seus liderados e não fala nada está reforçando tal comportamento e usando sua influência para cristalizar erros. Por outro lado, um líder que promove a transformação do seu ambiente está fazendo uso de sua influência para manifestar os valores do Reino de Deus e as grandes possibilidades que o evangelho de Jesus oferece a todos aqueles que nele creem.

Para o líder, não há muros para subir ou zonas de conforto para se abrigar. Seu poder de influência não lhe permite a neutralidade. Conformismo gerará reforço de tradições sem sentido, pecados escondidos, falta de criatividade e, por fim, criará verdadeiros impérios que impedem a manifestação plena do Espírito Santo de Deus, que  nos traz a novidade do Senhor a cada dia. O líder cristão entende que tem diante de si um compromisso com a transformação, afinal lhe foi dado poder de influência. Com isso, ele pode promover uma grande movimentação em prol do Reino de Deus.

Para o líder exercer boa influência e promover transformações, ele precisa de compromisso com Deus e visão espiritual dos seus liderados, das estruturas em que estão inseridos e, principalmente, da vontade de Deus. Esse compromisso lhe dará abertura para lidar com diferentes situações, ampliará sempre o Reino de Deus e mostrará o que é ser sal e luz no mundo. Promover transformação e não incentivar a estagnação deve ser o nosso lema. Não podemos admitir líderes conformados com um mundo que jaz no maligno e que se apresenta como oponente ao Reino de Deus. É momento de usarmos nosso poder de influência e nos unirmos para promover grandes transformações começando por nossa vida pessoal, familiar e eclesiástica. Como você tem usado sua influência? Você está consciente do poder que tem em suas mãos?

Certa vez perguntaram a Martin Luther King por que ele insistia em promover manifestações a favor da igualdade entre brancos e negros nos Estados Unidos. Sua resposta foi simples: “Calado ou falando estou influenciando uma geração. Quero ser conhecido então por uma boa influência...” Que tenhamos a mesma consciência e que, em vez de conformismo, nos unamos àqueles que com muito esforço têm promovido a transformação do mundo através do poder do evangelho.
GUILHERME DE AMORIM ÁVILLA GIMENEZ

  • AUTOR
Guilherme Ávilla Gimenez

Guilherme Ávilla Gimenez

Teólogo, bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (especialização em Ministério Pastoral) e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Cursou especialização em Ministério Pastoral no Dallas Theological Seminary. É professor na área de Teologia Prática na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e pastor titular da Igreja Batista Betel em São Paulo. Sua dissertação de Mestrado tratou da 'Crise no Ministério Pastoral' e se transformou em conferências e palestras apresentadas em várias Igrejas e Seminários Teológicos.

Fonte: Edições Vida Nova